Quinta-feira , 14 de Novembro de 2019

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DIRETO DO PLENÁRIO - Segurança pública na Bahia mobiliza Poder Legislativo

Publicado em: 09/10/2019 23:30
Setor responsável: Notícia

Divulgação/AgênciaALBA
A deflagração da greve de policiais militares na Bahia repercutiu ao longo de toda a sessão desta quarta-feira (9) na Assembleia Legislativa. Mesmo com divergências de ponto de vista, deputados de governo e oposição consideraram que o movimento põe em risco a sociedade baiana. Os líderes do governo, Rosemberg Lula Pinto (PT), e da oposição, Targino Machado (DEM), se colocaram à disposição para intermediar a negociação e, em quase todos os pronunciamentos, ficou claro que o Legislativo é o ambiente propício para que seja criado o diálogo entre o governo e os grevistas.

O líder oposicionista voltou a lamentar a deflagração da greve, dizendo que trabalhou muito junto ao deputado Soldado Prisco (PSC) para evitar a greve. Ele disse que alertou o governo sobre o assunto e que tem a esperança de que os atores envolvidos sentem para buscar o entendimento focando no que interessa, sem interesses políticos subjacentes. “A greve não interessa a ninguém. Nem à população nem à Polícia Militar, que sai com sua imagem arranhada de um movimento desse”, avaliou.

BAIXAR ARMAS

Targino lembrou que algumas categorias são proibidas por lei de entrar em greve, por se tratarem de serviços essenciais. “Lei tem que ser cumprida, mas não podemos perder de vista que atividades especiais precisam de um tratamento especial e remunerações especiais”, disse. Para ele, a melhor saída é o acordo. Presidindo a sessão, Tiago Correia (PSDB) defendeu que o momento é de “baixar as armas e buscar entendimento” e que a Casa é o ambiente para isto.

Rosemberg disse que o governador Rui Costa está preocupado com a população baiana e que esta preocupação e indignação estão refletidas em suas declarações. Ele classificou o movimento como um factoide, pois nunca foi procurado e nem recebeu qualquer reivindicação dos policiais. O líder disse que o governador tomou todas a medidas necessárias e que reivindicar é legítimo, mas que a ação midiática está transtornando a população.

SEM FUNDAMENTO

Membro da Comissão de Direitos Humanos e Segurança Pública, Robinson Almeida (PT) disse que se ofereceu para ajudar a negociar com o governo, mas não obteve resposta. Ele chamou de “tentativa de greve, uma greve política, sem nenhum fundamento técnico” e pediu respeito à sociedade. O petista avaliou que não houve adesão da categoria em nenhum município, classificando o movimento de um “motim de 300 policiais e ex-policiais”. Zó (PT) também duvidou da adesão, referindo-se a uma “suposta greve”, informando que “na nossa região não está havendo e nem em outras que tenho notícia. Para ele, os casos de arrombamentos estão dentro do normal e que não tem motivos de criar pânico na sociedade, pois não houve adesão ao chamamento.

Mesmo considerando que a adesão foi de uma parcela ainda que pequena dos policiais, Jacó Lula da Silva (PT) mostrou preocupação com os riscos à população. Ele preferiu evitar discutir a legalidade do movimento, afirmando que antes falta legitimidade ao movimento, que apresenta algumas pautas discutíveis. Para o petista, a Casa deve intermediar o diálogo, já que um dos lideres é Prisco, deputado e membro da Mesa Diretora. Ele considerou que Rui foi o governador que mais investiu em segurança na história, melhorando condições de trabalho, mesmo diante da crise econômica. No entanto, considera que existe ainda muito a avançar. “A sociedade tem que abrir o olho ao lamentável episódio, por que o bom senso foi deixado de lado por questões políticas.

REPRESENTANTES

Os dois policiais militares com mandatos parlamentares na oposição reconheceram que o comandante geral da corporação tem feito o que está ao seu alcance. Mas pediram atenção do governo para as reivindicações apresentadas. “São justas e necessárias”, definiu Alden (PSL), capitão da Polícia Militar. Ele disse que vem falando sobre a insatisfação da polícia e que a solução exige mudanças na legislação. Em seu pronunciamento, relacionou todas as indicações e projetos que protocolou no sentido de melhorar as condições de trabalho da polícia.

“Como policial militar, não poderia me calar diante do que está ocorrendo, um momento de tristeza”, disse o Pastor Tom (PSL). Ele se dispôs a colaborar com as negociações, juntamente com os líderes das bancadas. Para o parlamentar, negar o movimento só faz inflamar os manifestantes. “Ouvi no rádio que houve sete pessoas mortas na região metropolitana”, informou, defendendo que “é hora de unir forças” para encontrar uma solução.


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