Quinta-feira , 12 de Dezembro de 2019

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Deputados debatem o uso terapêutico da Cannabis para controlar doenças graves

Publicado em: 27/11/2019 19:10
Setor responsável: Notícia

JulianaAndarde/AgênciaALBA
Um debate público com o tema “Cannabis Terapêutica: Direito, Saúde e Regulação” foi realizado nesta quarta-feira (27), na Sala Deputado Jairo Azi, com a finalidade de discutir o uso da maconha para fins medicinais e científicos. O evento reuniu representantes de associações, entidades de mulheres e mães que relataram diversos problemas na luta por mais qualidade de vida para os seus filhos.

Sensibilizado pelas dificuldades de tantas famílias, o deputado Jacó Lula (PT) pretende popularizar as informações sobre o tratamento pelo medicamento cannabidiol para ajudar no combate ao preconceito que ainda existe na sociedade. O parlamentar se comprometeu com a causa e anunciou que vai propor, no ano que vem, uma sessão especial na Assembleia Legislativa, envolvendo Ministério Público Federal, Defensoria Pública, Poder Judiciário, Procuradoria Geral, Secretaria de Sáude e outros órgãos “para o aprofundamento da questão que mobiliza a vida humana”. 

O deputado Zó (PC do B), que também participou do encontro, quer estimular essa “roda de conversa” nas cidades-pólo do interior da Bahia, “como uma forma de romper as barreiras religiosas, afastar os tabus e evitar as discriminações quanto à utilização medicinal da Cannabis Sativa”. O comunista diz que o foco principal nessa interação com as comunidades deve considerar a decisão de salvar vidas e a dificuldade na importação do produto. “É inadmissível encarecer um medicamento que pode ser plantado dentro de casa pelas pessoas, da mesma maneira que se cultiva uma erva-cidreira”, finalizou o legislador.

O uso da planta para tratamentos medicinais proporciona bem-estar para pessoas com doenças como epilepsia, esclerose múltipla, autismo, Mal de Alzheimer, Mal de Parkinson, Anorexia e Doença de Crohn. Quem assegura é Leandro Stelitano, presidente da Associação para Pesquisa e Desenvolvimento da Cannabis Medicinal no Brasil. O dirigente da Cannab observa que a lei privilegia atualmente só quem tem poder aquisitivo, já que uma ampola de 100 ml do cannabidiol, com encargos e taxas de importação, custa R$ 2.875,00.

DESCUMPRIMENTO

Para Sérgio Vidal, ativista do Movimento Antiproibicionista, o país aprovou o uso da cannabis medicinal desde 2006, mas 13 anos depois a legislação ainda não é cumprida, não há regulamentação, e “a questão só avança quando se parte para a via judicial”. Ludimila Teixeira, integrante do Coletivo Mulheres Unidas com o Brasil, defende a autorização da justiça para que as famílias possam cultivar a maconha. “Tendo apoio técnico e sabendo as propriedades da planta, faremos o óleo que salvará vidas de pessoas negras e pobres nas periferias”, assegurou a militante. 

Durante o debate público, não faltaram depoimentos emocionantes de mães que “vivem na pele as pelejas cotidianas para cuidar dos entes queridos”. A psicóloga Marília Machado, de Barreiras, contou como foi lutar pela vida do filho Vicente, de 6 anos. O garoto nasceu de parto prematuro, ficou 93 dias internados no hospital e sofre de Epilepsia Refratária com Risco de Morte. A mãe diz que o menino já chegou a ter uma crise convulsiva por quase 90 minutos e foi desenganado pelos médicos. Marília não se conformou com o diagnóstico e resolver buscar soluções. Ela relata que conseguiu importar a medicação e fala, com lágrimas nos olhos, que a última crise convulsiva de Vicente foi em setembro passado e, mesmo assim, em decorrência de uma infecção.

A dona de casa Josiane Oliveira ainda batalha para dar um tratamento adequado ao filho Kalebh Kaidê, de 3 anos e 7 meses, que não anda, não fala, toma quatro tipos de remédios e tem diariamente 15 crises de Epilepsia de Difícil Controle. Ela mora na Vila Rui Barbosa, na Cidade Baixa, cuida dos outros dois filhos e tenta obter uma autorização para cultivar a planta. Josiane teme que Kalebh venha a fazer parte das estatísticas. “Meu filho não pode morrer à espera de uma decisão da Justiça”, concluiu em prantos a dona de casa.


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