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Assembleia doa retrato de Cipriano Barata para ABI

Publicado em: 20/12/2012 00:00
Editoria: Diário Oficial

A tela, feita pelo artista plástico Henrique Passos, foi doada para a Associação Bahiana de Imprensa
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A Assembleia Legislativa doou para a Associação Bahiana de Imprensa (ABI) uma tela do artista plástico Henrique Passos que retrata Cipriano Barata, jornalista e político que simboliza a luta contra a censura e o absolutismo em nosso país. O ato se insere na programação desenvolvida pela entidade que congrega os profissionais de imprensa da Bahia.
Marcaram presença no ato, realizado às 9h30, na sede da associação, o presidente do Legislativo, deputado Marcelo Nilo, o presidente da ABI, Walter Pinheiro, e demais dirigentes da entidade de classe que tem como divisa a preservação da liberdade de imprensa. Após o descerramento da tela, o deputado Marcelo Nilo discorreu sobre a importância do jornalismo e dos jornalistas para a democracia, pois a imprensa que tem, necessariamente, um viés crítico, é um fiscal da sociedade.

PROXIMIDADE

Ele agradeceu – mais uma vez – a medalha que recebeu da ABI pelo trabalho que realizou em defesa da liberdade de imprensa, galardão que o envaidece, e lembrou a dificuldade vivida pelos políticos e cidadãos em período ainda recente quando prevalecia o arbítrio e quando a censura amordaçava a todos, sendo a imprensa responsável pela busca e utilização de "brechas" para que a população fosse de fato informada. Como estamos num período republicano, em que a harmonia e independência dos poderes é respeitada, assim como as leis e os cidadãos, é pedagógico o trabalho que a ABI realiza para manter viva a lembrança do período duro que se seguiu à chegada dos militares do poder, em 1964.
Enalteceu ainda o papel desempenhado à época, e agora, pela entidade dos jornalistas que, junto com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), eram as válvulas de escape mais visíveis. Ele se comprometeu a apoiar as iniciativas da ABI em sua missão e se declarou honrado em representar o parlamento da Bahia naquele momento, certo de que a tela retratando Cipriano Barata está exposta agora no lugar próprio. Antes de encerrar o pronunciamento, reafirmou a transparência vigente na Assembleia Legislativa e frisou que a imprensa peleja sempre o bom combate.
No rápido discurso de agradecimento que fez, Walter Pinheiro lembrou a familiaridade dos jornalistas da Bahia e de sua entidade representativa e registrou que a Assembleia Legislativa chegou a funcionar no edifício Ranulfo de Oliveira, sede da ABI, durante 14 anos, entre os anos de 1960 e 1974, até a construção da sede definitiva do Legislativo no Centro Administrativo. Ele discorreu sobre Cipriano Barata, formado em cirurgia, matemática e filosofia, em Coimbra, e que foi deputado junto às Cortes e também à assembleia constituinte do primeiro império – quando não chegou a tomar posse, por desconfiar dos arroubos nacionalistas do dom Pedro I.
Acrescentou que a luta desse verdadeiro patrono dos jornalistas brasileiros foi sempre pela independência do Brasil, reafirmação da nossa nacionalidade e da liberdade de informação – amargando várias prisões que somaram 11 anos – e uma espécie de exílio interno, pois faleceu fora da Bahia. Walter Pinheiro elogiou o vigor combativo de Cipriano Barata, que editou e escreveu o seu jornal "Sentinela da Liberdade", um dos primeiros documentos do gênero no país, muitas vezes de dentro dos cárceres, estudado no livro escrito pelo professor Marco Morel e editado pela Assembleia Legislativa e a Academia de Letras da Bahia.
Ele elogiou o apoio que recebe dos companheiros de diretoria e destacou o trabalho do responsável pela programação cultural, Luís Guilherme Pontes Tavares, nas comemorações relativas ao aniversário de nascimento de Cipriano Barata, como o debate travado no auditório da Livraria Cultura, em 26 de setembro passado, e que contou com a presença, entre outros, de Marco Morel.



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