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Trajetória de Giocondo Dias é reverenciada na Assembleia

Publicado em: 21/11/2013 00:00
Editoria: Diário Oficial

Aplaudido de pé por todos, Antônio Eduardo Dias recebeu das mãos de Marcelino Galo um diploma que restitui, simbolicamente, o mandato de seu pai
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O mandato parlamentar do militante comunista Giocondo Dias, extinto por ato da Mesa Diretora em 1948, foi restituído "in memoriam" de forma simbólica a seus familiares na Assembleia Legislativa. O presidente Marcelo Nilo convidou todos os deputados presentes e o governador Jaques Wagner a entregar o diploma a Antônio Eduardo Dias, filho do "Cabo Dias", que representou os familiares.
O autor da proposição – aprovada por unanimidade – que restituiu o mandato subtraído pelo "arbítrio" foi o deputado Fabrício Falcão (PC do B). Em viagem para tratamento de saúde, ele não compareceu, sendo representado pela líder de seu partido, deputada Kelly Magalhães.
Inicialmente, a cerimônia aconteceria em audiência pública no auditório do anexo Senador Jutahy Magalhães, da Comissão Especial da Verdade da Assembleia Legislativa, presidida pelo petista Marcelino Galo, mas foi transferida, por acordo de lideranças, para o plenário. Os líderes, da maioria, deputado Zé Neto (PT), e da minoria, deputado Elmar Nascimento (DEM), concordaram sobre a importância histórica dessa reunião e transformaram a sessão ordinária em especial.
Os trabalhos emocionaram aos presentes pela defesa intransigente da democracia por todos os oradores, bem como pela homenagem a um militante político que dedicou toda a vida à busca de uma sociedade justa, sofrendo na pele (e também seus familiares) as consequências de sua pregação. Foi baleado, esfaqueado, preso e condenado, detido inúmeras vezes, além de amargar longo exílio e duas dezenas de anos na clandestinidade.
Lotaram o plenário parlamentares, presidentes de partidos, dirigentes de órgãos da sociedade civil, secretários de Estado, familiares, militantes históricos do PCB e de partidos compromissados com a democracia. Ao chegar, seguido de uma comissão de suprapartidária de líderes constituída pelo presidente Marcelo Nilo, o governador Jaques Wagner foi aplaudido de pé.
A banda Maestro Wanderley, da Polícia Militar, abriu e encerrou os trabalhos executando os hinos Nacional Brasileiro e da Bahia. Discursaram os deputados Marcelino Galo e Kelly Magalhães, o sociólogo Joviniano Neto, coordenador da Comissão Estadual da Verdade, Antônio Eduardo Dias, e o governador Jaques Wagner.
Em sua rápida e emocionada fala, o filho de Giocondo Dias expressou a satisfação que sentia em representar a família naquela solenidade. Ele agradeceu ao conjunto dos deputados estaduais pela homenagem, dirigindo-se especialmente aos deputados Fabrício Falcão e Marcelino Galo, além do presidente Marcelo Nilo, por este momento. Revelou o privilégio em ser filho de Giocondo Dias e manifestou a sua certeza de que o pai começaria "tudo outra vez, caso o tempo voltasse". Encerrou com um: "Viva os comunistas."

 



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