MÍDIA CENTER

Destacada trajetória de Mãe Olga

Publicado em: 10/11/2005 19:51
Editoria: Diário Oficial

Clóvis Ferraz lamenta a morte da ialorixá e enfatiza o seu fantástico saber religioso
Foto: null
A morte da ialorixá Olga Francisca Régis, conhecida como Mãe Olga de Alaketu, foi lamentada pelo presidente da Assembléia Legislativa, deputado Clóvis Ferraz (PFL). Ele apresentou uma moção de pesar, na qual destaca a determinação de Mãe Olga em manter a dignidade das religiões de matrizes africanas. "Herdeira de uma linhagem real africana, a Arô, do antigo reino Ketu, hoje área do Benin, ela era também detentora de um incomparável saber litúrgico", observou Ferraz. Mãe Olga morreu no dia 29 de setembro, aos 80 anos.

A ialorixá reinou por 65 anos no Ilê Maroiá Láji, nome sagrado do Alaketu, localizado em Luiz Anselmo, bairro de Brotas. O terreiro tem sua origem no século 17 e sua fundação é atribuída à princesa Otampê Ojarô, raptada do reino de Ketu e vendida na Bahia como escrava. "É dessa linhagem que Mãe Olga descendia", explicou o presidente da AL. Ele acrescentou que, na tradição do culto afro-brasileiro, ela era filha de Iansã, a senhora dos ventos e das tempestades na tradição Ketu, conhecida pelo seu carisma e temperamento forte.

"Olga de Alaketu foi uma das muitas herdeiras da sabedoria trazida por uma série de mulheres corajosas, que souberam conservar sua religião e cultura, utilizando como uma de suas principais armas a música", continuou o parlamentar. De acordo com Ferraz, ela usava o poder da voz para reconstruir, através de cantigas, histórias sobre as crenças religiosas e o legado de suas famílias. Era uma Iyátegbese, que significa aquela que guarda o dom de se comunicar com a divindade através do entoar de sua voz. "Os cânticos do candomblé preservaram a memória histórica dos afrodescendentes no Brasil e a ialorixá mostrava, no seu canto, toda a sabedoria ancestral", observou.

Para Clóvis Ferraz, Mãe Olga era dona de um saber religioso fantástico, um ícone e uma embaixatriz da cultura afro-brasileira no mundo inteiro, contribuindo para o resgate da identidade negra do Brasil. Ele contou que recentemente a ialorixá foi homenageada, ao lado de mãe Stella de Oxossi (Ilê Axé Opô Afonjá) e Mãe Guanguacessy (Bate Folha), no encontro de tocadores do culto afro, o Alaiandê Xirê, cujo tema foi a sabedoria e força das sacerdotisas da religião afro. As três, coincidentemente, completaram, em 2005, 80 anos de idade, sendo que o oito é considerado um número mágico na tradição Ketu.

"Mãe Olga era considerada fonte de inspiração e exemplo para o povo de santo, independente da tradição que cada um seguia. Uma das marcas nas suas falas era a preocupação com a tradição da casa que governava", salientou o autor da moção. Ele fez questão de registrar que, no dia 19 de abril deste ano, Mãe Olga teve reconhecido seu terreiro como patrimônio histórico e cultural do Brasil. "A missão que abraçara agora continua com a sua filha biológica, Jocelina Barbosa Bispo, a Mãe Jojó, já escolhida como a nova regente da casa", concluiu Ferraz.



Compartilhar: