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Legislativo reconhece trabalho social do arcebispo Dom Murilo Krieger

Publicado em: 13/01/2018 00:00
Editoria: Diário Oficial

Religioso disse que está atento aos desafio dos homem e mulheres de ?nosso tempo?
Foto: Arquivo/Agência-ALBA
Dizem que baiano não nasce, estreia. Sendo assim foi no dia 1º de setembro de 2017 que estreou mais um baiano: o arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger. A série “Os Novos Baianos” traz hoje a história do religioso que, com sua fé, tem feito muito pela Bahia e pelo seu povo, na luta contra as desigualdades e pelo respeito às diferentes matizes religiosas presentes no Estado.

A Assembleia Legislativa concedeu o Título de Cidadão Baiano ao catarinense Dom Murilo Krieger, Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil. A proposta foi apresentada pelo ex-deputado petista Yulo Oiticica, mas coube ao correligionário Marcelino Galo (PT) requerer a sessão especial para a concessão da honraria. No seu discurso, Galo enfatizou a presença em plenário de pessoas do universo religioso e da ciência política. 
“Esta junção, ao contrário de ser incompatível, é perfeitamente cabível e complementar”, disse. E citou o artigo do homenageado ‘Fé e a Razão’: “A ciência e a fé não são concorrentes: uma supõe a outra e cada qual tem o seu espaço próprio de realização. Lemos no Livro dos Provérbios: ‘A glória de Deus é encobrir as coisas e a glória dos reis é investigá-las’ (Pr 25,2)”.
“Hoje, portanto, a fé e a ciência política se juntam para fazer justiça e reconhecer, em nome do povo da Bahia, as virtudes de um sacerdote que, pelo conjunto de sua obra, conquistou o direito de ser chamado pelas baianas e pelos baianos de conterrâneo, aquele que é da mesma terra que nós”, disse Galo.

‘MEU REI’

Ao discursar, Dom Murilo revelou que “a outorga desse título fez nascer em mim uma pergunta: “Quem é baiano? É também os que adotaram esta terra como sua e passaram a se considerar baianos por própria conta. Foi o que aconteceu comigo. Sinto-me baiano desde o dia 25 de março de 2011, quando assumi a Sede Primacial do Brasil. Tenho um princípio de vida: Meu coração deve estar onde estão os meus pés. Assim senti-me em casa desde que aqui cheguei. Não me foi difícil amar este povo, pelo contrário sinto-me à vontade nesta terra. Não precisei de muito tempo para descobrir a capacidade de acolhida dos baianos e o carinho com que trata seus visitantes.

Aproveito para recordar aqui um fato ocorrido poucas semanas após minha chegada. Terminada a visita em uma paróquia, ao sair, vi uma garotinha de uns seis anos e lhe disse: “Até logo!”. Ela, com muita espontaneidade, me respondeu: “tchau, meu rei”. 

E há, ainda, na visão do arcebispo, “os que são baianos por adoção: é o caso de quem recebe o Título de Cidadão Baiano. Agora, oficialmente, sou cidadão baiano por adoção, como já era por livre escolha. Este Estado me adotou. Mas, ao me adotar sei que a Bahia passa a esperar mais de mim. Agora, mais do que nunca, não posso ficar indiferente diante das alegrias e tristezas deste povo; diante dos desafios que ele enfrenta e dos problemas que o afligem; não posso ficar indiferente diante da insegurança em que muitos vivem ou das preocupações que cada qual tem pelo dia de amanhã. O que posso fazer diante de tudo isso? Posso fazer pouco, muito pouco. Mas não devo me preocupar: a meu lado estão mais de 15 milhões de baianos, com as mesmas preocupações e o desejo de ver uma Bahia melhor, um Brasil mais justo e um mundo mais fraterno”.

“Pelo que pensa e faz o bispo catarinense é merecedor do título”, atestou o proponente da homenagem, Yulo Oiticica. “Ele tem uma baianidade admirável”, disse, relembrando as ações que o Arcebispo Primaz patrocina, inclusive de entendimento com outros segmentos religiosos no sentido de “refletir a paz a partir da fé”, além suas intervenções em busca de soluções para os problemas sociais.
Para Marcelino Galo, a ALBA “presta uma justa homenagem a Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, um padre da Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus, arcebispo de Salvador, Primaz do Brasil e vice-presidente da CNBB”. Depois de fazer um relato sobre os cargos e funções assumidos por Dom Murilo ao longo dos anos, Marcelino Galo encerrou com mais um “ensinamento de nosso homenageado: “Não é nos fechando sobre nós mesmos que encontraremos a verdade, mas nos abrindo para dimensões que nos transcendem. Essa é uma condição necessária para nos realizarmos como pessoas adultas e maduras”.

O arcebispo deu ontem mais uma demonstração de que seu olhar é vigilante. “Atentos aos desafios dos homens e das mulheres de nosso tempo, não escondemos nossa vontade de transformar radicalmente as estruturas que se apresentam injustas na sociedade. Estamos convictos, e não sem razão, de que é impossível ser feliz vendo uma multidão de irmãos carentes, pobres e necessitados. Estamos resolvidos a construir uma sociedade justa, livre e próspera, onde todos e cada um possam gozar dos benefícios do progresso”, disse.

“A Bahia, Dom Murilo”, garantiu Galo, “que teve a honra de recebê-lo, agora tem a honra de lhe homenagear, não como alguém que veio de fora e que aqui ficou, mas como alguém que já é um de nós. Viva o baiano Dom Murilo Sebastião Ramos  Krieger!”, finalizou.
TRAJETÓRIA  

À frente da Arquidiocese de Salvador desde 25 de março de 2011, Dom Murilo Krieger nasceu em Brusque, Santa Catarina. Em Corupá, concluiu o ensino básico no Seminário da Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus, em 1962. Estudou Filosofia e Teologia; licenciou-se em Letras e frequentou cursos de espiritualidade em universidades Pontifícias de Roma. Foi ordenado sacerdote em 1969; fundou o Movimento Shalom; foi reitor do Instituto Teológico SCJ e superior provincial da Província Brasileira Meridional.

Em 1985, o papa João Paulo II o nomeou bispo auxiliar de Florianópolis e em 1991 bispo de Ponta Grossa, assumindo seu lema episcopal: Deus caritas est (Deus é amor). Depois de ser arcebispo de Maringá e Florianópolis foi nomeado em 12 de janeiro de 2011 arcebispo de Salvador pelo Papa Bento XVI. Tornou-se membro da Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Campanha para a Evangelização da CNBB. Em abril de 2015 foi eleito vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB.

Em Salvador intercedeu pela restauração de igrejas e do Palácio Arquiepiscopal, na Praça da Sé, que abrigará o Centro de Referência da História da Igreja Católica no Brasil. Criou o primeiro templo no mundo dedicado a João Paulo II, e a Paróquia Nossa Senhora dos Alagados, no bairro de Alagados. Durante o pastoreio na Arquidiocese de Salvador já ordenou 26 novos padres e 48 diáconos permanentes. 
Ações de destaque realizadas por Dom Murilo foram as duas intermediações em greves da Polícia Militar da Bahia: a primeira em 2012 e a segunda em 2014. Nas duas ocasiões, o Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil teve um papel fundamental nas negociações, que muitas vezes aconteceram na Cúria Metropolitana e na Residência Arquiepiscopal.

Teve também papel importante na defesa de uma Reforma Política que modificasse as formas de financiamento das campanhas. Lutou pelo aumento de candidaturas de mulheres para cargos eletivos e pela regulamentação do Artigo 14 da Constituição, com o objetivo de se melhorar a participação do povo brasileiro nas decisões mais importantes por meio de projetos de lei de iniciativa popular, de plebiscitos e de referendos. Defendeu a democracia participativa.

Merece destaque, ainda, a criação da Rede Excelsior de Comunicação, formada pelas rádios Excelsior da Bahia, Vida FM e Alvorada. Vale destacar a aquisição da nova sede da Rádio Alvorada, no município de Cruz das Almas, inaugurada em 23 de abril deste ano.



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