Em uma solenidade que movimentou a Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) e lotou completamente o Auditório Senador Juthay Magalhães, com cerca de 500 pessoas, o deputado Marcelo Nilo se filiou na manhã de ontem ao Partido Socialista Brasileiro (PSB). Atestando a força política do parlamentar, o evento teve as presenças do governador Rui Costa (PT), do ex-governador Jaques Wagner (PT), do presidente da Assembleia, Angelo Coronel (PSD), da senadora e presidente estadual do PSB, Lídice da Mata, além de 38 prefeitos, dezenas de ex-prefeitos, deputados federais, estaduais, vereadores, dirigentes partidários e um grande número de lideranças políticas do Estado.
Com a filiação de Nilo, que já foi presidente da Assembleia por cinco mandatos consecutivos e deputado estadual mais votado nas duas últimas eleições, o PSB esperar triplicar o tamanho da bancada baiana do partido na Câmara Federal - hoje ele só tem o deputado Bebeto. Almeja também duplicar a bancada de deputados estaduais, formada por quatro parlamentares – Fabíola Mansur, Marquinho Viana e Angelo Almeida e, a partir de agora, Marcelo Nilo. Na eleição de outubro próximo, Nilo já anunciou que pela primeira vez concorrerá a uma vaga na Câmara dos Deputados.
Na solenidade de hoje, além do ex-presidente da Assembleia Legislativa, se filiaram ao PSB o superintendente de Gestão Prisional, Nestor Duarte, a vereadora de Monte Santo, Silvania Matos e o diretor da Embasa, Marcelo Veiga, genro de Nilo. Para os próximos dias, o partido espera filiar outros políticos, a exemplo do candidato a prefeito de Barreiras, Tito, que também concorrerá a uma vaga na Câmara dos Deputados.
Ao discursar no evento, Marcelo Nilo lembrou de suas origens sertanejas, de “quem viu a fome a sede de perto”, e contou um pouco de sua luta para se “formar doutor”, como queria sua mãe, até ingressar na vida pública. Lembrou que entrou na Empresa Bahiana de Águas e Esgoto (Embasa) como estagiário e saiu de lá presidente. Se lançou na vida pública pelo PSDB e está em seu sétimo mandato como deputado estadual. Em sua primeira eleição, contou ele, obteve 12 mil votos, e na última, mais de 150 mil, sendo o deputado mais votado em 2014.
“Na Assembleia fui o único deputado a permanecer 16 anos na oposição”, afirmou Nilo, reforçando a defesa de sua coerência política. As suas mudanças de partido, acrescentou ele, foram tomadas por essa mesma posição. Primeiro, saiu do PSDB para o PDT quando o primeiro, segundo ele, aderiu às forças carlistas. O mesmo motivo, disse, o levou a deixar o PDT e ingressar no PSL. Mas, acrescentou, ele não teria como permanecer no PSL depois que o deputado federal do Rio, Jair Bolsonaro, conhecido por suas posições polêmicas e conservadoras, ingressou no partido. “Bolsonaro tem uma visão do mundo e uma posição política que não coaduna com a nossa”, justificou.
Em seu discurso, Nilo lembrou de seus anos como presidente da Assembleia e citou dois pontos que, para ele, merecem especial destaque: o aumento do número de desembargadores da Bahia de 36 para 53 e aprovação da lei anti-nepotismo. Recordou que, durante esse tempo, foi governador interino por cinco vezes. Ao resgatar sua trajetória na política, disse ter tido muitas tristezas, mas um número muito maior de alegrias. “Percorri a Bahia inúmeras vezes e fiz muitos amigos na política”, afirmou ele, que defendeu a candidatura da senadora Lídice da Mata à reeleição. “Não posso imaginar uma chapa majoritária do campo progressista sem essa mulher que foi a primeira prefeita de Salvador e a primeira senadora da Bahia”.
Logo depois, a própria Lídice, que comemorou aniversário ontem e recebeu um buquê de flores de Nilo, destacou a força do ex-presidente da Assembleia e o respeito que os políticos de partidos diferentes têm pela sua trajetória. Prova disso, observou, foi a presença maciça de lideranças no ato de filiação de Marcelo. “Estão aqui dezenas de prefeitos, ex-prefeitos de vários partidos, o deputado federal José Carlos Araújo, que é do PR, o presidente da Assembleia, Angelo Coronel, que é do do PSD, o ex-presidente do PT, Jonas Paulo. Isso mostra a força e a coerência política do deputado Marcelo Nilo”, afirmou a senadora.
Com uma extensa agenda em Simões Filho, na manhã de ontem, o governador Rui Costa se desdobrou e conseguiu chegar no final da solenidade para prestigiar a filiação de Nilo. “Desejo toda a sorte do mundo nessa sua nova trajetória e tenho certeza de que ele vai fortalecer muito as candidatura do campo progressista, ajudando o PSB a eleger mais candidatos”. Rui aproveitou ainda para criticar o que chamou de “criminalização” da política e da “confusão” entre os poderes. “Hoje tem juiz, promotor público que fala como líder partidário e isso não é saudável para democracia”, afirmou.
O ex-governador Jaques Wagner, atual secretário de Desenvolvimento Econômico, afirmou que a “marca de Marcelo sempre foi a marca da coerência”. “Seus movimentos na política sempre giraram em torno de uma causa maior e não da conveniência”, afirmou Wagner. Ele afirmou que, quando era governador e Nilo presidente da Assembleia, sempre mantiveram uma diálogo “muito altivo e fraterno”. E aproveitou também para critícar o momento do que chamou da partidarização de instituições como o Ministério Público. “Na sociedade democrática, não há saída fora da política”, afirmou.
Diversas outras autoridades discursaram no ato de filiação, como a ex-presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), Maria Quitéria, que elogiou Nilo por “sempre defender a bandeira municipalista”.
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