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Assembleia concede Comenda 2 de Julho a Wilson José Vasconcelos Dias

Publicado em: 15/06/2018 00:00
Editoria: Diário Oficial

Proposto por Fabrício Falcão, sessão de entrega da honraria ao diretor-presidente da Car foi bastante concorrida
Foto: JulianaAndrade/Agência-ALBA
Natural de Governador Mangabeira, o diretor-presidente da Companhia de Ação Regional (CAR), Wilson José Vasconcelos Dias, recebeu ontem a Comenda 2 de Julho por projeto de resolução do deputado Fabrício Falcão (PC do B). No discurso de entrega da honraria, em sessão especial ontem pela manhã, o comunista ressaltou o trabalho desenvolvido por Dias, “um homem excepcional, que tudo o que fez, desde a faculdade, foi uma luta política em defesa do homem do campo”. Ressaltou que o homenageado tem uma vida “dedicada à militância política de esquerda, defendendo os trabalhadores rurais, a reforma agrária. Ele é incansável”, disse Falcão, adiantando que Wilson Dias “colocou toda sua vida, toda sua trajetória, não só como engenheiro, mas como ser humano, para cuidar do povo da Bahia, principalmente o mais pobre, mais necessitado”.
Wilson Dias agradeceu e reputou a homenagem “a um grupo de trabalho, a um coletivo, um grupo muito grande de pessoas que, assim como eu, defende o respeito à agricultura familiar e ao desenvolvimento rural da Bahia”. Assim, estendeu e compartilhou a homenagem “a todas pessoas que, junto comigo, têm compartilhado desta mesma ideia”, porque é através dela que “podemos crescer enquanto Estado e fazer com que a população tenha sempre dias melhores”. Este ativismo, segundo Fabrício Falcão, vem desde os tempos em que Dias era servidor da EBDA, sempre em busca de “melhorias para o trabalhador rural”.

POLÍTICAS

A Bahia, segundo informa o deputado, “é bastante rural, temos mais de 5 milhões de pessoas que vivem da agricultura e, para nós, é uma honra que Wilson Dias receba a maior comenda desta Casa”. O diretor-presidente da CAR analisa que seu trabalho e a política agrária do Estado está no caminho certo, e ‘tanto está que a Secretaria de Desenvolvimento Rural foi criada, uma grande luta dos movimentos sociais que sempre a reivindicaram ao Governo”. E a SDR “está tendo condições de articular, de agregar, de integrar todas as políticas que convergem para o desenvolvimento do nosso Estado”, garantiu.

À frente da CAR, Dias ressalta que olha, “principalmente o ser humano, aquele homem e mulher que está no meio rural e precisa, em primeiro lugar, de água, de moradia e condições de produzir”. Estas são as ênfases maiores da empresa que dirige, informou. Na base de produção, “apoiamos o fomento, as atividades produtivas, com as principais cadeias produtivas sendo estimuladas e, depois, com o processo de agroindustrialização, criando, construindo e implantando agroindústrias e a comercialização”.

Segundo o gestor público, no Brasil, 70% dos alimentos que chegam à mesa vem da agricultura familiar”. Na Bahia este percentual sobe e “chega a 80%. Aqui representamos 7% do PIB – Produto Interno Bruto do Estado”. E esta atividade está em vetor “crescente, porque as políticas do Estado têm fomentado, sobretudo, a geração de renda. As atividades que temos apoiado vão ao encontro da dinamização da produção. Na medida em que melhoramos produção e produtividade, automaticamente melhoramos a renda e isso impacta na economia dos municípios”, analisou.

Segundo Wilson Dias, atualmente há 700 mil famílias assistidas pelas políticas públicas na Bahia, cada uma delas atendendo um público diferente desse percentual. O programa Garantia Safra, por exemplo, atinge 300 mil famílias, adianta o diretor-presidente da CAR. As ações de assistência técnica chegam a outras 170 mil famílias e há, ainda, “obras e ações estruturantes, como o programa de água, que a coloca nas propriedades, seja a primeira água, para abastecimento humano e uso doméstico, seja a segunda água, que é para a produção. Nesta aí já estamos atendendo a 600 mil famílias”, informou. No total, “nenhuma das famílias ficou sem assistência do Estado”, garante Wilson Dias.

CARÊNCIAS

Embora elogiando a concessão da Comenda e o consequente reconhecimento ao trabalho do dirigente estatal, Naidson Batista, coordenador da ASA – Articulação do Semiárido Brasileiro e do MOC – Movimento das Organizações Comunitárias, disse que muito ainda há que ser feito e “décadas” serão necessárias para que a situação chegue ao ponto ideal. “O deficit do Estado com o semiárido é imenso e vai demorar um pouco até ele ser zerado, porque ele vem de muitos anos”. São deficiências, aponta, de “recursos, de tecnologia, de agricultores assistidos, um conjunto de fatores que deixa muito a desejar”. Ressalta, entretanto, que na gestão de Wilson Dias “diminuiu bastante este deficit, mas precisamos ainda caminhar algumas décadas para entregar aos agricultores do semiárido o que eles efetivamente merecem”.

Ele avalia que “precisamos dar conta da assistência a todo o semiárido. Os programas da CAR assistem, beneficiam e chegam perto de uma área do semiárido, mas não a 100%. Isso é um problema, mas não podemos resolver tudo de uma vez, então vamos gradativamente”, pondera. Para Naidson Batista, é necessário resolver alguns pontos, o principal deles com referência à terra, seja “no acesso e reconhecimento das comunidades tradicionais, seja na questão da reforma agrária”, com a concessão de áreas no “tamanho adequado. Não se vive em uma área de 10 hectares”, disse. Outros aspectos a serem observados e resolvidos, na sua análise, são a “assistência técnica de convivência com o semiárido, incluindo capacitação agrícola e manejo do solo; crédito adequado aos pequenos agricultores” e, por fim, as questões de “beneficiamento e venda” da produção.

HISTÓRIA

Wilson Dias é engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) e discente do mestrado em Planejamento Territorial pela Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). Trabalhou na Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), antiga Ematerba, na Associação dos Pequenos Agricultores do Estado da Bahia (Apaeb) e no Movimento de Organização Comunitária (MOC). Foi superintendente de Agricultura Familiar da Secretaria de Agricultura da Bahia, secretário-executivo do Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável da Bahia e diretor da Secretaria de Desenvolvimento Territorial (SDT), do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

Foi assessor especial do ministro e diretor da Secretaria de Desenvolvimento Territorial (SDT) do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA); Consultor do Instituto Internacional de Cooperação Agrícola (IICA) e superintendente de Agricultura Familiar da Secretaria de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária do Estado da Bahia. Em 2015, assumiu a presidência da Companhia de Ação Regional (CAR), empresa vinculada à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural (SDR). Ao longo da atuação profissional, ajudou na implantação de instituições da Agricultura Familiar como a Ascoob (Associação das Cooperativas de Apoio a Economia Familiar), a Unicafes (União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária), além de diversos Conselhos Municipais e Territoriais, Cooperativas de Produção e de Crédito, Centrais de Associações, Agências de Desenvolvimento e Redes de Entidades voltadas para o desenvolvimento rural como a Reparte (Rede Parceiros da Terra), a Arco Sertão (Agência Regional de Comercialização), o Cogefur (Conselho Gestor do Fundo Rotativo), a CET (Coordenação Estadual de Territórios) e o Fórum Baiano da Agricultura Familiar.



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