O falecimento do ex-governador Waldir Pires, na última sexta-feira, continuou repercutindo na Assembleia Legislativa. A deputada Fabíola Mansur (PSB) e o deputado Carlos Geilson (PSDB) apresentaram ontem moções de pesar. “Perdemos um dos mais dignos e influentes políticos baianos, exemplo de honradez, ética, caráter e retidão”, afirmou a socialista, acrescentando que Waldir foi “um político firme, que defendeu seus princípios e ideias sem jamais perder a delicadeza”.
Geilson também lembrou o exemplo dado por ele, considerando o ocorrido como “uma data de grande perda para as políticas baiana e brasileira”. Ele pediu para que se inserisse nos anais da Assembleia Legislativa o lamento profundo da morte do ex-governador da Bahia, “um democrata na sua essência, um político diferenciado”. Para ele, Waldir deixa como legado “o seu exemplo, a sua conduta de homem público e a sua luta pela redemocratização do país”.
A moção do tucano historia toda a trajetória do político nascido em Acajutiba, em 21 de outubro de 1926. Ainda estudante da Faculdade de Direito, liderou a União Nacional dos Estudantes da Bahia no Movimento Antinazista, dando os primeiros passos na vida pública. Ele foi o orador da turma de formandos que marcou a inauguração do Fórum Ruy Barbosa. Desempenhou sua primeira função pública ao assumir a Secretaria de Governo do governador Régis Pacheco.
“Em sua longa trajetória política, também militou em campanhas memoráveis, a exemplo de ‘O Petróleo é Nosso’, em defesa da exploração por empresas nacionais e pela nossa soberania”, lembrou Fabíola, que também dedicou grande parte de sua moção a contar momentos da longeva vida pública de Waldir. “Necessário registrar que Waldir Pires foi o último a deixar o Planalto, ao lado de Darcy Ribeiro”, quando um golpe militar pôs fim ao mandato do presidente João Goulart.
“O restante desta triste página da nossa história todos sabemos, foram 21 anos de trevas, tortura, prisões, perda dos direitos civis, exílio para muitos brasileiros e retrocesso.” A deputada destacou que Waldir era o último sobrevivente entre os dez primeiros cassados pela ditadura. A lista incluía Luiz Carlos Prestes, João Goulart, Jânio Quadros, Miguel Arraes, Darcy Ribeiro, Raul Ryff, Waldir Pires, General Luiz Gonzaga Oliveira Leite, General Sampson Sampaio e Leonel Brizola.
REDES SOCIAIS