O Balé Folclórico da Bahia (BFB), única companhia de dança folclórica profissional do país, recebeu ontem, no auditório Jorge Calmon, uma homenagem da Assembleia Legislativa pelos seus 30 anos de história reconhecida internacionalmente, além do trabalho social realizado. Presidida pelo deputado Bira Corôa (PT), a sessão especial contou com a presença de Walson (Vavá) Botelho, fundador, diretor geral e coreógrafo; de José Carlos Santos (Zebrinha), diretor artístico; e da presidente da Fundação Balé Folclórico da Bahia, Lúcia Mascarenhas.
“Uma identidade marcada e destacada no mundo não se dá por acaso ou por gratidão, se dá por reconhecimento. É pela qualidade do trabalho que o BFB tem destaque internacional. Me sinto muito honrado de homenagear essa grande companhia nos seus 30 anos de existência”, declarou Bira, na abertura da solenidade. O BFB “faz valer o direito de, com a dança, poder mostrar para a Bahia, para o Brasil e para o mundo que nós existimos. Existimos como negros, como cultura e comunidade”, completou.
Emocionado, Vavá Botelho falou da honra de receber a homenagem da ALBA, agradeceu a Bira Corôa pela iniciativa de homenagear o BFB e contou um pouco da história do balé, antes mesmo de seu surgimento, em 1988. “Bira, você foi um dos poucos políticos que lembrou da gente em todo esse tempo”, destacou.
“O Balé Folclórico leva a Bahia para o mundo em seu próprio nome”, explicou Vavá, que ressaltou as inúmeras turnês no exterior, com críticas especializadas positivas estampadas em grandes Balé Folclórico é homenageado por seus 30 anos de história jornais do mundo, a exemplo do New York Times. Somente nos Estados Unidos, foram 12 turnês, com passagem por 270 cidades. “O BFB é meu corpo político”, declarou Zebrinha, que, entre agradecimentos a todos os que participam ou participaram da companhia, frisou o trabalho social do grupo. “O que nós fazemos é muito sui generis”. A partir do momento que a pessoa entra por nossa porta, ela não é mais carente de nada”, disse sob aplausos.
Outro importante detalhe na história do BFB foi lembrado pela coreógrafa e conselheira da companhia Lia Robatto, ao ressaltar o fato de o balé não ter em seu estado o mesmo reconhecimento que lhe é dado no mundo. “A ressonância que suas apresentações provocam no público de qualquer país confirma o inegável prestígio alcançado e a consequente conquista de um mercado internacional, tornando o Balé (Folclórico da Bahia) o representante legítimo de nossa terra, com muito orgulho”, afirmou.
Em seu discurso, a secretária de Cultura, Irany Santana, argumentou que “as pessoas precisam de referências, e é esse o lugar que o Balé Folclórico da Bahia ocupa, como um farol, um marco referencial”.
Irany destacou ainda o trabalho social do BFB: “Muitos meninos e meninas que estiveram em situação de vulnerabilidade e tiveram oportunidade no balé, hoje estão como estrelas em corpos estáveis pelo mundo afora. A companhia fez questão de promover o ser humano”. Irany também saudou o deputado Bira Corôa, pela iniciativa.“Precisamos de muitos parceiros para a cultura na Bahia, e projetos como BFB precisam ser entendidos como iniciativas de interesse público, passíveis de apoio e investimento. São mais de 400 bailarinos, músicos, cantores e técnicos que avançam por estes caminhos”.
Como não poderia deixar de ser, a sessão contou com algumas surpresas artísticas musicais.
Antes dos discursos serem iniciados, o percussionista Fábio Alexandre trouxe um misterioso toque ao berimbau e, num artifício, conseguiu retirar a melodia do Hino ao Senhor do Bonfim do instrumento tido como monotônico.
Ao final do evento, integrantes do BFB saíram da plateia para a frente do palco entoando uma canção em língua africana e emocionando os presentes.
A mesa também contou com a presença do Coronel/PM Valter Menezes, representando o comandante geral da PM, a agente consular norte-americana em Salvador, Heather McLane Marques, do defensor Hudson Saraiva Ximenes, e da mãe de Vavá Botelho, dona Nilce.
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