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Assembleia realiza sessão especial para homenagear Tonho Matéria

Publicado em: 30/08/2018 19:58
Editoria: Notícia

O artista, mestre de capoeira, compositor, publicitário e produtor cultural Antônio Carlos Gomes Conceição, Tonho Matéria, recebeu a mais alta honraria da Assembleia Legislativa do Estado da Bahia (ALBA), em sessão especial realizada na tarde de ontem no Auditório Jornalista Jorge Calmon. A Comenda 2 de Julho foi proposta no Legislativo baiano pelo deputado Bira Corôa Lula (PT), que presidiu os trabalhos.

Artista que sempre colocou a capoeira nos shows musicais, o mestre é conhecido também pelo trabalho social desenvolvido por meio da capoeira em Salvador. Fundou a Associação Cultural de Capoeira Mangangá, em que desenvolve trabalho social no bairro onde nasceu, Pau Miúdo, com mais de 400 crianças, adolescentes e adultos. 





Em uma sessão disputada, de momentos emocionantes e histórias de superação, estiveram presentes personalidades convidadas como Arany Santana, secretária estadual de Cultura; Fabya Reis, secretária estadual de Promoção da Igualidade; o vereador Sílvio Humberto (PSB); o mestre de capoeira Marcos Alabama; Nadinho do Congo, presidente da Federação Nacional dos Afoxés; o cantor Tatau; o diretor do Ilê Aiyê Roberto Rodrigues; o ex-secretário de Reparação de Salvador, Ailton Ferreira; a ex-secretária do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia, Olívia Santana; e a esposa do homenageado, Joelma Vieira.

Ao falar para a plateia, Tonho Matéria fez questão de agradecer a diversas figuras que o ajudaram na sua trajetória de vida e de trabalho social com a capoeira. “Quero agradecer de coração a esta homenagem. Dizer que isso me fortalece mais para que eu possa dar continuidade a este trabalho”, disse o artista.

O produtor cultural também explicou como teve a ideia de montar o projeto social. “A Mangangá nasce do desejo de dar continuidade à minha comunidade. O que eu queria, já que a minha comunidade me transformou em um ser humano legal, bacana, era devolver isso. Foi quando nasceu, em 2001, a associação sociocultural e de capoeira bloco carnavalesco afro Mangangá”. 

Proponente da comenda ao artista, o deputado Bira Corôa enalteceu o papel desenvolvido pelo mestre de capoeira na reafirmação da identidade negra na Bahia, no Brasil e no mundo. “Na sua trajetória de vida, nunca abriu mão da sua origem, das suas concepções e nunca se curvou diante das batalhas que tem enfrentado e das que ainda estão por vir para reafirmar a nossa identidade negra”, descreveu o parlamentar. 

Representando o governador Rui Costa, a secretária Arany Santana relembrou a trajetória do homenageado. “Desde cedo, Tonho Matéria ajudava a mãe no tabuleiro, conheceu a capoeira ainda menino, quando despertou para o universo musical, seduzido pelo toque dos afoxés, o ritmo do candomblé, foi traçando um longo caminho, que o transformou no Tonho Matéria que nós conhecemos”, assinalou.

A esposa de Tonho Matéria, Joelma Vieira, diz ter conhecido a força da capoeira por meio do companheiro. E como exemplo do poder fraterno que a atividade proporciona, Joelma narrou uma dificuldade enfrentada pelo artista há pouco tempo. “Há dois anos, Tonho ficou praticamente cego, poucos sabem disso. Quem esteve próximo da gente viu o sufoco que ele passou. Quando a gente comunicou aquilo a alguns mestres, eles nos abraçaram. Principalmente a Mangangá. Ele enfrentou isso durante um ano e alguns meses. Hoje, está recuperado. Agradeço isso a Deus, aos orixás e à capoeira. Ele chegou em casa um dia com uma camisa em que estava escrito: a capoeira cura, a capoeira liberta. E a capoeira tem essa função na vida da gente, que acredita e confia nela”, desabafou Joelma.


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