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Alexandre Carvalho Baroni é o mais novo Cidadão Baiano

Publicado em: 20/09/2018 20:15
Editoria: Notícia

Nascido em Ourinhos, no interior do Estado de São Paulo, Alexandre Carvalho Baroni se tornou o mais novo cidadão baiano ontem. A sessão de entrega da homenagem na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) foi presidida pela deputada Fabíola Mansur (PSB), proponente da honraria.
Com uma história de superação, Baroni chegou à Bahia em 2008 em meio a viagens pelo Brasil como presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade) e do Centro de Vida Independente (CVI). A luta pelos direitos das pessoas com deficiência começou depois que o recém-formado em engenharia química foi vítima de um acidente automobilístico em abril de 1992. O episódio se tornou um divisor de águas na vida de Baroni e da sua família. Ele sofreu lesão medular traumática ocasionada pelo acidente e desencadeou um quadro de tetraplegia.

Foi em uma conferência na Bahia que Alexandre Baroni chamou a atenção da então secretária de Justiça do Estado, Marília Muricy. Na ocasião, o então superintendente de Direitos Humanos, Frederico Fernandes, convidou Baroni para assumir a coordenação dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
 
Fabíola Mansur relembra o impacto da chegada do ativista dos direitos das pessoas com deficiência ao quadro de servidores do Estado na época: “Sua chegada expôs a absoluta falta de acessibilidade dos prédios públicos do Centro Administrativo da Bahia (CAB), a começar pela própria Secretaria de Justiça, que teve de realizar uma série de transformações para receber um coordenador cadeirante”.

O trabalho desenvolvido por Baroni fez com que o engenheiro químico por formação fosse alçado ao posto de superintendente dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Sudef) na extinta Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH), atual Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS).

“Baroni, eu quero dizer que você é uma inspiração para várias pessoas que, em tese, não têm deficiência, mas muitos de vocês são muito mais cidadãos plenos, do ponto de vista da promoção de direitos, do que nós que estamos aqui tentando, junto com vocês, mudar a situação que hoje existe em nosso Brasil, uma situação de não cidadania, não direitos. Conquistamos muito, mas temos muito o que avançar”, discursou Fabíola Mansur.

Representando o governador Rui Costa, César Lisboa, titular da SJDHDS, falou do aprendizado que teve com a convivência ao lado de Baroni. “Quando eu falo de Baroni, não estou falando de uma pessoa. Estou falando de uma ideia. Uma ideia que incorpora tanto ele quanto o movimento da pessoa com deficiência e todos aqueles que participam dessa luta. Eu queria falar de quatro coisas que aprendi com Baroni nestes tempos. A primeira é que aprendi, do ponto de vista filosófico, a diferença profunda do termo pessoa com deficiência daquilo que chega a se considerar alguém como deficiente. Uma diferença entre um estado e uma substância”, relatou Lisboa.

Ainda de acordo com o secretário, a segunda lição é derivada da primeira: “Aprendi que nós, como seres humanos, para sermos plenos, temos que constatar que todos, sem exceção, somos pessoas com deficiência. Porque jamais atingiremos a completude humana e estamos sempre nos fazendo e refazendo em nossas limitações. Uma terceira coisa que aprendi com Baroni foi pensar sempre o conceito de acessibilidade como conceito muito mais amplo, que chamo de antropológico e que não se restringe aos termos mais arquitetônicos pelos quais o senso comum entende o tema. Por fim, aprendi o lado de solidariedade, companheirismo e sobretudo de paciência”, elencou o secretário.

Baroni, o homenageado com o Título de Cidadão Baiano, fez questão de registrar a importância da honraria para sua trajetória e agradeceu à deputada Fabíola Mansur pelo reconhecimento. Relembrou também as dificuldades enfrentadas ao chegar em Salvador, como o desafio de se locomover pela cidade. Dentre os desafios que diz ter em sua luta pelos direitos das pessoas com deficiência, Baroni citou a busca por uma fábrica de tecnologia assistiva na Bahia: “Algumas pessoas já me ouviram falar que eu não saio da Bahia enquanto não tiver aqui pelo menos uma fábrica de cadeira de rodas. Não é possível a gente ter um Estado deste tamanho sem nenhuma fábrica de moletas, de cadeira de rodas ou de qualquer equipamento assistivo”.

A cerimônia realizada no Auditório Jornalista Jorge Calmon contou com a presença, além do secretário César Lisboa, do homenageado e da deputada Fabíola Mansur, de pessoas como Valdenor Oliveira, presidente estadual do Conselho do Direito da Pessoa com Deficiência; do assessor da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) e ex-chefe de Baroni, Frederico Fernandes; Rosaly Carvalho Baroni e Décio Fernandes Baroni, mãe e pai do novo cidadão baiano, respectivamente; a vereadora Meirinha, do município de Irecê, única legisladora no país com nanismo; a presidente do Conselho Municipal do Direito da Pessoa com Deficiência, Lívia Borges; o membro da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Bahia (OAB-BA), Sérgio Murilo de Brito Souza; a assessora especial da Agenda Bahia do Trabalho Decente da Setre, Odinete Damasceno; a representante do Conade, Anaíldes Campos Sena; a presidente da Associação Baiana dos Deficientes Físicos, Luiza Câmera; e Zenira Rebouças, representante da Sudef.


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