A importância do esporte nas escolas foi debatida na manhã desta quarta-feira (20), durante audiência pública realizada pela Comissão Especial de Desporto, Paradesporto e Lazer, da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). O colegiado teve acesso ao planejamento do Governo do Estado para a Educação, e abriu espaço para ouvir os anseios de professores, gestores escolares, representantes de federações esportivas, ex-atletas, entre outros integrantes da sociedade civil.
De acordo com o deputado Bobô (PC do B), presidente do colegiado, com a realização do encontro foi possível entender as dificuldades em relação à carga horária dos professores de Educação Física, e do desporto no ambiente escolar. Durante a audiência pública, foram enfatizados a falta de uma política esportiva consolidada, a necessidade de um maior investimento em modalidades como baleado, basquete e as artes marciais. Os debatedores também reconheceram a importância do fortalecimento dos jogos escolares da Bahia.
“Queremos o esporte nas escolas, mas precisamos dar condições a esses professores de tratar do esporte, também para usar bem os equipamentos que serão construídos e os que já foram construídos, a exemplo das quadras poliesportivas. Vivemos em uma sociedade de grandes conflitos de valores, e o esporte, principalmente nas escolas, pode auxiliar muito na formação integral do adolescente, desenvolvendo as noções de companheirismo, solidariedade e interação social. A prática esportiva é ferramenta de transformação social”, afirmou.
Representando a Secretaria de Educação do Estado da Bahia (SEC), o coordenador executivo de Projetos Estratégicos da SEC, Marcius Gomes, destacou os avanços promovidos pela administração pública no setor nos últimos anos. “O encontro é importante para se pensar em uma política de esporte e lazer completa. Ela ainda está aberta. Atualmente, as escolas públicas, somadas as municipais e estaduais, contam com cerca de 12,7 mil estudantes participando de jogos escolares. Houve também o aumento de modalidades. O nosso objetivo é que o esporte funcione como uma ferramenta de aproximação do jovem com o ambiente escolar que impacte no enfrentamento à violência”, destacou.
BASES COMUNITÁRIAS
A Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb) foi representada pelo assessor-chefe, Álvaro Gonçalves, que afirmou ser a ocasião o momento ideal para discutir o tema. Segundo Gonçalves, a Sudesb já foi demandada pelo governador Rui Costa para reeditar os jogos escolares, com sugestão de se chamar Olimpíadas Estudantis da Bahia. “É uma forma de reforçar o esporte nas escolas, não apenas para seguir carreira, mas pela atividade física em si. O esporte é fundamental para a permanência do jovem na escola”, afirmou.
O deputado Capitão Alden (PSL) chamou a atenção para as atividades esportivas e culturais realizadas pelas Bases Comunitárias de Segurança Pública. O parlamentar, no entanto, criticou a pouco participação de outros órgãos nas tarefas que, segundo ele, ficam concentradas na Polícia Militar. “Quando os projetos são lançados, vários órgãos de interesses se aproximam com a proposta de ajudar, mas depois de algum tempo todos se afastam, e as atividades recaem nos policiais militares que abraçaram os projetos. Nas bases, são desenvolvidas atividades esportivas, como judô, karatê, entre muitos outras. Essas atividades precisam ser realizadas no ambiente escolar também. Os efeitos são positivos”, destacou.
Um olhar mais específico voltado para o público feminino nas escolas foi defendido pelo deputado Tiago Correia. O tucano afirmou que o esporte cria um ambiente de convivência e as estudantes precisam ser estimuladas a participar. “os meninos já se sentem convidados a participar das atividades esportivas, mas as meninas nem tanto. Elas podem sim jogar futebol, baleado, entre outros esportes na Educação Física, mas precisam ser estimuladas”, pontuou.
O professor de educação física, Everton Mascarenhas, que representou o Colégio João Caribé, de Salvador, disse que a instituição de ensino oferece aulas da matéria, as os horários são problemáticos. “Às vezes, as atividades acontecem às 10h, 13h ou 14h, em quadras descobertas. Assim fica difícil realizar um bom trabalho. Além do mais, é um sol forte para os alunos”, contou.
O deputado Zó (PC do B) ressaltou a prática esportiva nas escolas como vetor de revelação de grandes talentos. O parlamentar foi enfático ao dizer que muitas escolas possuem quadras esportivas, no entanto, o que falta é o devido incentivo à prática de esportes. “Esse debate sobre esporte nas escolas é muito importante. A grande maioria das pessoas que viveram do esporte iniciaram na escola. Temos exemplo de Daniel Alves a Petros, todos passaram pelos jogos escolares. Durante os governos Lula, Dilma, Wagner e Rui, nós tivemos um incremento muito grande de quadras em escolas, mas é preciso fortalecer os nossos jogos escolares. Eles movimentam as cidades e tornam mais atrativo o ambiente escolar. Temos estrutura, mas a prática esportiva caiu”.
Participaram da audiência pública os deputados Zó (PC do B), Rogério Andrade Filho (PSD), Capitão Alden (PSL), Tiago Correia (PSDB), Fátima Nunes (PT) e Júnior Muniz (PP).
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