O presidente da Assembleia, deputado Nelson Leal (PP), reverenciou a memória do ex-deputado e jurista José Cândido de Carvalho Filho, decretando luto oficial de três dias. José Cândido faleceu na última quinta-feira, dia 25 de abril, aos 95 anos de idade e deixou viúva e três filhos. Jurista, ele foi ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e exerceu dois mandatos na ALBA, pela União Democrática Nacional (UDN), entre 1959 e 1967.
O deputado Nelson Leal externou sua admiração ao político e jurista, bem como manifestou a sua solidariedade à família enlutada e adiantou que pretende apresentar à Secretaria Geral do Legislativo uma moção de pesar para que fique registrado nos anais da Casa o vulto da perda que o mundo político e jurídico da Bahia e do Brasil sofre com o falecimento desse homem público ínclito: “Rogo a Deus que nesse momento de dor e separação, conforte a viúva, dona Maria da Conceição de Carvalho, seus três filhos e os muitos amigos que o doutor José Cândido conquistou em sua longa, produtiva e proba vida”.
CARREIRA
Para o presidente da ALBA, o ex-deputado e ex-ministro do STJ é uma referência a ser observada pelos baianos e brasileiros, nessa época tão conturbada da vida nacional, pois “o doutor José Cândido além de ser um pai de família exemplar, marido dedicado, parlamentar consciencioso e cumpridor dos seus deveres para com a Bahia e os baianos, construiu uma vida profissional de elevadíssimo padrão no campo jurídico – em especial no Judiciário Federal a partir de 1967, até a sua aposentadoria no elevado cargo de ministro do Superior Tribunal de Justiça, em 1994, quando se aposentou ao chegar aos 70 anos de idade”.
Cearense, nascido no município de Boa Viagem, José Cândido também foi professor catedrático, jornalista e escreveu livros jurídicos, construindo sua carreira política e jurídica inicialmente na Bahia, onde se formou em História, em 1948, e posteriormente em Direito, em 1950, pela Universidade Federal da Bahia, Ufba. Em 1965, ainda enquanto deputado, obteve o título de doutor em Direito Penal. Logo em seguida, em 1967, tornou-se juiz federal na Bahia, chegando a assumir a titularidade.
Em 1969, assumiu como ministro suplente do Tribunal Federal de Recursos (TRF) e tomou posse no cargo de juiz efetivo do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE). A partir de 1980, atuou como ministro efetivo do TFR, onde exerceu a Presidência da 2ª Seção. Foi corregedor-geral da Justiça Federal entre 1987 e 1989 e também presidiu a comissão responsável pelas obras dos cinco tribunais regionais federais criados pela Constituição de 1988. Depois de tomar posse no STJ, onde presidiu a 6ª Turma e a 3ª Seção, foi ministro substituto e efetivo do Tribunal Superior Eleitoral e corregedor-geral da Justiça Eleitoral.
Antes de ingressar na magistratura, ensinou também Francês, foi redator do jornal “O Imparcial”, colaborador do “Diário da Tarde”, em Ilhéus, e proprietário do jornal “Últimas Notícias”, editado também em Ilhéus Ele foi sócio da Associação Baiana de Imprensa, do Instituto Geográfico e Histórico. A cremação do jurista e ex-deputado estadual ocorreu na última sexta-feira, em Valparaíso de Góias. Entre seus últimos desejos, revelou um de seus filhos, era que suas cinzas fossem depositadas em sua terra natal, Boa Viagem, no Ceará, e Ilhéus.
Além da viúva, dona Maria da Conceição, ele deixou os filhos Cesar, Célia Márcia e José Cândido de Carvalho Júnior. Com o ato de luto oficial decretado pelo presidente Nelson Leal, a bandeira da Bahia ficará hasteada a meio mastro no Legislativo em sinal de luto do Poder a que ele serviu “com galhardia, competência e austeridade”, frisou.
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