Os 130 anos de celebração do Bembé do Mercado foram comemorados pelo deputado Niltinho (PP) em moção de congratulações apresentado na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). Trata-se de uma manifestação cultural e religiosa que acontece desde o ano de 1889 com a participação de vários terreiros de candomblé da região de Santo Amaro da Purificação. A festa tem seu ápice com a entrega do presente à Mãe D’Água.
Segundo o parlamentar, o Bembé do Mercado teve início quando um grupo de negros reuniu-se em praça pública do município para comemorar a Abolição da Escravatura, evento da assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel que libertou os escravos da exploração do seu trabalho no dia 13 de maio de 1888.
“Esta celebração tem grande significado para a afirmação da cidadania negra no Brasil. A tradição do Bembé é tão forte e tradicional no município que, durante todos esses anos, a festa não ocorreu em apenas dois anos, pois as manifestações do candomblé sempre foram muito perseguidas em todo o estado da Bahia. Nestes anos, em que não foi realizado o Bembé, ocorreram catástrofes na cidade, como uma grande enchente que castigou o município. Por isso, após esses anos, ninguém mais ousou impedir que os negros exercessem sua liberdade de acordo com suas tradições e sua cultura”, explicou Niltinho.
Para o legislador, a cada ano que passa, o Bembé fica mais animado. Além do candomblé do Treze de Maio, apresentam-se no mercado de Santo Amaro as mais variadas manifestações tradicionais como o maculelê, a capoeira, o samba-de-roda, o Coça-coça, o Nego Fugido, na forma de um verdadeiro festival de cultura negra e popular.
“Por tudo isso, o Bembé do Mercado de Santo Amaro tem grande significado para a afirmação da cidadania negra no Brasil, emergindo a história da luta popular contra a escravidão a força da cultura afrobrasileira como propulsora da resistência do povo negro no Brasil”, declarou Niltinho, lembrando que em 14 de setembro de 2012, através do Decreto Estadual nº 14.129, a manifestação foi inscrita no Livro de Registro Especial de Eventos e Celebrações como Patrimônio Imaterial da Bahia.
“Um dos motivos que me levam a apresentar essa moção de congratulações é o reconhecimento do esforço empenhado pelo povo negro que, em mais de um século, vem afirmando de forma a consolidar a cada ano as suas tradições culturais e religiosas”, concluiu Niltinho.
REDES SOCIAIS