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Marcelo Gato expõe novamente na ALBA

Publicado em: 29/05/2019 19:57
Editoria: Notícia

"Transição" é o nome da exposição do artista plástico baiano, Marcelo Gato, 56, em cartaz, desde segunda-feira (27), no saguão Josaphat Marinho, na Assembleia Legislativa. Convidado pela terceira vez para expor no espaço, nesta edição ele traz como temática a religiosidade baiana, com peças ligadas ao catolicismo e ao candomblé, além de mandalas e obras abstratas.

Dono de um estilo inconfundível,  Gato explica que o trabalho exposto na ALBA é oriundo das decorações que fazia para o carnaval de Salvador nos anos 80, quando recortava e iluminava interiores de grandes peças de compensado. Além do carnaval ele fez projetos de decoração e iluminação de Natal e  de micaretas em várias cidades do estado e do nordeste.

“Quando o marketing engoliu aquele espaço de rua que a gente decorava, eu fiquei com isso contido muito tempo, porque era uma experiência boa, até o dia em que resolvi transpor essa experiência para ambientes internos ”, conta. Começou criando peças tribais, no sul da Bahia, voltadas à turma do surf e, ao retornar para a capital, levou a mesma técnica para a religiosidade.

 MATERIAL 
 

Para construir suas peças, Marcelo Gato utiliza, como matéria prima, MDF de fundo de 15 mm, e aplica uma textura, desenvolvida por ele, que dá à obra uma conotação metálica. A ideia, segundo o artista,  é chegar a um resultado diferenciado. "Agora, as pessoas que moram próximo à orla e não podem ter obras com peças metálicas, por conta do ferrugem, podem tê-las, porque, na parede, ninguém diz que são de madeira. Parecem peças recortadas no metal".

Gato também usa em suas criações, pedaços de umburana-de-cheiro, retirados na poda das árvores no interior, e objetos descartados nas ruas, como lastros de cama, cabos de vassoura e madeira de demolição.

FORMAÇÃO

Nascido em Salvador, o artista teve influências da família, cujos integrantes transitam entre a música, o cinema e as artes plásticas. "No princípio, eu tinha outras ideias, mas, quando a coisa está no sangue e na alma, não tem jeito", relatou o artista que, aos 17 anos, entrou na Escola de Belas Artes, da Ufba. Finalizado o curso, em 1986, foi aprovado no concurso estadual para educador, atividade que combina com o trabalho artístico.

JORGE  AMADO

Um dos acontecimentos fortes que o artista guarda da sua trajetória nas artes plásticas, foi quando decorou a cidade para o carnaval de 1986, em homenagem a Jorge Amado. Na praça, ao acender as luzes da decoração, o escritor baiano se sensibilizou profundamente. "Ele me abraçou, afirmando nunca haver se emocionado tanto com uma homenagem. Ao jornal A Tarde,   Jorge escreveu uma carta, dizendo ter recebido inúmeras homenagens, no Brasil e no estrangeiro, contudo, nada o emocionou mais que ver seus personagens trazidos de volta às as ruas de Salvador, de onde eles saíram," conta.


Sobre a oportunidade de expor na ALBA, Marcelo salientou a importância da disponibilidade do espaço para os artistas baianos, "já que Salvador tem um deficit muito grande, com relação a lugares que tragam o artista com sua arte e que o tratem como essa Casa trata, dando todo o apoio”, agradeceu.

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