As transformações no mundo do trabalho foram debatidas em seminário, realizado na manhã desta quinta-feira (6), na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). Promovido pela Secretaria estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), com o apoio do deputado Fabrício Falcão (PC do B), o encontro refletiu sobre as tendências, oportunidades e desafios relacionados ao futuro do trabalho no Brasil e na Bahia, à luz do processo de reestruturação econômica global, e contou com a presença de líderes políticos e sindicais, além de representantes de entidades da sociedade civil. O evento foi conduzido pelo secretário do Trabalho, Davidson Magalhães.
Esse público conferiu quatro palestras, que ocorreram durante toda a manhã. Os palestrantes foram o presidente da Fundação Perseu Abramo, Marcio Pochmann; o diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz; o presidente da Fundação Maurício Grabois, Renato Rebelo; e o secretário de Relações Internacionais da Central de Trabalhadoras e Trabalhadores do Brasil (CTB), Nivaldo Santana. Depois, o espaço foi aberto para perguntas do público e para pronunciamento dos parlamentares.
O economista Marcio Pochmann, para quem a sociedade hoje é muito o diferente daquela do final do Século XX, que era organizada em torno da indústria, com forte presença de uma classe trabalhadora industrial, uma classe média assalariada. “Essa sociedade que estamos buscando assentar é baseada em serviço”. Para ele, esse modelo altera a forma como instituições que organizam a sociedade em torno de objetivos comuns atuam. “Tem uma espécie de polarização entre os muito ricos e uma massa na base da pirâmide salarial submetida a ocupações muito precárias, cujas condições de trabalho não são as melhores”.
Para Pochmann, essa nova sociedade demanda novas formas de organização e sustentação e questionou as instituições herdeiras da organização social, como sindicatos, partidos, associações. “Há um vazio que percebemos pela presença de outras instituições, como o crime organizado e igrejas”, defendeu o economista. E acrescentou que existem forças que atuam para a manutenção de privilégios de setores da sociedade, enquanto outras buscam costurar um pacto social mais igualitário. Estas últimas vêm sofrendo ataques recentes, como explica, tomando o Brasil como exemplo.
Já o presidente da Fundação Maurício Grabois, Renato Rebelo, citou uma pesquisa na Espanha mostrando que, de cada cinco jovens trabalhando, quatro estão em empregos considerados inseguros e apenas um em emprego seguro. “Já conhecíamos o trabalho autônomo, o trabalho por conta própria, o emprego doméstico e agora nós temos aqueles que estão desprotegidos pelo trabalho intermitente, jornada parcial, trabalho autônomo sem sindicato, sem CLT, sem qualquer tipo de proteção”, afirmou ele.
Renato Rebelo acrescentou que esses jovens em empregos inseguros estão presentes nas redes sociais felizes, mas na verdade eles declaram que não sabem como estabelecer uma relação com outras pessoas, vivendo predominantemente a base de antidepressivos. “Vivemos numa sociedade que permite conexão em tempo real sem nenhum cabeamento. Mas, apesar dessa tecnologia que permite conexão em tempo real faz com que todas as pessoas estejam conectadas esses jovens conectados se dizem profundamente solitários e deprimidos”, afirmou ele.
O diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos, Clemente Ganz, falou sobre os efeitos da tecnologia no mundo do trabalho. Segundo ele, enquanto o custo médio de um atendente para a empresa sai em torno de R$ 6 mil a R$ 7 mil, o atende virtual custa R$ 250. “Além disso, ele não fica doente, não tem sindicato, não falta ao trabalho quando seu time é campeão”, brincou. “Estudos estão mostrando que essas máquinas de inteligência virtual estão aprendendo a atender de forma mais equilibrada, desprovidas de preconceito. Em breve, a maioria dos atendidos provavelmente vai dizer que essas máquinas são melhores atendentes”, afirmou ele, lembrando que esse é mais um fator para a redução e precarização do mundo do trabalho.
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