“Perdemos Ruth de Souza, grande dama dos palcos, do cinema e da televisão”, lamentou a deputada Fabíola Mansur (PSB), em moção de pesar, apresentada na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), pela morte da atriz Ruth Pinto de Souza, aos 98 anos, ocorrida no dia 28 de julho, no Rio de Janeiro.
A parlamentar contou, no documento, que Ruth Pinto de Souza nasceu no Rio de Janeiro, em 12 de maio de 1921, no Engenho de Dentro, subúrbio carioca, filha de um agricultor e de uma lavadeira. “Apaixonou-se pelo cinema ainda criança”, registrou. Segundo ela, nos anos 1940, Ruth integrou-se ao Teatro Experimental do Negro, fundado por Abdias do Nascimento (1914-2011), ator, dramaturgo, escritor, artista plástico, ativista e político. Em 1945, tornou-se a primeira atriz negra a se apresentar no palco do Teatro Municipal, que frequentava desde muito jovem com ingressos que ganhava das patroas da mãe.
De acordo com Fabíola, ela foi a primeira atriz negra a ganhar notoriedade no Brasil. Sua estreia no cinema foi em 1948, com o filme Terra Violenta. Entre os filmes em que atuou, Falta Alguém no Manicômio (1948), Também Somos Irmãos (1949), Ângela (1951), Terra É Sempre Terra (1952), Sinhá Moça (1953), Bruma Seca (1961), O Assalto ao Trem Pagador (1962), O Homem Nu (1968), Jubiabá (1987), Um Copo de Cólera (1999), As Filhas do Vento (2004), O Vendedor de Passados (2015,), Primavera (2018, o último), e outros.
“Ao longo de sua trajetória na televisão, Ruth de Souza viveu muitas criadas e escravas”, observou a autora da moção. Em depoimento ao projeto Memória Globo, ela declarou que os melhores papéis em novela lhe foram dados por Janete Clair e Dias Gomes – como Chiquinha do Parto em O Bem Amado (1973). Na novela Sinhá Moça, Ruth viveu um trabalho marcante: a desmemoriada escrava Balbina, formando uma dupla emocionante com Grande Otelo.
Ruth de Souza foi a primeira atriz brasileira com indicação a um prêmio internacional de cinema, no ano de 1954, no Festival de Veneza. “Setenta anos de carreira entre teatro, cinema e televisão fez de Ruth uma querida, respeitada e reverenciada atriz, pelo público e por seus pares. Trabalhou na TV Tupi, Record, TV Excelsior e Globo, onde se estabeleceu até os últimos trabalhos”, anotou a socialista.
Para Fabíola, Dona Ruth de Souza foi e sempre será inspiração para todos os artistas brasileiros, principalmente negros, por seu talento, suas conquistas e seu ativismo. “Morreu reconhecida e respeitada. Obrigada pela vida longa e bonita que teve, capaz de inspirar tantas gerações. Siga em paz, meus aplausos de pé”, concluiu ela.
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