O lançamento do livro “Páginas Escolhidas – Contos e Crônicas”, da doutora Coracy Teixeira Bessa, na tarde de ontem, no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), preencheu indesejável lacuna, pois, apesar do apelo popular dos gêneros conto e crônica, foram poucas as publicações da Assembleia nesse segmento literário. O livro agora lançado integra o programa editorial da Assembleia Legislativa – ALBA Cultural – publicado em regime de coedição com o Instituto. Trata-se de uma seleção de 16 contos e sete crônicas escritos pela médica e socióloga Coracy Teixeira Bessa, todos premiados em concursos literários com a primeira colocação.
O presidente do Legislativo, deputado Nelson Leal, foi impedido de comparecer por estar dirigindo a sessão plenária, na Assembleia Legislativa, que discutia quatro projetos de lei, sendo representado pelo chefe da Procuradoria Jurídica da Assembleia, Graciliano Bonfim, que salientou a importância da obra escrita pela doutora Coracy. Com o apoio do IGHB, explicou Graciliano, “o programa ALBA Cultural supre uma lacuna com essas curtas obras-primas escritas pela autora, sendo possível perceber, apesar da sua temática variada, a importância de sua vivência profissional no conteúdo expresso nos textos que selecionou para esse volume”.
No mesmo tom, o presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, Eduardo de Castro, agradeceu ao Legislativo a formalização de uma antiga parceria na edição de obras literárias, através de convênio que une as duas instituições, permitindo a publicação de dois livros anualmente. Ele dirigiu palavras de carinho e admiração à escritora homenageada com o lançamento literário, pelos serviços que presta à Bahia e aos baianos através do exercício da medicina, mas também no apoio ao hospital Aristides Maltez – exemplo de instituição de saúde que atende a todos que batem às suas portas, graças não apenas aos recursos recebidos do poder público, mas especialmente do trabalho de voluntários”.
No evento, Coracy Teixeira Bessa falou do processo de seleção do conteúdo do livro e agradeceu à ALBA pela possibilidade de realizar o sonho de publicar contos e crônicas de sua autoria, que obtiveram primeira colocação pelo Brasil afora. Há 40 anos dedicando-se à literatura, a escritora tem uma produção expressiva e premiada. “Mas as condições para publicar não são fáceis. Tanto assim que, até hoje, eu só havia conseguido publicar quatro livros: dois romances, um livro de contos e um relato”, expôs.
A literata agradeceu a todos os que se envolveram na publicação do Páginas Escolhidas, a exemplo do Dr. Eduardo Morais, que sugeriu o contato com a Assembleia Legislativa, e o atual presidente, Nelson Leal, além de “todas as pessoas que a ajudaram a colocar no papel ideias, sentimentos e vivências”.
Programa valoriza a cultura literária da Bahia
O programa ALBA Cultural foi concebido como uma mera ferramenta de marketing cultural, implantada em 1998, ainda na presidência do deputado Antônio Honorato, após a repercussão positiva do pioneiro livro “Pau de Colher”, de Raimundo Estrela, que resgatou a história de um levante assemelhado ao de Canudos (em muito menor escala), ocorrido em Casa Nova.
Esse trabalho exitoso foi elevado à condição de instrumento de política cultural, trazendo a lume cerca de três centenas de livros, que, além da reedição de obras fundamentais, também reverenciou a memória de baianos notáveis, abrindo ainda espaço para novos escritores. O corolário dessa atividade foi a aproximação do Legislativo de entidades culturais da nossa terra, como as universidades e tantas outras instituições relacionadas à cultura de nossa terra.
O Programa ALBA Cultural ganhou musculatura nas presidências dos deputados Clóvis Ferraz e Marcelo Nilo, marcadas pelo aumento das obras editadas e especialmente pela assinatura de convênios com entidades do mundo educacional e cultural da nossa terra. Dessa forma, o Legislativo foi unido a instituições como a Associação Comercial da Bahia, a Ufba e a Universidade Estadual do Sudoeste, a Fundação Pedro Calmon, a Câmara Baiana do Livro, e às fundações Casa de Jorge Amado e Eugênio Teixeira Leal – além do convênio pioneiro, ainda em vigência, com a Academia de Letras da Bahia.
O programa também apoia a Feira Literária de Mucugê, a FLIGÊ, desde a sua primeira edição (está na terceira) e, no próximo dia 15, nessa Feira, serão lançados dois livros editados pelo programa: Sinhazinha, de Afrânio Peixoto, e Auto da Gamela, de Carlos Jehovah e Esechias Araújo Lima, ilustrado por Sílvio Jessé. Também esse mês, serão lançados dois livros importantes editados em conjunto com a Academia de Letras da Bahia: Alalá do Luaréu, de Ordep Serra, e Porto Calendário, de Osório Alves de Castro.
ALBA Cultural já lançou mais de 300 títulos
O programa Alba Cultural imprimiu e lançou mais de 300 livros a partir de 1998, quando a edição de obras literárias começou a ser sistematizada. Nesse período, foram reeditados livros memoráveis, como a biografia de Ruy Barbosa, escrita pelo senador Luís Viana Filho; O Estranho Mundo dos Cangaceiros, de Estácio de Lima; e também Cascalho, um clássico há 50 anos sem reedição que trata da lavra de diamantes na Chapada Diamantina, escrito na década de 40 por Herberto Salles, um baiano que ingressou na Academia Brasileira de Letras.
Outros títulos também foram lançados, tais como A Noite dos Coronéis, de Guido Guerra; Tempos Temerários, de Nestor Duarte; ou ainda obras resgatadas após décadas de esquecimento das editoras tradicionais, como A Fundação da Cidade do Salvador, de Teodoro Sampaio; o clássico Através da Bahia, de Von Spix e Von Martius; o esgotado Maria Dusá, de Lindolfo Rocha; ou ainda Mínimas Estórias Gerais, texto em prosa da poetisa Myrian Fraga, entre outros.
Destaque ainda no programa ALBA Cultural a publicação de algumas coleções seminais, como a História do Comércio Baiano, em parceria com a Associação Comercial da Bahia, em seis volumes. A coleção Memória da Bahia, em conjunto com o Museu Eugênio Teixeira Leal, e a coleção Mestres da Literatura Baiana, em convênio com a Academia de Letras da Bahia, prevista para 20 tomos e que já está em seu 13º.
Outra coleção que impactou o mercado editorial da Bahia é de responsabilidade única da própria Assembleia, homenageando baianos que marcaram a nossa terra e ajudaram a consolidar o que se convencionou chamar de baianidade, foi a “Gente da Bahia” – que se aproxima de 50 livros lançados, traz os perfis de baianos natos ou por adoção – icônicos –, nos mais variados campos da atuação humana: De Carybé ao mestre Pastinha, passando pelo alfaiate Spinelli, a doce louca da rua Chile, a mulher de Roxo, o economista Rômulo Almeida, o guerreiro do Pelourinho, Clarindo Silva e o pianista Carlos Lacerda.
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