O deputado Nelson Leal recebeu no gabinete da presidência um grupo de nove integrantes da Academia de Letras da Bahia (ALB), instituição parceira do Legislativo no programa editorial inaugurado no final do século passado. A conversa girou entorno da cultura baiana, do reduzido número de leitores e das dificuldades vividas pelo mercado editorial nacional.
O presidente da ALB, o jornalista e escritor Joaci Góes, discorreu sobre a história da centenária instituição e das “coincidências e afinidades” que a unem a ALBA desde a sua criação. Afinal, explicou, “foi num salão de audiências da Assembleia que a instituição nasceu tendo entre seus membros o governador Antônio Muniz”.
Joaci e todos os confrades enfatizaram a abertura daquele colegiado para a comunidade, seja através de cursos, simpósios, seminários, recepção de estudantes da rede pública e disponibilização de biblioteca com cerca de 26 mil volumes para a comunidade e, especialmente, pelo resgate de obras fora do mercado comercial, livros raros – e indispensáveis para a cultura baiana. E a produção de livros em regime de coedição é o ponto de unidade entre a ALBA e a Academia, frisou.
Honrado com as presenças ilustres dos acadêmicos Francisco Sena, Nelson Cerqueira, Aramis Ribeiro Costa, Evelina Hoisel, Fernando Perez, Aleiton Andrade, Paulo Ormindo e Paulo Furtado – que lhe ofereceram um livro autografado sobre os 100 anos de história da entidade, o deputado Nelson Leal reafirmou o compromisso de continuar a atuar na área editorial, pois entende, “como Monteiro Lobato que um país se faz com homens e livros”.
Todos os acadêmicos participaram da discussão sobre educação e cultura, bem como da relevância da ALB, que está totalmente integrada a vida cultural da Bahia, uma instituição vibrante, até por sua composição multifacetada, pois entre seus integrantes, todos escritores reconhecidos, existem estudiosos de campos tão díspares quanto advogados, urbanistas, arquitetos, historiadores, médicos, empresários, jornalistas e políticos – entre outros, todos amantes da literatura, da história e da cultura em geral.
O poeta e escritor Fernando Perez lembrou que ao menos cinco governadores integraram a Academia, Antônio Muniz, J. J. Seabra, Luís Viana, Roberto Santos e Antônio Carlos Magalhães integraram o colegiado com sólidas raízes na vida cultural baiana. Os ex-presidentes Evelina Hoisel e Aramis Ribeiro Costa lembraram o apoio do Legislativo para iniciativas da Academia, como a coleção Mestres da Literatura e Aleiton Fonseca citou alguns livros “ímpares” que voltaram a circular através do programa Alba Cultural como um trabalho de Francisco Mangabeira sobre a tragédia de Canudos (publicada dois anos antes de Os Sertões”) que completou um século sem edição, e agora é objeto de cursos, teses e aprofundamento após o seu resgate.
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