A Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) lança, nesta quarta-feira (dia 14), às 18h, o romance Alalá do Luaréu, do escritor e antropólogo Ordep Serra. O evento acontece na Academia de Letras da Bahia (ALB), entidade parceira da Assembleia na coleção Mestres da Literatura Baiana, pela qual o livro de Ordep será lançado. A obra é dividida em quatro tramas atribuídas pelo autor a diferentes narradores, “todos eles empenhados em recompor uma história que os desafia e tanto os envolve como lhes escapa”. A sede da ALB fica no bairro de Nazaré, em Salvador.
As quatro partes da obra, ou os quatro livros, como define Ordep, são:
História de Cíntia, Transpeculação do Lunispício, Lunário de Enoque e Crônica de Cirão. A divisão, acrescentou ele, corresponde à agência de diferentes narradores, embora uma trama subjacente confira unidade ao romance. A História de Cíntia é o texto mais longo. “Fala de um acontecimento crítico motivador de toda a intriga”, explicou o antropólogo, em sua página na internet.
De acordo com ele, o motivo da crise é alvo de uma busca de esclarecimento que produz o enredo. “Essa busca transcorre inicialmente numa pequena cidade sertaneja onde se presume que teve lugar um acontecimento obscuro, deslembrado, mas provocador de intrigas, medo e confusão”, explica Ordep. “Prossegue em Salvador, onde a história procurada se entretece com outras, transcorridas aí, mas também no Recôncavo e em outros espaços”.
Ainda segundo Ordep, essa parte (ou “esse livro”) envolve um diálogo entre personagens de diferentes origens e meios sociais e evoca a efervescência cultural da década de 1970 na Bahia (e em todo o Brasil). “Reporta-se a experiências artísticas inovadoras, ao movimento hippie e ao tropicalismo, mas também aos embaraços do momento político nacional em tempos de ditadura”, contou o autor, acrescentando que o romance se aproxima do teatro e do cinema.
O segundo enredo, Transpeculação do Lunispício, Ordep Serra dá amplo espaço à inovação no campo da linguagem, “numa breve tapeçaria fantástica”, como define o próprio. Já o Lunário de Enoque se compõe de poemas curtos. Conforme o escritor, constitui “uma espécie de jogo divinatório com peças líricas, com que se pretende decifrar o motivo da intriga e do romance”. Na quarta e última parte, a Crônica de Cirão, Ordep retorna ao mundo sertanejo e dá espaço a múltiplas vozes, com uma exploração criativa de dialetos do interior baiano. “O texto incorpora a linguagem da poesia de cordel, de oratórios, crônicas e legendas sertanejas”, explicou ele.
“A crise motivadora acusada logo no começo (já na História de Cíntia) liga um acontecimento histórico de alcance global (a primeira chegada de homens à lua) com uma agitação do mundo sertanejo”., observou. A cidade em que transcorre essa agitação não é identificada, mas sugere-se que ela se situa geograficamente num espaço de transição entre o semiárido e a Chapada, porém não muito longe do litoral sul da Bahia. Dessa forma, explicou Ordep, diferentes territórios e identidades são assim trazidos à cena.
Graduado em Letras pela Universidade de Brasília, mestre em Antropologia Social também pela UNB, Ordep Serra é doutor em Antropologia pela Universidade de São Paulo (USP), com pós-doutorado em Literatura e Cultura pela Universidade Federal da Bahia (Ufba). Membro da Associação Brasileira de Antropologia, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e da Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos e da própria Academia de Letras da Bahia, ele já lançou diversos livros, como Rumores de Festa: O sagrado e o profano na Bahia e O encantamento de sua santidade: Cancão de fogo.
A coleção Mestres da Literatura Baiana foi criada, em 2012, pela Assembleia em parceria com a Academia de Letras da Bahia. A coleção contempla todos os gêneros literários e tem como critérios a qualidade da obra e sua importância no contexto cultural da Bahia. Entre os livros já lançados pela coleção estão A Bahia já foi Assim, escrito pela folclorista Hildegardes Vianna, Contos e Novelas Reunidos, do escritor Hélio Pólvora e Antologia Poética, de Affonso Mante, entre outros.
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