“20 anos da Articulação no Semiárido: É no Semiárido que a Vida Pulsa, é no Semiárido que o Povo Resiste”. O tema da sessão especial, realizada pela Assembleia Legislativa nesta segunda-feira (25), destaca a importância da ASA Brasil, uma rede que conecta pessoas em mais de três mil organizações da sociedade civil em todos os nove estados nordestinos e Minas Gerais, “sempre na defesa do projeto político da convivência com o semiárido, tendo como referência os valores culturais e a justiça social”.
Aberta pelo presidente da ALBA, deputado Nelson Leal (PP), a sessão foi uma proposta conjunta das deputadas Neusa Cadore e Fátima Nunes, ambas do Partido dos Trabalhadores, que elogiaram o trabalho de construção da ASA, permitindo que a famosa lata d’água saísse definitivamente da cabeça das mulheres, transformando a realidade da região.
Cadore, no seu discurso, enalteceu o papel de articulação da entidade, que, ao longo de duas décadas, foi responsável por uma ampla mobilização popular, porque chamou a atenção do sistema político e, ao mesmo tempo, elaborou projetos com ações efetivas que resultaram em benefício das comunidades. A petista, que preside a Comissão de Direitos Humanos da Casa, considerou que a “água é essencial para a vida humana, dos animais e da produção de alimentos” e celebrou o “Programa Cisternas”, que atingiu a marca de 1.294.503 unidades implementadas ao lado das casas, “democratizando o acesso à água para populações difusas no país”.
Fátima Nunes mostrou a convicção de que o semiárido “é um bom lugar para se viver”. A presidente da Comissão da Promoção da Igualdade disse que a Rede ASA sempre percebeu que era possível aproveitar os recursos naturais, a água e o solo, “nesta antiga terra de chão rachado, de arribação, de mulheres viúvas com maridos vivos, que iam para o sul e não mais voltavam”. A parlamentar defendeu as iniciativas de “guardar a água, cuidar das nascentes dos riachos, inserir o homem e a mulher no contexto do semiárido, pois todos os agricultores e trabalhadores rurais querem viver com dignidade”.
Precisando retornar a Brasília, onde tinha reuniões de trabalho, o senador Jaques Wagner (PT) foi um dos primeiros oradores da tarde no Plenário Orlando Spínola. O ex-governador da Bahia afirmou que a homenagem era muito justa, pois a ASA deu uma contribuição inestimável ao povo nordestino pelo programa de cisternas, a agricultura familiar, a economia solidária e a organização da produção de alimentos. “Eu me sinto orgulhoso, nos meus oito anos de administração estadual, pela relação intensa com a instituição, contribuindo para o crescimento da rede, que ajudou muito no sucesso da agricultura familiar de nossa terra”, esclareceu o senador.
Representando o governador Rui Costa, o chefe de gabinete da Secretaria estadual de Desenvolvimento Rural, Jeandro Ribeiro, ressaltou que a Articulação do Semiárido fez uma verdadeira revolução em grande parte do território baiano. O servidor público parabenizou a instituição pela atuação, garantindo que “a SDR sempre brigou para tornar esta região do estado mais forte e mais pujante”.
CONQUISTAS
“Colher a água, verter a água, guardar a água, quando a chuva cai do céu. Guardar em casa, também no chão. E ter a água se vier a precisão”. Os versos da canção trouxeram um clima de emoção e alegria aos agricultores, dirigentes de sindicatos e representantes de organizações de base que participaram da sessão especial. O coordenador executivo da ASA Bahia, Naidison Baptista, lembrou que a rede nasceu em 1999 para interferir na política pública, “construindo a ideia da convivência com o semiárido e não de combate à seca”.
Saudando as pessoas que partiram de muito longe para se fazerem presentes no ato, Naidison comemorou a mudança de paradigma, com um novo olhar sobre o semiárido, onde a convivência ganhou espaço”. O dirigente ressaltou o programa de guarda de sementes crioulas, com mais de mil bancos em funcionamento, além das mais de 200 mil famílias que têm acesso à água para produção de alimentos saudáveis e sem agrotóxicos no Brasil. “Hoje em dia, a Rede Globo não tem mais o chão rachado para apresentar em suas reportagens, o chão ficou verde, dos produtos que brotam da terra”, concluiu orgulhoso Baptista, que recebeu da Casa uma corbelha de flores e uma placa comemorativa pelos 20 anos da instituição.
Marenise Oliveira, do município de Pindobaçu, se pronunciou como representante das agricultoras. Para ela, “as mulheres não vão aceitar o desmonte das políticas públicas do atual Governo Federal. Ao contrário, nosso recado é de ampliação dos projetos voltados para o desenvolvimento sustentável”, pontuou. O padre José Carlos Silva associou o nome ASA à Ação Social Arquidiocesana, que trabalha com as pastorais da terra e as comunidades eclesiais de base. O religioso católico entende que é preciso reforçar a organização da sociedade civil.
Diversos parlamentares prestigiaram a sessão: Marcelino Galo (PT), Jacó Lula (PT), Olívia Santana (PC do B), Marcelo Veiga (PSB), Jusmari Oliveira (PSD), Maria del Carmen (PT), Zé Cocá (PP), Luciano Simões Filho (DEM), Zé Raimundo (PT) e Fabíola Mansur (PSB). Compuseram a mesa dos trabalhos: o deputado federal Afonso Florence; Elisângela Araújo, diretora executiva da Confederação Nacional da Agricultura Familiar; Rose Pondé, superintendente de Alimentação (Sisan); Célia Firmo, coordenadora executiva do Movimento de Organização Comunitária e Fórum da Agricultura Familiar; Márcia Muniz, representante do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional da Bahia; e Carlos Eduardo Leite, da Articulação Agroecologia na Bahia.
REDES SOCIAIS