Uma manifestação suprapartidária ocorreu, durante a sessão desta terça-feira (18), no Legislativo baiano, em solidariedade ao movimento paredista dos trabalhadores da Petrobras, que estão em seu 18.º dia de greve. Diversos deputados usaram a tribuna para tratar sobre as reivindicações da categoria, alguns inclusive vestidos com a farda laranja da empresa e postando cartazes com a frase “Defender a Petrobras é defender o Brasil”.
“Não estou falando em meu nome, nem em nome do PT, falo em nome de todos os deputados e deputadas, aqui presentes, que estão nesse engajamento em defesa da Petrobras”, ratificou o líder do governo, deputado Rosemberg Lula Pinto (PT), justificando que a mobilização alcança 21 mil trabalhadores, em 121 unidades da estatal e em 13 estados.
“Hoje, literalmente, é dia de vestir a camisa dessa categoria, que iniciou uma greve em função da demissão em massa de mil trabalhadores da Petrobras, alocados na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados, no Paraná, e também em decorrência do descumprimento do acordo feito entre os sindicatos e a empresa, mas, no momento, se tornou uma pauta muito maior, que é a defesa da Petrobras e contra a privatização de parte de sua estrutura”, afirmou a deputada Neusa Lula Cadore (PT).
Olívia Santana (PC do B) criticou a cobertura da greve pelos grandes veículos de comunicação do país e saudou a categoria “em nome do sindicalista Radiovaldo Costa, que se reuniu com os parlamentares, pedindo apoio para este movimento que é fundamental para os interesses nacionais”. A deputada comparou a mobilização atual à campanha “O petróleo é nosso”, pois não é uma questão particular da categoria, mas sim uma questão estratégica, de interesse nacional”.
Robinson Almeida Lula (PT) definiu o protesto dos petroleiros como “uma resistência heroica”. Também para o petista, a grande imprensa tenta invisibilizar o movimento, enquanto o Governo Federal, “sem nenhum compromisso com a nação, entrega a riqueza brasileira, de mão beijada à agiotagem internacional”. Associando-se ao colega, Fabrício Falcão (PC do B) reforçou que a empresa é um patrimônio do povo brasileiro, “umas das maiores do mundo no segmento, que tem ‘know-how’ internacional em qualidade dos seus trabalhadores”; para o comunista, o Governo Federal faz um desmonte da Petrobras para privatizá-la, “assim como quer fazer com várias outras empresas, como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e os Correios”.
Falando em nome da bancada do PT, Marcelino Galo Lula (PT) expressou a solidariedade dos seus pares, reafirmando que a luta é pela Petrobras soberana e dos brasileiros. “A Bahia é um dos poucos estados do Brasil que abriga a cadeia do petróleo, desde a extração até o refino”, disse Galo, citando a Refinaria Landulfo Alves. Já Adolfo Menezes (PSD) considera que “a luta em defesa da Petrobras não é uma questão partidária, e sim de todos os deputados e deputadas da Casa”, ressaltando que falar da importância da estatal, a qual define como a maior empresa brasileira, é redundante. Hilton Coelho (Psol) registrou que seu partido está engajado no movimento, não só em defesa da Petrobras, mas “de outras empresas ameaçadas pelo governo Bolsonaro, como a Eletrobras, Casa da Moeda, Caixa, Banco do Brasil, enfim, dos instrumentos de afirmação de um projeto nacional”.
Contraditando os pronunciamentos, os deputados Soldado Prisco (PSC) e Capitão Alden (PSL) classificaram as manifestações dos colegas, no plenário, como “demagogia”. Prisco lembrou a presença do Batalhão de Choque da PM na ALBA para conter manifestantes contra a votação da PEC da reforma da Previdência; enquanto Alden questionou “onde estavam esses colegas quando a Petrobras estava sendo saqueada – segundo a Polícia Federal, os prejuízos, somente com corrupção, podem bater acima de R$ 42 bilhões?”.
REDES SOCIAIS