“Uma atriz extraordinária, uma mulher cheia de amor e acolhimento, espalhou, nos seus 88 anos de vida, doçura, arte e muitos ensinamentos. Siga na paz”. Foi assim que a deputada Fabíola Mansur (PSB) definiu a atriz Chica Xavier – falecida, dia 8 de agosto, no Rio de Janeiro – em moção de pesar registrada na Assembleia Legislativa.
Para a parlamentar, Francisca Xavier Queiroz de Jesus era a grande dama do teatro e da televisão brasileira, e partiu “exaltada como rainha por muitos de seus colegas e companheiros de jornada, e por todos nós”. Baiana de Salvador, Chica Xavier mudou-se para o Rio de Janeiro em 1953, aos 21 anos; foi casada por 64 anos com o também ator Clementino Kelé e, juntos, encenaram a primeira peça de suas carreiras, em 1956: Orfeu da Conceição, de Vinícius de Moraes.
Na moção, Fabíola Mansur transcreveu na moção a seguinte nota da assessoria da Rede Globo, onde a artista atuou em inúmeras novelas. “Uma precursora, símbolo de gerações de atrizes e atores negros, de representatividade, que trazia em cada cena ou fala traços latentes de baianidade. Nunca negou a origem. Um sorriso inconfundível, que bastava ser visto uma vez para não mais esquecer”.
Sua primeira novela – relata a socialista – foi Os Ossos do Barão, quando interpretou a personagem Rosa, em 1973. Daí em diante, foram mais de 50 personagens só na televisão, como a Bá, de Sinhá Moça; Inácia, de Renascer; e a mãe de santo Magé Bassã, da minissérie Tenda dos Milagres. “Participou de muitas novelas, como Pátria Minha, Cara & Coroa, Rei do Gado, entre outros trabalhos marcantes. O mais recente na emissora foi na novela Cheias de Charme, em 2012”, registrou a deputada, acrescentando que, no cinema, sua estreia foi em 1962, no filme Assalto ao Trem Pagador, dirigido por Roberto Farias.
Fabíola Mansur anotou ainda a honraria que recebeu, em 2010, do extinto Ministério da Cultura – o Troféu Palmares, “pelo trabalho de preservação e incentivo à cultura afro-brasileira”. O documento traz, além da longa carreira de mais de 60 anos nos palcos e nas telas, a façanha de escritora de Chica Xavier, que publicou escritos em que defendia a fé e a religiosidade afro-brasileira. A parlamentar destaca o livro “Chica Xavier canta sua prosa. Cantigas, louvações e rezas para os orixás”, lançado em 1999, com ilustrações de sua filha, Izabela d’Oxóssi.
REDES SOCIAIS