O ativista Raymundo Coelho da Conceição pode não ser um nome conhecido na Bahia, mas tem profundas raízes no bairro de Pirajá, subúrbio de Salvador. Nascido na pequena vila de Matarandiba, em Vera Cruz, Coelho, como se tornou conhecido mais tarde, chegou a Pirajá aos 17 anos e, desde então, dedicou toda a sua vida à melhoria da localidade e de seus moradores. Nem mesmo um AVC em 2012 o tirou da lida social, mas seis anos depois morreu dormindo, sendo enterrado no cemitério local como “homem honrado, o pai daquela população tão desamparada, o herói real que os ajudava”, como foi dito na missa de corpo presente
Essa história foi apresentada na Assembleia Legislativa pela deputada Maria del Carmen (PT), autora de indicação ao governador Rui Costa e ao secretário da Saúde, Fábio Vilas-Boas, para que a Unidade Básica de Saúde de Pirajá passe a se chamar UBS Raymundo Coelho. Na justificativa para tal iniciativa, a parlamentar discorre em cinco laudas as ações comunitárias nas mais diversas áreas, com destaque para saúde, segurança educação e transporte.
“Seu lema era ‘cuidar do bem viver’, como cristão sempre honrado, justo, solidário e corajoso para anunciar e seguir a palavra de Deus onde quer que estivesse e em tudo que praticasse”, enaltece a petista. O homenageado tinha 17 anos e já atuava em ações sociais da Igreja quando chegou a Pirajá, em 1966.
Um ano depois, se engajou com as também recém-chegadas irmãs da Congregação Filhas do Amor Divino e dessa união surgiu o grupo Força Jovem de Pirajá. O grupo lutou pela construção de escolas no local, tendo como frutos o Colégio Alberto Santos Dumont e a Escola Alexandrina Santos Pita. Provocou abaixo-assinados por novas linhas de ônibus (só havia uma). Conquistaram também melhorias na iluminação pública e no asfaltamento de ruas. Coelho esteve junto com outros jovens e homens para abrir a Rua Nova, na base de mutirões noturnos.
Foi nessa Rua Nova que Coelho e Adalberto Carvalho impulsionaram a construção do centro comunitário, também por mutirão. A irmã Clemens, uma das religiosas que atuaram desde o início, e Coelho conseguiram junto a Urbis um terreno para a Construção da igreja que hoje é a Comunidade Nossa Senhora Auxiliadora.
O Conselho Comunitário do Bairro e Distrito de Pirajá foi fundado em 1987 com o objetivo de dar continuidade ao trabalho que era desenvolvido há 20 anos pela comunidade vinculada à Igreja Católica de Pirajá e alguns líderes de Marechal Rondon, Campinas, Jardim Cajazeiras e Pirajá. Paralelo a isso, Coelho seguiu atuante em diversas pastorais. Passou a liderar o Projeto Pirajá Rumo ao 3º Milênio, uma iniciativa de unir as associações existentes para que o bairro passasse a ter mais força e voz junto às autoridades. Nesse momento, um dos problemas cruciais era o elevado índice de violência e de insegurança, e essa unidade fui fundamental para ocorrerem alguns avanços.
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