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Zé Raimundo destaca trajetória acadêmica de Délio Pinheiro

Publicado em: 31/08/2020 23:43
Editoria: Notícia

O falecimento do geólogo, professor e editor, Délio Pinheiro, assessor para Assuntos Culturais da Assembleia Legislativa, ocorrido na madrugada do último domingo (30), foi lamentada pelo deputado Zé Raimundo (PT), através de moção de pesar que apresentou à Secretaria Geral da Mesa da Casa. O parlamentar, também professor universitário, conviveu intensamente com Délio Pinheiro, com quem tinha muitas afinidades, entre elas, o amor aos livros e à cultura – notadamente de nossa terra e da nossa gente.

Eram ainda, por assim dizer, “vizinhos” de nascimento no Sudoeste, embora Délio Pinheiro tivesse deixado à sua Tremedal natal (à época, distrito de Condeúba) com menos de três anos de idade. Na moção, o parlamentar traçou um breve perfil da vida do amigo recém-falecido, desde o início da trajetória como professor da graduação na escola de Geologia, na Universidade Federal da Bahia, onde também foi diretor do Instituto de Geociências e professor no mestrado.

LEGADO DE 300 LIVROS

Para o deputado do PT, “ele parece haver herdado o amor pelos livros do seu pai, o médico Adelmário Pinheiro, um pojucano que da Medicina fez carreira política no Sudoeste baiano, chegando a presidir a Assembleia Legislativa, que possuía sólida formação cultural”. O petista lembrou que Délio Pinheiro atuou em órgãos do Estado, como a Bahiatursa e Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), começando a trabalhar na ALBA quando já estava aposentado da Ufba, onde permaneceu dando aulas no mestrado durante uma década sem qualquer remuneração – retribuindo parte do recebido daquela instituição.

O deputado Zé Raimundo elogiou a sua “vigorosa atuação” como editor do programa ALBA Cultural que, em 14 anos, publicou cerca de 300 títulos, obras de elevado valor histórico, memorialista e cultural: “Foi como assessor de Assuntos Culturais da ALBA e a frente do seu projeto editorial por 14 anos, que nos aproximamos e chegamos a firmar parcerias, como a ocorrida com relação à Fligê, a Feira Literária de Mucugê, e à criação do prêmio Katia Matoso”, com a Ufba que premia teses de doutorado e dissertações de mestrados vencedoras do certame – ambas em colaboração com meu mandato”.

O petista ressaltou o empenho de Délio e a sua contribuição pessoal, no apoio à edição de obras regionais de autores baianos – conseguindo a autorização dos presidentes da ALBA para a publicação de obras acadêmicas e literárias. Entre elas, os livros em convênio com a Ufba, as obras do poeta Camilo de Jesus, e a reimpressão especial para a Fligê de duas obras sobre o coronel Horácio de Matos e o Porto Calendário, de Osório Alves de Castro, uma obra-prima da literatura do São Francisco que estava fora do catálogo há mais de 40 anos.

“Foi um amigo de muita presteza, quando propomos a parceria oficial do Selo Literário Fligê, por meio do programa ALBA Cultural, lançado na 3ª edição da feira, em 2018, com o livro Composições - Entre Sertões e Chapadas, contendo diálogos do sertão de Euclides da Cunha e a obra do cantor e compositor Elomar Figueira Mello, retomando a temática central da Fligê 2017”, lembrou.

Na segunda edição do selo, em 2019, foi a vez do “Auto da Gamela”, de autoria de Carlos Jehovah e Esechias Araújo Lima, e de outras obras importantes publicadas para a Fligê, como as reedições de Cascalho, de Herberto Sales; Bugrinha, de Afrânio Peixoto; Maria Dusá, de Lindolfo Rocha; O Chefe Horácio de Matos, de Américo Chagas; e Sinhazinha, de Afrânio Peixoto. Todas essas obras e outras editadas pela ALBA foram distribuídos gratuitamente estudantes e participantes da feira, acrescentou o petista.

“Neste momento de dor e tristeza, deixo meu abraço a sua esposa Juçara, seus filhos, Júlia e Pedro, seus netos, além de amigos e colegas que tiveram a oportunidade de conviver com uma pessoa de intelectualidade tão prestigiada como foi Délio Pinheiro”, lamentou.




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