“Ele foi um defensor intransigente dos interesses do país, um dos mais convictos nacionalistas nascido nesta terra, um incansável lutador contra a ditadura militar no Brasil, atividade que lhe rendeu perseguição, prisão e tortura pelo regime da época”, declarou o presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, deputado Adolfo Menezes (PSD), ao apresentar uma moção de pesar pelo falecimento do ex-deputado federal e ex-diretor da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Haroldo Lima, na madrugada desta quarta-feira (24), aos 81 anos, vítima da Covid-19. O chefe do Parlamento baiano assegura que o político deixou um bonito legado e uma história marcante, tendo sido um homem "absolutamente leal à defesa das suas ideias socialistas, assim como dos ideais do Partido Comunista do Brasil (PC do B), agremiação partidária pela qual militou e se entregou desde a legalização da legenda, com o processo de anistia política no país. Filho de Caetité (BA), onde chegou a trabalhar na lavoura de cacau, Haroldo Borges Rodrigues de Lima descendia de família tradicional, a exemplo do Barão de Caetité. Era neto do oitavo governador da Bahia, no período da República, o senhor José Manuel Rodrigues de Lima. Segundo o parlamentar, Lima foi um respeitado líder do movimento estudantil na Escola Politécnica, da Universidade Federal da Bahia (Ufba), onde se graduou em Engenharia Elétrica. O primeiro mandato de Haroldo Lima, relembra o presidente da ALBA, foi em 1982, pelo então MDB. Os outros quatro mandatos, exercidos na Câmara dos Deputados, foram sob a legenda do PC do B. Deputado que ajudou a elaborar a Constituição Cidadã, promulgada pelo saudoso Ulysses Guimarães em 1988, Haroldo Lima também esteve na organização da chamada Guerrilha do Araguaia, movimento revolucionário de oposição ao regime militar, que ocorreu entre os anos de 1967 – 1974. Adolfo Menezes lembra que o ex-deputado federal também participou de outro episódio histórico da vida política brasileira. Foi sobrevivente da chamada Chacina da Lapa, em São Paulo, quando policiais e soldados do Exército invadiram a casa onde havia uma reunião do Comitê Central do PC do B, matando três pessoas e prendendo seis integrantes, dentre eles Haroldo Lima, Aldo Arantes, Elza Monnerat, Joaquim Celso de Lima, Maria Trindade e Wladimir Pomar. “Como poucos, foi um defensor da soberania nacional, lutando bravamente pela Petrobras, pela nacionalização das riquezas minerais do país, contribuindo na construção do modelo de partilha do pré-sal”, enaltece o parlamentar. Durante os dois governos do presidente Lula (2003-2010), Haroldo Lima foi diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), seu último cargo público. “Expresso a nossa solidariedade aos familiares, na pessoa de sua esposa, Solange Silvany, aos amigos e à família PC do B, agremiação que, nesta quinta-feira (25), tem a honra de completar 99 anos de existência e luta em favor do Brasil e dos brasileiros. Por seu espírito combativo e revolucionário, Haroldo Lima foi um gigante patriota e nacionalista”, finalizou o presidente da Casa Legislativa.
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