A Ampliação do Sistema de Captação, Tratamento e Distribuição de Água da Bacia do Rio Paraguaçu foi o tema de audiência pública virtual realizada pela Comissão do Meio Ambiente, Seca e Recursos Hídricos na manhã desta quarta-feira (28). Tendo à frente o presidente do colegiado, deputado José de Arimateia (Republicanos), o evento contou com a presença de Fátima Nunes (PT), Jurailton Santos (Republicanos) e reuniu, entre outros, representantes da Embasa, do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Feira de Santana e do Comitê da Bacia Hidrográfica do Paraguaçu.
Arimateia iniciou a reunião questionando aos prepostos da Embasa sobre a obra de captação e tratamento da água da Barragem de Pedra do Cavalo, que já estaria em andamento. O biólogo Tiago de Almeida Chinelli, da supervisão de ação ambiental da Embasa, explicou que a obra em processo se trata da duplicação da adutora de água tratada do sistema integrado de abastecimento de Feira de Santana, sendo esta a primeira etapa do projeto de ampliação, que alcançará, na terceira e última etapa, a captação de água do Paraguaçu, a ampliação de estação e tratamento e a implantação de estação de tratamento de lodo.
Quanto à etapa de captação e tratamento de água, o gerente de projetos da Embasa André Guimarães explicou que ela ainda está em processo de licenciamento ambiental no Inema. Ele explicou ainda que a obra foi projetada para captar mais 1,5 m³/s no lago de Pedra do Cavalo, duplicando a capacidade atual. Mesmo somando à captação já existente, isso significará, quando atingir o topo, menos de 4% da vazão 79 m³/s da barragem. “O impacto do nosso consumo é muito baixo em relação ao que a barragem pode oferecer”, disse André.
Segundo ele, o projeto proporcionará segurança hídrica à região até 2051 e maior oferta de água a Conceição de Feira, São Gonçalo dos Campos, Feira de Santana e povoados integrados no sistema, atingindo 1,1 milhão de pessoas.
Eduardo Farias Topázio, diretor de Recursos Hídricos e Monitoramento Ambiental do Inema, disse que o processo de licenciamento da obra está em andamento e análise pelo setor responsável. Declarou ainda que Pedra do Cavalo, pensada e concebida nos anos 70 para múltiplos usos, “possui problemas enormes”, mas nada que impeça de ser utilizada na outorga da água, pois teria capacidade suficiente. Lembrou ainda a contradição de a Bacia do Paraguaçu, quase toda na região do semiárido baiano, abastecer a Região Metropolitana de Salvador.
O professor, pesquisador e ambientalista João Dias, representando o secretário de Meio Ambiente de Feira de Santana, afirmou, em seu discurso, que o Governo do Estado ignora o Conselho Gestor do Lago Pedra do Cavalo, do qual ele faz parte, assim como também é membro do Comitê da Bacia Hidrográfica do Paraguaçu e da Associação de Produtores Rurais e Pescadores do Distrito de Governador João Durval Carneiro.
Segundo ele, quando a água foi tirada pela primeira vez do lago da barragem, que completa agora 36 anos, nada foi discutido com os pescadores do Paraguaçu. Dias afirma que o rio sofre atualmente com alguns de seus principais afluentes, que estão em péssimo estado, a exemplo do rio Jacuípe, que nasce na Chapada Diamantina.
“Queria que alguém do Inema ou da Embasa respondesse quais foram as compensações ambientais e as condicionantes para dar outorga ou a licença ambiental para se retirar água do lago pela primeira vez. Agora, o representante da Embasa mostrou que (o sistema) vai ser ampliado. O senhor Eduardo (Topázio, do Inema) não mostrou nada da questão do licenciamento ambiental para retirar água do lago. Essa questão faz falta”.
João Dias se colocou à disposição da Comissão de Meio Ambiente para uma visita ao lago, que segundo ele, está três metros abaixo do nível. “As consequências para os pescadores da parte de cima da barragem são trágicas. Nesse momento da Covid-19, estão completamente abandonados. Não conseguem pescar, não têm nenhum tipo de auxílio, e eu não vejo nenhuma discussão por parte desse governo que demonstre preocupação com a situação dos ribeirinhos”, lamentou o pesquisador, revelando que, após 36 anos, não há seguro-defeso para os pescadores do Lago Pedra do Cavalo.
Ainda com relação às condicionantes para o licenciamento ambiental da obra, Dias questionou qual seria o planejamento com relação ao tratamento de esgoto da bacia hidrográfica do Paraguaçu, já que ela possui 85 municípios que despejam dejetos no rio e seus afluentes.
Evilásio Fraga, presidente do Comitê de Bacia Hidrográfica do Paraguaçu, pediu à Comissão de Meio Ambiente que se engaje, ao lado do Comitê, na aprovação do Plano da Bacia Hidrográfica do Paraguaçu, criado desde 2007. Segundo ele o comitê vem desde 2014 fazendo uma gestão constante junto ao Inema com esse objetivo. “O Plano tanto vai fornecer as informações técnicas para o comitê quanto resolver as questões políticas, porque precisa ser discutido amplamente com toda a sociedade das cidades envolvidas, inclusive Salvador, que também é atendida pela água da bacia”, disse.
O deputado José de Arimateia garantiu que a Comissão irá acompanhar de perto o andamento da aprovação do Plano da Bacia do Paraguaçu junto aos órgãos estaduais e também o processo de licenciamento do projeto, com suas compensações e condicionantes ambientais, a exemplo do tratamento do esgoto despejado pelas cidades que integram a bacia. Ele esclareceu ainda que haverá uma audiência, no âmbito da comissão, para discutir a qualidade da água e o tratamento do esgoto no Paraguaçu, marcada para o 12 de maio.
A deputada Fátima Nunes disse que o assunto debatido na audiência era de suma importância e parabenizou o trabalho do Inema e da Embasa. O desperdício e a contaminação da água foram pontos principais abordados em sua fala. “O que mais nos perturba e deixa preocupados é a grande captação para irrigação e o uso de agrotóxicos que poluem as fontes. Se continuar nesse ritmo, a nossa embasa não terá água para abastecimento, e os nossos pescadores não terão águas nos rios para desenvolverem suas atividades de pesca e criatório de peixes”, pontuou.
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