MÍDIA CENTER

Ato político comemora na Assembleia passagem do Dia Nacional do Cigano

Publicado em: 25/05/2021 07:44
Editoria: Notícia

O Dia Nacional do Cigano, data instituída em 2006 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi comemorado nesta segunda-feira (24), na Assembleia Legislativa da Bahia, com um ato político promovido pela liderança da bancada do Partido dos Trabalhadores. Em diversos pronunciamentos, palestrantes e oradores manifestaram preocupação quanto à aprovação do Estatuto do Povo Cigano pelo Senado Federal, a prioridade de vacinação para as comunidades e o mapeamento dos povos de identidade cigana no país.

Ao iniciar o encontro virtual, transmitido ao vivo pela TV ALBA e redes sociais da emissora do Legislativo baiano, o deputado Osni Cardoso Lula da Silva, líder da bancada do PT, lembrou que aprendeu com o pai, desde pequeno, a reconhecer o valor e a importância dos ciganos. “Conheci na comunidade de Bela Vista, em Serrinha, como era a vida desse povo, com seus costumes, sua rica cultura, sua religiosidade e seu jeito nômade e alegre de viver. É uma honra promover este debate em favor de um povo que precisa cada vez mais ser reconhecido pela sociedade brasileira”, pontuou o parlamentar.

Doutora em História pela Universidade Nacional de Brasília (Unb), Cassi Coutinho, fez uma explanação sobre a origem, a chegada ao Brasil e a visão preconceituosa que, ainda nos tempos atuais, se tem com relação às comunidades ciganas. Segundo a pesquisadora, os primeiros ciganos que desembarcaram no país vieram da Índia, saindo do Paquistão por causa dos conflitos de castas. Na Bahia, a historiadora conta que eles chegaram em 1718 e se fixaram nas imediações da Mouraria e Santo Antônio Além do Carmo, bairros de Salvador.

Cassi Coutinho explicou que os ciganos estão divididos em três grandes grupos: Caló, oriundo de Portugal e Espanha; Rom, originário do Leste Europeu e, por fim, Sinti, vindos da Alemanha e da França. A palestrante destacou as diferenças entre essas etnias, seja nas vestes, nas danças, na religiosidade, na culinária e até na linguística, mas ressaltou a união do povo através de sua identidade cigana. “Atividades como essa aqui na Casa Legislativa são fundamentais para que todos tenham conhecimento da cultura cigana e parem com esse olhar estigmatizado, estereotipado, uma visão preconceituosa da vida desse povo que contribuiu para a formação da identidade brasileira”, defendeu a pesquisadora.

MARCO HISTÓRICO

Durante o ato político, quem também fez relevantes intervenções foi Lêda Cruz, da Associação Internacional Maylê Sara Kalí (AMSK-Brasil). Moradora do município de Dias d’Ávila, cigana, advogada e pós-graduada em Cultura Cigana pela Universidade Nacional da Patagônia (Argentina), a ativista disse que o decreto assinado pelo presidente Lula há 15 anos representa “um marco para a nossa população, pois foi o reconhecimento de tudo que fizemos pela história do país”. A dirigente da entidade cobra do Governo Federal a prioridade para os ciganos na vacinação. Lêda Cruz assegura que eles integram o chamado grupo de povos tradicionais, porém - diferentemente dos quilombolas que já receberam as duas doses – os ciganos não conseguiram ainda a inclusão imediata no Plano Nacional de Imunização.

Ao lado da esposa Silvana, o ex-vereador de Ribeira do Pombal, Athayde Cigano, reforçou o pedido para imunizar logo a comunidade cigana, que está sofrendo por causa da pandemia da Covid-19, sem poder se reunir, abraçar os amigos e parentes, conversar com todos sobre os problemas que afligem esta população. “Rezo pela volta do presidente Lula para que a gente possa se aproximar das pessoas de novo e ter uma vida mais alegre. E peço a Deus que mude a mente do presidente Bolsonaro, trazendo mais vacinas para nosso povo”, declarou Athayde, evangélico há 25 anos.

Direto de Medeiros Neto, o ex-vereador Diran Cigano preferiu incentivar a participação dos ciganos na política e lançou um desafio para os primos, irmãos e toda a comunidade cigana: “Vamos participar mais das políticas públicas. Seja em conselhos, nas câmaras e nas assembleias. Para cobrarmos uma educação mais digna, uma saúde de qualidade, precisamos opinar, pois ainda há muito a avançar”, afirmou o ex-vereador, também bacharel em Direito. Para o cigano e professor universitário, Jucélio Dantas, é essencial que a Bahia realize urgentemente o mapeamento dos povos ciganos, “para saber quanto somos, onde estamos, o que fazemos econômica e socialmente em nosso Estado”. Representando o povo cigano na Secretaria Estadual da Promoção da Igualdade (Sepromi), Jucélio pediu aos deputados estaduais e federais que fizessem gestões, junto aos senadores baianos Jaques Wagner (PT), Otto Alencar (PSD) e Ângelo Coronel (PSD), pela aprovação no Senado Federal do Estatuto do Povo Cigano.

Na reunião virtual, foi exibido o vídeo “Eu sou cigano: Conquistando Espaços e Exigindo Direitos”, informando que os povos ciganos são quase 12 milhões de pessoas no mundo e estão há mais de 400 anos no Brasil, país onde trabalham, fazem parte da história, pagam impostos, contribuem para o desenvolvimento da Nação e que devem ser tratados como qualquer cidadão, sem discriminação ou preconceito. Em seguida, o deputado Osni Cardoso agradeceu a presença de todos e frisou que “esta luta tem de ter o braço do Estado, protegendo a cultura desse povo com leis que beneficiem as comunidades ciganas. A voz do povo cigano necessita ser ouvida”, finalizou o petista.



Compartilhar: