Na mesma moção de pesar pela morte de Maria Bernadete da Conceição, a deputada Olívia Santana (PC do B) aplaudiu a história de vida desta senhora de 92 anos. “Talvez não por acaso tenha nos deixado numa terça-feira, dia de seu pai, Ogum”, pondera a parlamentar.
Dona Dedé, como era conhecida onde morava e no Afoxé Filhos de Gandhi, era a expressão do sincretismo religioso. Além de iniciada no Candomblé, ela era conhecida como Irmã Berna na Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Rosário às Portas do Carmo – Irmandade dos Homens Pretos, onde possuía o título de professora. “As duas formas de chamar dizem respeito ao carinho e admiração que temos e saudades que deixará”, disse.
“Mulher feita no Candomblé e membro de uma das mais antigas irmandades do país com 336 anos de existência, Dona Berna nos deixou um legado importante sobre respeito, obediência ao divino, tolerância e boa convivência”, definiu Olívia, lembrando que a falecida “nos ensinou muito sobre a generosidade da fé, sobre celebrar o divino com o corpo e a alma, sobre cultuar a Deus como está escrito no Salmo 150 da Bíblia: ‘com suas liras, arpas e tambores’”.
Olívia garante que “quem já esteve nas celebrações das ‘Missas do Rosário’ já viu a irmã Berna”, descrevendo-a como a “senhora autônoma e alegre, de corpo franzino, pele retinta e feição bonita que dançava e louvava com entusiasmo e alegria. Não tinha como estar na celebração, próximo ao altar, e não se entusiasmar com entusiasmo da irmã Berna”.
“Dona Dedé também deixou inestimável contribuição à cultura popular da Bahia e à batalha das mulheres negras em busca do sustento”, disse, lembrando que ela, “não só enfeitou e cobriu a cabeça de centenas de homens para desfilarem no Afoxé Filhos de Gandhi, como também fez do seu conhecimento sobre amarração de turbantes um modo de renda pra sua família e para as inúmeras mulheres às quais ensinou o ofício de turbanteira”.
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