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Frente Parlamentar da Agricultura Familiar celebra os 15 anos da Barriguda

Publicado em: 10/07/2021 07:11
Editoria: Notícia

A Frente Parlamentar da Agricultura Familiar, presidida pelo deputado Jacó Lula da Silva (PT), realizou nesta sexta-feira (9) uma audiência pública em comemoração aos 15 anos do Centro de Desenvolvimento Socioambiental da Barriguda, fundado no município de Lapão, na região de Irecê. Deputados, secretários estaduais, dirigentes de movimentos sociais, representantes das comunidades quilombolas e de associações ligadas à produção de alimentos, agroecologia e oferta de água participaram da reunião virtual em homenagem à instituição, que foi batizada com o nome de uma árvore símbolo de resistência no semiárido nordestino.

Na saudação inicial, o parlamentar petista celebrou o aniversário da Barriguda, ressaltando ser um dia de festa para todos que acreditam em um semiárido vivo e forte, pois a partir desse trabalho foram milhares de cisternas, captação de água de chuva, centenas de família beneficiadas com assistência técnica e muitas famílias de quilombolas que foram atendidas. Jacó diz que a instituição orgulha a Bahia, compondo, ao lado da Associação Social Arquidiocesana (ASA) e do Fórum Baiano da Agricultura Familiar, um campo de atuação em favor do povo sertanejo em diversas localidades do estado. “Nós, da agricultura familiar, não somos o problema, somos a solução para o nosso país”, acrescentou o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Segurança Pública da Assembleia Legislativa.

Falando diretamente do município de Cipó, a deputada Fátima Nunes (PT) parabenizou os coordenadores do centro socioambiental e ressaltou “não ser de hoje a luta do povo em priorizar a água para consumo humano e também para a produção de alimentos”. Para a presidente da Comissão Especial da Promoção da Igualdade da ALBA, houve uma grande melhora nesta situação quando os governos do Partido dos Trabalhadores criaram o Programa 1 Milhão de Cisternas e fortaleceram os projetos de movimentos sociais que passaram a integrar o conjunto de políticas públicas.

Em seguida, Camila Batista, coordenadora executiva da Coordenação de Desenvolvimento Agrário, salientou a importância da resistência por parte dessas organizações não governamentais, já que são elas que devem estar à frente desse processo, cobrando mais recursos do Governo Federal para implementar políticas que assegurem qualidade de vida para as populações.

Yulo Oiticica, superintendente de Políticas Territoriais e Reforma Agrária, lembrou que o Estado sozinho não consegue resolver todos os problemas sociais, sendo fundamental que a sociedade organizada também assuma esse papel. “A Barriguda é uma gestão de 15 anos que não pára de parir. É um exemplo nacional para todos aqueles que desejam beber nessa fonte de sabedoria do homem e da mulher do sertão”, elogiou o ex-deputado.

Na reunião virtual, transmitida ao vivo pela TV ALBA e redes sociais do Parlamento baiano, foram exibidos alguns vídeos com agradecimentos de famílias beneficiadas pelas ações da Barriguda. Foram depoimentos emocionados de pessoas simples das roças que nunca tiveram água e que, diante da construção de cisternas, não tiveram mais queixas depois da captação de água. As gravações também apresentaram como a instituição, ao longo dessa década e meia, procurou ajudar as comunidades com atividades na área da música e da cultura, além do meio ambiente.

Necessitando se ausentar em face de compromissos assumidos, o deputado Jacó passou o comando da audiência para o suplente da Frente Parlamentar da Agricultura Familiar, deputado Marcelino Galo (PT). O parlamentar frisou que coube à entidade Barriguda acabar com a expressão "combate à seca", que enriquecia os latifundiários com a miséria profunda do povo. “É possível viver com dignidade no semiárido, é possível prover políticas públicas que tragam o bem-estar dos moradores, convivendo de forma harmônica com o meio ambiente. A luta dessas lideranças da Barriguda resultou em um trabalho fantástico”, declarou o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa Legislativa.

“A Barriguda é um case de sucesso da implementação de políticas para a convivência no nosso semiárido, onde a Bahia tem quase metade da população presente nesta região. E a instituição é um exemplo, uma prova incontestável de que, se tiver ações concretas e mais recursos disponíveis, nós podemos tirar as pessoas da agricultura familiar, das comunidades quilombolas, do público LGBT, de uma situação de vulnerabilidade social, colocando um ponto final em questões de emprego e renda”, manifestou o secretário da Justiça, Direitos Humanos e Ressocialização Social, Carlos Martins.

No final da sessão, a coordenadora executiva do Centro de Desenvolvimento Socioambiental Barriguda, Tamires Santos, agradeceu pelos pronunciamentos reconhecendo a relevância da instituição e explicou como se deu a atuação nesse período, “nas ações, abordamos os conteúdos e práticas de manejo correto da água no arredor da casa, a participação conjunta da mulher e do homem nos cuidados com a tecnologia social, a criação animal e a produção de alimentos saudáveis para garantir a segurança e soberania alimentar da família”.

A Barriguda tem o seu raio de ação em Irecê, Chapada Diamantina e Vale do Jiquiriçá, bem como nos territórios do Velho Chico, Bacia do Rio Corrente e sertão do São Francisco. A instituição defende o acesso à água como direito fundamental, assessora agricultores familiares e comunidades rurais, auxilia na implantação de cisternas e oferece formação e assistência técnica. “A Barriguda é uma benção de Deus”, pelo menos para uma humilde agricultora do município de Lapão, onde nasceu a entidade que completa 15 anos de vida em prol do povo sofrido do semiárido baiano.



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