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Olívia reverencia memória de Mãe Aninha de Xangô

Publicado em: 30/07/2021 08:59
Editoria: Notícia

A deputada Olívia Santana (PC do B) inseriu, na ata dos trabalhos da Assembleia Legislativa, uma moção de aplausos pela passagem do sesquicentenário de Mãe Aninha, Eugênia Anna dos Santos, Obá Biyi (Mãe Aninha de Xangô), fundadora do Ilê Axé Opô Afonjá, um dos mais tradicionais terreiros de candomblé da Bahia. A comunista diz que a yalorixá Mãe Aninha, referência da religião de matriz africana, "ultrapassou seu tempo, fez história e conquistou o posto de uma das mais importantes autoridades religiosas do Brasil''.

Oba Biyi, foi consagrada no Ilê Axé Iyá Nassô Oká (Terreiro da Casa Branca), onde recebeu os ensinamentos litúrgicos necessários para fundar dois terreiros: um no Rio de Janeiro e outro em Salvador, e exercer influência até os dias atuais. A trajetória da ilustre yalorixá, conta a parlamentar, tem muito a ver com justiça e se confunde com a do terreiro fundado por ela, regido pela divindade Xangô Afonjá. "Foi um caminho marcado pela busca do reconhecimento devido à contribuição cultural, intelectual e religiosa do candomblé e do povo negro ao país, pela busca da garantia da liberdade de culto para todas as pessoas e também pela importância e centralidade dada à educação, como forma de crescimento, emancipação e empoderamento", descreve.

Dirigido hoje por Mãe Ana de Xangô, a sexta sucessora de Mãe Aninha, o Afonjá é um dos mais antigos e respeitados terreiros de candomblé do Brasil. Situado em um território marcado pelo levante da população negra contra a escravização, outrora ocupado por parte do Quilombo do Urubu e liderado pela guerreira Zeferina, o Ilê Axé Opô Afonjá foi fundado em 1910 no que hoje conhecemos como São Gonçalo, uma região do bairro do Cabula, em Salvador. " Foi neste solo, marcado pela coragem, ousadia e vanguardismo, que estas duas mulheres, em tempos diferentes, juntaram pessoas, cuidaram, batalharam e ergueram o templo".

No documento, a presidente da Comissão dos Direitos da Mulher da ALBA reproduz as palavras de Mãe Ana de Xangô sobre Mãe Aninha: "Uma mulher negra guerreira que teve propostas de libertação e reconhecimento do candomblé. Mãe Aninha, na imensidão de sua inteligência, articulação e vanguardismo, pressionou o governo e conseguiu que o então presidente Getúlio Vargas, por meio do decreto nº 1202, colocasse fim à proibição institucional dos cultos afro brasileiros".

A legisladora lembra ainda que em 1936, antevendo a morte, que aconteceria um ano depois, a religiosa fundou a primeira sociedade existente em terreiro de candomblé do Brasil, a Sociedade Beneficente Cruz Santa Axé Opô Afonjá, para dirigir, manter e sustentar a comunidade, semeando a importância da educação.

Esta iniciativa, de acordo com a autora da moção, materializou-se mais tarde na criação da Escola Municipal Eugênia Anna dos Santos, na construção da primeira biblioteca comunitária do Brasil dentro de um terreiro de candomblé e na organização do Museu da Ancestralidade, além de outras atividades de luta e resistência. "A esta ancestral e a seu exemplo, nossos aplausos e a certeza de que seu legado sempre será lembrado e reverenciado por todas as pessoas de religiões de matriz africana, por simpatizantes e por todos aqueles e aquelas que respeitam a presença das energias divinas entre nós", finalizou a deputada Olívia Santana, que solicitou dar ciência desta homenagem à família de Mãe Aninha, à comunidade da Universidade Estadual da Bahia (Uneb) e ao Ilê Axé Opô Afonjá.


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