O deputado Tiago Correia (PSDB) apresentou à Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) uma indicação em que sugere ao governador do Estado a implantação de uma área de escape na rodovia BA-263, na Serra do Marçal, no trecho entre os municípios de Vitória da Conquista e Itambé.
A área de escape, explicou o parlamentar, consiste em uma caixa cheia de cascalho, pedregulho, pedras britas, argila expandida ou outros tipos de materiais, e geralmente é implantada em estradas situadas em serras e tem por objetivo reduzir danos graves em eventual acidente envolvendo veículos de grande porte sem freio. “Quando um caminhão sem freio acessa esse local, as rodas afundam rapidamente, e a parte inferior do veículo, como eixos, suspensão e chassi passam a ter atrito com o material da caixa, geralmente parando em poucos metros. A potência total de desaceleração de uma área de escape desse tipo pode ser superior aos 4 mil cavalos. Depois de entrar em uma caixa de brita, o caminhão só consegue sair com auxílio de guinchos”, detalhou o legislador.
O trecho apontado por Tiago Correia no sudoeste baiano é conhecido pela periculosidade em decorrência da sinuosidade da rodovia, com curvas acentuadas e relevo acidentado. “Apenas em 2019, foram registrados 189 acidentes na BA-263, sendo que muitos desses aconteceram na Serra do Marçal. Por causa do enorme declive e do número de curvas sinuosas, diversos veículos, na maioria caminhões e ônibus, acabam tombando nas curvas por não conseguirem diminuir a velocidade, colocando em risco tanto os condutores destes veículos, como também dos demais veículos e dos diversos ciclistas que trafegam pela rodovia”, alertou.
Assim, em caso de perda de freio do caminhão ou ônibus, o motorista terá a área de escape para reduzir a velocidade do veículo. Na proposição, o deputado explica que o instrumento surgiu nos Estados Unidos entre as décadas de 1950 e 1960, época em que começaram a surgir caminhões cada vez maiores e mais pesados, rodando por longas estradas e por trechos montanhosos. No Brasil, já há registros de implantação das áreas de escape. Para se ter uma ideia da eficácia desses dispositivos, mencionou Tiago Correia, somente nas rodovias BR-116 e BR-376, de 2011 até 2020, 413 pessoas foram salvas em 287 situações de emergência, envolvendo caminhões e ônibus.
“Podemos, então, perceber a importância dessas áreas de escape quando, por exemplo, na BR-116 o tráfego de caminhões e ônibus representa cerca de 60% do movimento total da rodovia”, exemplificou. Há ainda exemplos bem-sucedidos da ferramenta na Via Anchieta (SP-150), pista sentido litoral de São Paulo, e na BR-277, na Serra do Mar, em Morretes (PR).
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