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Planos de ação contra febre aftosa e monilíase são apresentados em audiência

Publicado em: 20/10/2021 06:47
Editoria: Notícia

Comissão de Agricultura, presidida pela deputada Jusmari Oliveira (PSD), discutiu o planejamento contra a doença pecuária e a praga cacaueira
Foto: Paulo Mocofaia

O Plano Estratégico de Combate à Febre Aftosa na Bahia, em desenvolvimento desde 2017 e com duração até 2026, foi apresentado em audiência pública semipresencial realizada, na manhã desta terça-feira (19), pela Comissão de Agricultura e Política Rural da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA).  Conduzido pela deputada Jusmari Oliveira (PSD), presidente do Colegiado, o encontro elucidou as etapas do planejamento que prevê uma maior segurança contra a doença, considerada a mais contagiosa do mundo no tocante ao gado, e também reservou um momento para a apresentação das ações de prevenção e vigilância à monilíase do cacaueiro.

“Nós sabemos que o governo Rui Costa tem desenvolvido uma política eficaz contra a febre aftosa, mas sabemos que precisamos avançar neste cuidado. Esse é um tema que sempre vem à tona quando falamos do desenvolvimento econômico do Estado da Bahia. Salientamos que estamos unidos para proteger o rebanho e oferecer ao consumidor um produto de qualidade”, afirmou Jusmari.

Conforme explicou José Neder Moreira Alves, técnico da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), o último foco da febre aftosa registrado no Brasil foi em 2006, especificamente no estado do Mato Grosso. No entanto, embora há alguns anos não tenha sido encontrado nenhum novo foco da doença, o controle da enfermidade que acomete animais terrestres, como os bovinos e suínos, tem sido feito a partir da vacinação periódica, apenas uma das etapas do plano de combate em vigência.

Atualmente, segundo Neder, 88,84% do plano estratégico foi concluído na Bahia. A estratégia apresentada compõe o Plano Nacional de Erradicação da Febre Aftosa (Pnefa), que prevê a suspensão da obrigatoriedade da vacinação contra a febre aftosa. Por isso, a Adab tem debruçado esforços para ampliar o percentual de vacinados e complementar as ações para alcançar um nível de maior segurança acerca da saúde do gado, o que, consequentemente, representa mais qualidade no produto que chega ao consumidor final.

Acerca do Pnefa, o expositor apresentou os objetivos gerais e específicos, quais sejam tornar o país livre da febre aftosa sem vacinação e com reconhecimento internacional; o fortalecimento às medidas de prevenção e redução das vulnerabilidades; fortalecimento das parcerias público-privadas, e a contribuição com a modernização da Defesa Agropecuária. Na oportunidade, também foram elencadas as vantagens para a Bahia evoluir para Zona Livre Sem Vacinação. 

“São inúmeras vantagens, a começar pela redução dos custos de produção na pecuária, com redirecionamento de recursos para investimentos e melhorias no manejo de rebanhos. Além disso, a economia direta de R$ 22,5 milhões anuais pela substituição da vacina por outras medidas de vigilância, fora custos indiretos como manejo do rebanho, deslocamento para aquisição de vacinas”, afirmou Neder. 

Outro ponto positivo dito pelo técnico da Adab foi o incremento de certificações de países importadores, uma vez que os países que erradicaram a febre aftosa não compram animais vivos de países que ainda não garantam 100% a segurança dos animais em relação à doença. “Em relação aos bovinos, o Brasil não transaciona com os Estados Unidos, por exemplo. E eles pagam praticamente o dobro do que os países que compram do Brasil costumam pagar. Abrir o mercado com os americanos será um grande impulso econômico”, afirmou.

A febre aftosa é uma doença extremamente contagiosa. O vírus que a transmite se mantém ativo em diversos materiais, a exemplo do plástico e do metal. A enfermidade gera lesões que incapacitam o animal para ser consumido e para reproduzir, causando grave impacto econômico.

Presente ao encontro, realizado nas salas das comissões Herculano Menezes e Luís Cabral, o secretário estadual da Agricultura, João Carlos Oliveira, destacou o grande momento da agropecuária baiana, bem como ressaltou que o setor deve manter os esforços no sentido do crescimento.

“Quando analisamos todas as cadeias produtivas, vemos que a agropecuária está se desenvolvendo. No entanto, precisamos estabelecer parcerias para que a gente possa avançar nesta construção. A Adab sempre conduziu com muita competência o combate da febre aftosa e outras ações de defesa na agropecuária. Sabemos da nossa responsabilidade enquanto órgão de defesa. Estamos construindo um plano de trabalho para discutir com o governador e reforçar ainda mais as ações”, afirmou. 

O diretor-geral da Adab, Oziel Oliveira, ressaltou a necessidade de levar a pauta para o governador Rui Costa. Na oportunidade, Oliveira destacou o trabalho desenvolvido pela Agência de Defesa Agropecuária, mesmo possuindo um quadro de colaboradores enxuto. Para o gestor, a Adab precisa ter aumentado o número de técnicos e ter investimentos no que tange à tecnologia. 

“Espero que essa agenda seja proativa. O Estado da Bahia, nos últimos 30 anos, tornou-se referência para a agricultura do país. Representamos 6% da produção nacional. Crescemos em grãos, na fruticultura, na pecuária. Os grandes polos de produção do estado têm crescido, e isso se faz com uma agência de defesa forte. Ela precisa ser mais fortalecida. E o fortalecimento com aumento do pessoal e da tecnologia do campo. É necessária uma reestruturação funcional da agência para assegurar o desenvolvimento do setor”, enfatizou. 

MONILÍASE

Em sua explanação, a engenheira agrônoma Catarina Cotrim, explicou que a monilíase é uma doença causada por um fungo. Segundo ela, este fungo é mais agressivo do que o que origina a Vassoura de Bruxa, praga que no passado devastou a plantação de cacau no sul da Bahia. 

A especialista disse que a contaminação por monilíase pode ser ocasionada pelo transporte do fungo pela chuva, vento, animais, ou pelo próprio homem.  “Os primeiros sintomas começam com trinta dias. Inchaço e deformação, mancha amarela até a mancha necrótica, e em seguida a aparição dos esporos que são a parte reprodutiva do fungo. Esse esporo fica durante bastante tempo em diversos materiais. Se o fruto for mantido no pé, durante dois anos ele fica gerando esporos”, elucidou. 

Recentemente, ocorrências no Peru e na Bolívia deixaram a América do Sul em alerta. No Brasil, um foco foi confirmado no Acre, no dia 8 de julho deste ano. Segundo Catarina Cotrim, desde a identificação do foco de monilíase, o Ministério da Agricultura tem combatido o problema. “Foi declarado um alerta fitossanitário para todos os estados produtores de cacau”, afirmou. 

A Bahia já desenvolve ações preventivas há alguns anos. No passado, o Programa de Prevenção à Monilíase do Cacaueiro passou a funcionar a fim de evitar a chegada da praga no estado. A segurança contra a monilíase na Bahia interessa a todos os estados produtores de cacau, uma vez que 95% de todo o cacau produzido no Brasil vai para Ilhéus, para ser moído. 

Com o países em estado de alerta por causa do foco encontrado no Acre e a facilidade de proliferação do fungo, foi criada uma comissão técnica regional na Bahia para desenvolver de forma sistêmica as ações de prevenção. Trabalhos de cunho educativo têm sido feito com os produtores, e ações de enfrentamento ao fungo desempenhadas. 

Para o deputado Rosemberg Pinto (PT), líder do governo na ALBA, o assunto deve ser encarado com seriedade no parlamento, tendo em vista a gravidade da situação. “Quero dizer que nós estamos preocupados com a situação da nossa agricultura e pecuária, e a ALBA sempre tratou isso com muito apreço. Nós precisamos tratar essa questão de forma incisiva. Precisamos contribuir, inclusive para o fortalecimento da Agência de Defesa Agropecuária, no tocante aos recursos humanos e também à tecnologia, para a prevenção das pragas e doenças e o seu enfrentamento”, disse. 

Além dos já citados, participaram do encontro os deputados Neusa Cadore (PT), José Raimundo (PT), Pedro Tavares (DEM) e Vitor Bonfim (PL). O médico veterinário Altair Santana representou a Superintendência Federal da Agricultura. A Federação da Agricultura do Estado da Bahia (Faeb) foi representada por Guilherme Moura, e a Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) foi representada por Lanns Almeida. O encontro foi transmitido ao vivo pela TV ALBA.



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