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ALBA concede Comenda 2 de Julho à secretária Fabya Reis

Publicado em: 08/04/2022 16:33
Editoria: Notícia

A sessão de entrega da honraria foi marcada pela emoção, com a proponente Fátima Nunes Lula destacando a trajetória da homenageada e sua luta nos movimentos sociais
Foto: NeuzaMenezes/AgênciaALBA

A história de luta da secretária estadual de Promoção da Igualdade Racial, Fabya Reis, foi mais uma vez reconhecida pela Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). Em sessão especial realizada na manhã desta sexta-feira (8), a titular da pasta recebeu no plenário da Casa a Comenda 2 de Julho, maior honraria do Parlamento baiano.




A honraria foi proposta pela deputada Fátima Nunes Lula (PT). Segundo a parlamentar, Fabya Reis é mais uma mulher negra do interior da Bahia a ocupar um espaço de poder e liderar a luta por Justiça Social. “Toda palavra para uma grande mulher é pequena. Fabya Reis é uma de nós. A nossa querida secretária representa o nosso existir e o nosso resistir, e o nosso jeito feminino e feminista de combater as desigualdades. Ela inspira todos os dias novas formas de viver, de agir e trabalhar”, afirmou a petista.




Para a homenageada, o ato, regado de simbologia, deu ensejo a um momento de emoção, além de representar um incentivo a mais para a continuidade dos trabalhos de enfrentamento ao racismo, machismo, e de busca pela igualdade de direitos para a população negra da Bahia.




Somos filhas dessas lutas sociais contra o racismo, machismo, violência. Por isso, sim, merecemos estar aqui, para que os nossos compromissos e vozes sejam reverberados em nós como uma fala de luta que chega a todos, todos os dias. Agradeço aos companheiros e companheiras de luta, às nossas secretárias que estiveram aqui hoje. A gente não caminha só. Juntos temos uma força incalculável. Precisamos acreditar sempre”, discursou emocionada.




Fabya Reis chegou ao plenário da ALBA acompanhada da mãe, a senhora Maria do Carmo. A titular da Sepromi foi recebida, de pé, pelo público, com aplausos. Durante a cerimônia, diversas homenagens foram feitas por representantes dos movimentos sociais - a exemplo da banda do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia, Maestro Claudionor Vanderlei, que tocou o Hino da Bahia. Aos gritos de “Sou sem terra, sou sem terra, eu sei. Essa identidade foi a mais bonita que eu ganhei”, o MST expressou gratidão, e o cantor e compositor Tonho Matéria, em tom declamatório, cantou para a homenageada.





Para a deputada Olívia Santana (PC do B), a entrega da comenda foi um justo reconhecimento pela atuação aguerrida de Fabya Reis ao longo de toda a vida. “Essa foi uma belíssima iniciativa de fazer a entrega da Comenda 2 de Julho, a medalha que simboliza a autonomia de um povo. E a Secretaria da Promoção da Igualdade Racial tem essa vocação de promover a autonomia da população negra, a valorização e afirmação. Essa manhã de sexta-feira é carregada de simbolismo. Uma justa homenagem a Fabya Reis, por tudo o que tem feito”, disse.




TRAJETÓRIA




Fabya Reis, que nasceu em Itamaraju, iniciou a sua vida pública aos 17 anos no movimento dos trabalhadores rurais. Aos 19 anos, mudou-se para Itabuna para assumir a secretaria da regional sul do movimento. Em 1997, foi transferida para Salvador, onde assumiu a coordenação estadual do MST. Ela comandouo a organização de projetos para os acampamentos da reforma agrária. Na formação acadêmica, graduou-se em administração, focando na dinâmica das organizações da sociedade civil. Possui mestrado em Sociologia pela Universidade Federal de Campina Grande. E, na mesma instituição de ensino, tornou-se doutora em Ciências Sociais no ano de 2014. Foi professora da Universidade Federal da Bahia (Ufba), em 2015.




No âmbito da gestão pública, passou pelas secretarias de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (Sedes); de Política para Mulheres (SPM); e Promoção da Igualdade Racial, onde até hoje tem trabalhado para consolidar direitos da população negra, além de fortalecer as políticas de enfrentamento ao racismo e à intolerância religiosa.




Por toda a sua história, e por tudo o que você representa, para mim é uma honra estar hoje aqui nesta tribuna. Parabéns, Fabya, pela sua trajetória, trabalho, dedicação ao nosso povo, que é o povo deste país que eu amo profundamente”, afirmou a deputada Maria del Carmen (PT).




Segundo o deputado Marcelino Galo Lula (PT), Fabya Reis é um exemplo de determinação e busca por oportunidade. Para o parlamentar, Fabya tem feito a diferença à frente da secretaria de Estado em uma luta histórica da população negra. “Temos o privilégio de contar com uma intelectual, uma mulher com tamanha capacidade de pensar a sua realidade, de ser uma secretária da melhor qualidade. Fabya vem dessa luta por oportunidade e busca pela igualdade. Ela é filha de trabalhadores rurais, estudada e formada, graças a essa luta”, destacou.


Conforme ressaltou a coordenadora do MST, Lucineia Durães, para galgar posições na vida, uma mulher negra, nordestina e pobre, como Fabya Reis, precisa enfrentar desafios que pessoas em outros contextos mal podem imaginar. De acordo com Durães, inclusive, o ingresso às universidades mostra-se em regra como um objetivo difícil de ser alcançado. Contudo, ao se tornar pós-doutora, Fabya Reis foi muito além do que a maioria da sociedade, o que a coloca na condição de um símbolo de coragem e resistência.




A universidade é outro latifúndio, mas foi quebrando a cerca deste latifúndio que forjamos a doutora sem terra ou a sem terra doutora. Por isso eu sei que ao lado da cadeira da deputada Fátima Nunes não está sentada apenas uma secretária de Estado e a pós-doutora Fabya Reis, filha de dona Maria e Zé Pedro. Está sentada naquela cadeira hoje os 224 acampamentos da Bahia, os 147 assentamentos e os mais de 15 mil sem terras dos acampamentos do Estado”, enfatizou.




Quem também marcou presença no encontro desta sexta foi o deputado federal Valmir Assunção (PT), marido da homenageada. Em discurso no plenário, o parlamentar ressaltou as qualidades da esposa, tanto no âmbito pessoal quanto profissional.


Sei da disciplina e organização dela. Sou testemunha do quanto ela é uma mulher organizada e trabalhadora. Ela é dedicada naquilo que faz. Sem dúvida, ela é fundamental para eu ser do jeito que sou. Tenho um orgulho muito grande de compartilhar as nossas vidas e lutas. Te amo”, declarou Assunção.




A composição da mesa contou com as presenças da Cacique Kandara Pataxó; a coordenadora do MST, Lucinea Durães; a vice-presidente do Conselho da Comunidade Negra, Ekedi Lindinalva de Paula; Ebomi Nice da Casa Branca e da Irmandade da Boa Morte e Rosário dos Pretos; o capelão da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e Reitor do Santuário da Eucaristia do Senhor, padre Lázaro Muniz; o subcomandante da PM, coronel PM Machado, que no ato representou o comandante-geral da Polícia Militar coronel PM Coutinho; comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia, coronel Marchesini; a secretária estadual de Cultura, Arany Santana, que no ato representou todos os secretários do Estado; o defensor público geral, Rafson Ximenes; a procuradora de Justiça, Márcia Regina dos Santos Virgens, que representou a procuradora-Geral de Justiça do Estado da Bahia, Norma Angélica Cavalcanti; e o deputado federal, Valmir Assunção (PT).


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