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ALBA celebra os 202 anos da Irmandade da Boa Morte

Publicado em: 05/08/2022 15:35
Editoria: Notícia

O concorrido evento aconteceu no Auditório Jornalista Jorge Calmon em uma iniciativa da Comissão dos Direitos das Mulheres do Legislativo
Foto: JulianaAndrade/AgênciaALBA
A Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) sediou, na manhã desta sexta-feira (5), um ato solene de celebração pelos 202 anos da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, responsável pela realização da Festa da Boa Morte na cidade de Cachoeira, no Recôncavo baiano. O concorrido evento aconteceu no Auditório Jornalista Jorge Calmon em uma iniciativa da Comissão dos Direitos das Mulheres, e foi marcado pelas homenagens prestadas a integrantes da confraria.


A solenidade foi conduzida pela deputada Olívia Santana (PCdoB), presidente do colegiado promotor do ato. Para a legisladora, a irmandade, que é reconhecida como patrimônio cultural imaterial pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), merece ter sua história como disciplina na grade curricular das escolas baianas. “Nós temos uma responsabilidade muito grande frente a nossas irmandades e confrarias. Em especial essa irmandade de 202 anos, que nasceu em meio a um regime de escravidão por iniciativa de mulheres que tiveram a coragem de lutar por libertação. Podemos dizer que foi um ato feminista em ambiente tão adverso. Não podemos falar na história do Brasil sem falar dessas mulheres”, contextualizou.


Ainda conforme Olívia Santana, a relevância da Irmandade da Boa Morte deve ser destacada para que sirva de referência para as mulheres negras que lutam contra o racismo atualmente. A deputada frisou ainda que a irmandade se constituiu no sincretismo religioso, “uma manifestação afro-luso-brasileira” por reunir elementos do catolicismo e do candomblé. Integrante da Comissão da Mulher, a deputada Fátima Nunes (PT) manifestou sua alegria em presenciar o ato de homenagem aos 202 anos da irmandade. “Nossas ancestrais conseguiram uma coisa extraordinária: dar à instituição o nome Boa Morte, algo tão desafiador. Sabemos que a morte é sempre algo que dói”, ponderou a legisladora.


Entre as dez representantes da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte que estavam na mesa, a irmã Joselita Sampaio Alves foi a oradora escolhida para falar em nome de todas elas. Ela agradeceu a todos pela presença e não se conteve ao iniciar suas primeiras palavras no púlpito: “A emoção me tomou da cabeça aos pés”. “Eu agradeço a todos vocês aqui presente. Nesse momento, agradeço por estarmos aqui nesse recinto, nessa Assembleia cheia de pessoas maravilhosas, cheia de axé. Porque aqui o axé está refletindo tudo, e eu quero que cada dia mais esse axé reflita com toda a sua força na nossa Bahia e no nosso país”, disse.


Ao fim do seu discurso, irmã Joselita convidou a todos para a tradicional Festa da Boa Morte, que acontecerá neste mês de agosto entre os dias 13 e 17. “Cheguem até lá, porque quanto mais eu vejo vocês, mais eu me emociono e vejo a nossa força, a nossa raiz. Aquela mãe pertence a cada um de vocês”, apontou, pedindo aos presentes que fortaleçam a irmandade, que tem sede no município de Cachoeira, no Recôncavo baiano. A vice-prefeita da cidade, Cristina Soares, também presente ao ato, demonstrou sua satisfação de acompanhar a tradição da confraria nos últimos anos. “É uma honra muito grande estar há dez anos participando da celebração de Nossa Senhora. Hoje, tenho certeza de que toda a ancestralidade que envolve a irmandade está conosco aqui neste evento”, disse.


A secretária estadual de Cultura, Arany Santana, representou o governador Rui Costa no evento. De acordo com ela, a confraria afro católica brasileira tem uma importância imensurável para a Bahia, o Brasil e o mundo. “Essas mulheres que integram a confraria são detentoras de saberes e legados. Promoveram a defesa e a reparação de direitos de negros e negras escravizadas. A irmandade é um símbolo de resistência e superação. Por isso, esse é o momento de demonstrar nossa gratidão a essa irmandade”, destacou a secretária.


Presentes ao ato, as deputadas federais Alice Portugal (PCdoB) e Lídice da Mata (PSB) enalteceram o papel e a luta das mulheres negras na formação e atuação da irmandade ao longo dos anos. “Essas mulheres se abrigaram no sincretismo religioso sem jamais negar suas raízes”, ressaltou Alice. Lídice, por sua vez, afirmou que a solenidade promovida pela Comissão dos Direitos das Mulheres é uma das mais importantes homenagens já realizadas no Parlamento baiano. “Como cachoeirana que sou, me sinto muito orgulhosa da nossa tradição, da nossa história e da nossa raiz africana, todas preservadas pelo nosso povo nas suas mais diversas manifestações”, afirmou a socialista.


A secretária estadual de Políticas para as Mulheres, Julieta Palmeira, parabenizou a comissão da ALBA pela iniciativa em homenagear a confraria que reúne atualmente cerca de 30 mulheres negras. “Essa cerimônia histórica representa exatamente a celebração da mulher negra, que nos ensina todos os dias que viver é resistir”. O padre Lázaro Muniz, da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no Centro Histórico de Salvador, classificou a solenidade como “momento grandioso” e agradeceu pela oportunidade de participar do ato.


Ao fim da solenidade, placas de homenagens foram entregues às integrantes da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte. Além das autoridades e representantes já mencionados, integraram a mesa no decorrer do ato: a deputada Fabíola Mansur (PSB); a irmã Lindaura da Paz dos Santos; irmã Aurelina de Jesus; irmã Ana Gilda Cerqueira; irmã Ana Maria da Conceição; irmã Nice Evangelista Espínola; a noviça Eraclides Ferreira do Nascimento; noviça Maria Aparecida Soares; noviça Gilma Moreira de Sousa Santos; noviça Juçara Lopes Santos Fontes; o reitor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Fábio Josué Souza dos Santos; Ângela Guimarães, presidente nacional da União de Negras e Negros pela Igualdade (Unegro); a vereadora de Lauro de Freitas, Luciana Tavares (PCdoB); a socióloga Vilma Reis; e a vereadorade Salvador, Maria Marighella (PT).




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