A morte do artista plástico baiano Emanoel Araújo, diretor e curador do Museu Afro Brasil, nesta quarta-feira (7), aos 81 anos, em São Paulo, foi lamentada pela deputada Fabíola Mansur (PSB), que apresentou moção de pesar na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). Escultor, desenhista, ilustrador, figurinista, gravurista, cenógrafo, pintor, curador e museólogo, ele também lecionou artes gráficas e escultura no Arts College, na The City University of New York (1988). “O Brasil perde um dos seus maiores artistas. Muito simbólico sua morte no dia 7 de setembro. Emanoel Araújo nasceu em outra data cívica, 15 de novembro de 1940, em Santo Amaro da Purificação. Ele era um verdadeiro patriota, amava seu país e sua terra, a Bahia, seu povo e nossas manifestações artísticas. Divulgou o Brasil e a cultura do país no mundo. Um ícone da cultura negra no Brasil”, declarou Mansur, no documento.
Como explicou a parlamentar, Emanoel, “artista, professor, pesquisador e gestor público de múltiplos talentos”, formou-se pela Escola de Belas Artes da Ufba e construiu carreira na Bahia, onde dirigiu o Museu de Arte da Bahia (MAB), até seguir para São Paulo, onde ganhou muita notoriedade e respeito como artista e gestor público. “Deu uma nova dinâmica à Pinacoteca de São Paulo, que dirigiu por dez anos, criou o Museu Afro Brasil, no Parque Ibirapuera – o mais importante espaço do Brasil dedicado à arte afro-americana. Parte considerável do acervo do museu foi doado pelo próprio artista”, elencou a legisladora.
Segundo ela, Emanoel Araújo trabalhou durante toda sua vida pela valorização da história da arte afrodescendente brasileira e da arte africana e dedicou toda sua existência à pesquisa da diáspora africana. O artista tem obras espalhadas em coleções particulares e em museus de cidades como Nova York e Los Angeles (EUA), Firenze (Itália), Kansai (Japão), Sidney (Austrália). “É com grande pesar que registro a partida do imenso Emanoel Araújo nesta Casa Legislativa. O enorme artista que acabamos de perder realizou, ao longo de sua trajetória, centenas de exposições e projetos artísticos no Brasil e no exterior. Além de grande intelectual, Emanoel foi fundamental para diminuir as barreiras e a fronteira da cultura afro-brasileira. Um marco no reconhecimento da cultura negra no Brasil e na autoestima do negro brasileiro. Emanoel Araújo adorava celebrar as datas cívicas com exposições, era apaixonado pela saga do 2 de Julho”, disse a deputada.
De acordo com a socialista, Emanoel Araújo estava trabalhando atualmente para levar ao Museu Afro Brasil, em novembro, uma exposição temática sobre o bicentenário da independência, entrelaçando duas datas: o 7 de Setembro, dia da proclamação da independência do país, na capital paulista, e 2 de Julho de 1823, data do movimento da independência baiana que efetivou o processo de emancipação do Brasil. “No 2 de Julho deste ano, ele estava na Bahia, como sempre fazia. Além de contemplar o desfile nas ruas de Salvador, visitou diversas instituições, a exemplo da Câmara Municipal de Salvador, as fundações Pedro Calmon e Gregório de Mattos e o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGBA), em busca de obras de valor histórico para compor duas exposições que celebrariam o bicentenário da Independência do Brasil nos museus Afro Brasil e Ipiranga, em São Paulo”, contou Mansur. “Nossos sentimentos e abraço afetuoso aos familiares, amigos e admiradores deste grande artista, o mais importante representante da arte afro-brasileira. Muito obrigada por tudo, Emanoel Araújo. Siga na luz. Por aqui, você iluminou muitos caminhos”, concluiu a deputada.
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