O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Adolfo Menezes (PSD), considerou um insulto do presidente da República, Jair Bolsonaro, à Região Nordeste, chamando os seus eleitores de analfabetos, em falas externadas no dia 5 de outubro, logo após os resultados do 1º turno da eleição, que deu a vitória ao candidato Lula. Na moção encaminhada à Mesa Diretora da Casa das Leis, o parlamentar afirmou que o chefe da Nação, em mais um dos seus inaceitáveis insultos aos brasileiros, “passou de todos os limites ao atacar diretamente a população de uma região do país, inconformado com o número de votos desfavorável saído das urnas em nove estados, revelando descontrole emocional e absoluta falta de decoro ao cargo”.
O deputado acrescentou que “Faz-se imperativo dizer ao presidente da República que o Nordeste é o berço de grandes homens e vultos em escala internacional no campo da literatura, da ciência, das artes, da educação, da cultura, da música, do esporte, da política e até no campo do sagrado, da fé. Irmã Dulce dos Pobres, primeira santa nascida no Brasil, é nordestina, é baiana. Chega a ser uma heresia chamar de analfabetos os conterrâneos do mestre Paulo Freire, um dos principais cientistas do mundo no campo da educação”.
No documento, o presidente da ALBA pede “mais respeito pelo Nordeste, mais respeito por esse povo guerreiro, honesto, trabalhador, que ganha o pão de cada dia com o suor do rosto, mais respeito por essa região historicamente desassistida na divisão da renda nacional”. O deputado afirma ainda que o nordestino votou no 13 para presidente, majoritariamente, por uma questão de justiça e por razões concretas, já que o ex-presidente “Lula foi o homem que, no cargo maior do país, olhou com atenção e construiu oportunidades aos bravos nordestinos”, pontuou Adolfo Menezes, destacando que apenas nos governos petistas, que o Nordeste experimentou pujança econômica, conhecendo, de fato, desenvolvimento, mostrando que pode ser uma das locomotivas do PIB (Produto Interno Bruto) nacional.
Para isso ocorrer, de acordo com o parlamentar, é preciso oportunidades e investimento público. Ele explica que na única vez que isso aconteceu na região nos últimos 50 anos, de 2003 a 2013, o Nordeste apresentou ao país índices de crescimento ao ano da ordem de 4,1%, superando o Brasil, que ficou em 3,3% ao ano. Em 2012, prossegue o parlamentar, “a economia da região que o Senhor Presidente chama de analfabeta cresceu o triplo da nacional e também foi nesse período, reconhecido internacionalmente, que mais os nordestinos saíram da pobreza, afastando-se da vergonha do mapa da fome. É por isso que os nordestinos não esquecem Lula”.
Na moção em que critica os insultos do presidente Bolsonaro, o presidente da ALBA lembra que em 2002, “quando o melhor presidente da história do país sentou na cadeira que o senhor ocupa hoje para ofender, maltratar e desonrar nossa gente, mais de 21,4 milhões de nordestinos viviam na pobreza e dez anos depois, em 2012, essa chaga caiu para 9,6 milhões, de acordo o IBGE”. Foi o Nordeste quem respondeu, entre 2003 e 2013, por 61% da redução da pobreza no Brasil, conforme mostrou o Fórum Brasil Regional, em junho de 2015. “Como um povo muito sábio, presidente Bolsonaro, o nordestino não tem como esquecer Lula, porque foi ele quem universalizou o atendimento à Educação Infantil e também no Ensino Médio, foi nos governos dele que o Nordeste ultrapassou a região Sul em alunos no Ensino Superior (20% do total), ficando atrás somente do Sudeste”, declarou.
Adolfo Menezes cita ainda que das 18 universidades federais criadas no país nas gestões petistas, nada menos que sete se encontram no Nordeste, essas mesmas instituições de ensino que o Senhor agora, criminosamente, asfixia financeiramente, retirando até mesmo as verbas de custeio. Ressalta, porém, que os estudantes
nordestinos retribuem dando exemplo. Ano passado, entre os 10 alunos com nota 1.000 na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), sete são mulheres nordestinas. "Esse povo, definitivamente, não é analfabeto. É muito sábio. Não é razoável a um chefe de Estado, um presidente da República jogar uma região do país contra as outras. O Brasil é um só. Não jogue o Nordeste contra o país. Plante amor entre os brasileiros, não o ódio", ponderou o chefe do Legislativo baiano.
Por fim, o presidente da ALBA exortou a todos os outros oito presidentes de Legislativos da região a também apresentarem moção de repúdio às suas Mesas Diretoras contra esse inaceitável insulto. “Presidente, não atente contra o povo nordestino. O Nordeste não é analfabeto. Sepulte a sua xenofobia, como os nordestinos saberão sepultar, com o seu voto, qualquer presidente que tente desonrá-los. Essa gente guerreira e inteligente saberá te dar a resposta no dia 30 de outubro”, finalizou o deputado Adolfo Menezes, solicitando que o conteúdo desta iniciativa seja do conhecimento do Governo do Estado da Bahia, das Assembleias Legislativas dos estados de Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Ceará, Piauí, Maranhão e Rio Grande do Norte, além da Executiva Estadual do PSD.
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