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Hilton alerta para ameaça ao Terreiro da Casa Branca

Publicado em: 13/04/2023 10:20
Editoria: Notícia

Deputado Hilton Coelho (Psol)
Foto: AscomALBA/AgênciaALBA

O deputado Hilton Coelho (Psol) se solidarizou com o Terreiro Ilê Axé Iyá Nassô Oká, conhecido como Casa Branca, “diante das sucessivas invasões do seu território, do desrespeito ao território sagrado e da ameaça à segurança do templo religioso por obra irregular na vizinhança”.


Em moção de solidariedade apresentada na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), Hilton contou que, nos últimos dias, integrantes da Casa Branca foram às redes sociais denunciar as ameaças de destruição que vêm sofrendo por conta da obra de cinco andares em construção no terreno ao lado do centro religioso.

“O prédio, sem alvará ou acompanhamento da Prefeitura de Salvador, tem preocupado os representantes do terreiro com um possível desabamento, colocando em risco a vida dos membros da comunidade”, explicou.

Os representantes do terreiro afirmaram, nas redes sociais, que obra poderá destruir a Casa Sagrada do Orixá Omulu e matar filhas e filhos de santo da Casa Branca. “É a crônica de uma tragédia anunciada. Um crime a céu aberto. Inaceitável a inação das autoridades”.


Iniciada em 2019, a obra adjacente ao centro religioso, na Ladeira Manoel Bonfim, foi embargada e teve o último pavimento demolido pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Sedur) em 31 de março, após as denúncias.

De acordo com o deputado, não é a primeira vez que integrantes da casa denunciam a situação. Os responsáveis pelo terreiro já recorreram ao Ministério Público, que convocou uma reunião para tratar do assunto, mas a obra seguiu em andamento. A delação também foi feita ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Porém, apesar de reconhecer a infração, o Iphan não tomou nenhuma providência para o embargo da construção.


Na moção, Hilton Coelho pontua que o terreiro resiste às mazelas sociais e raciais do Brasil e vivenciou, ao longo dos anos, sucessivas invasões do seu território, já tendo lavrado pelo próprio Iphan, 33 autos de infração pelas invasões nos últimos 23 anos.


O parlamentar lembrou que, antes desse último episódio, ocorreu uma invasão da parte frontal do território do terreiro por um posto de gasolina.  “Na época, a Casa Branca não possuía a escritura do local e precisou entrar com uma ação na Justiça, conseguindo retirá-lo e implantar a Praça de Oxum, espaço inaugurado em 1993 e que foi projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer”.


A Casa Branca foi fundada em 1830 e é o terreiro mais antigo do Brasil. É também o primeiro terreiro de Candomblé tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional como Patrimônio Cultural Brasileiro (Iphan), além de ser inscrito nos livros do Tombo Histórico e Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico, em 1984.

Para Hilton, a construção de um edifício no mesmo local do terreiro, “é desrespeitar a representação cultural do espaço, é uma forma de danificar a paisagem do lugar e provocar o apagamento de um território religioso de grande importância para história negra e afro-brasileira”.







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