Os servidores e visitantes da Assembleia Legislativa estão tendo a oportunidade de conhecer e apoiar o trabalho de diversas organizações não governamentais de Salvador que atuam em prol de pessoas portadoras de deficiência. Durante esta semana, várias entidades beneficentes expõem e comercializam peças criadas pelas famílias associadas, no corredor em frente a lanchonete da Associação dos Servidores da ALBA.
São doze barracas onde estão à venda objetos de decoração e utilidade doméstica e pessoal, como sapatos, roupas e bolsas, jogos americanos, pendura-toalha, sabão orgânico, assim como brinquedos e iguarias diversas. Para quem se interessar, há uma equipe de massoterapeutas deficientes visuais da Associação Baiana para Cultura e Inclusão fazendo “massagem às cegas” de cadeira (quick massagem) e reflexologia. A associação conta com 77 membros, todos deficientes visuais, mas abraça outras causas em prol de políticas públicas nas áreas de esporte e lazer.
Para Claudia Santana, a feira é fundamental para divulgar o trabalho da pessoa com deficiência, para mostrar que ela tem capacidade, que pode ser útil e cuidar do próximo e mostrar à sociedade que nós temos liberdade de expressão e de voz. É união, é força, é trabalhar para uma sociedade mais justa e humana”, colocou.
INTERATIVIDADE
Além da venda dos produtos, as expositoras interagem com o público consumidor, informando sobre a situação do público assistido por elas, as ações realizadas, as demandas do segmento e meios de prevenção, como é o caso de Maria das Graças Machado, há 23 anos portadora de HTLV, retrovírus da família do HIV que infecta a célula T humana, linfócito importante para o sistema de defesa do organismo.
À frente da barraca da Associação HTLVida, Maria das Graças falou da incidência de HTLV na Bahia – 136 pessoas -, um vírus que ela considera negligenciado e pouco conhecido da população. O contágio pode acontecer na amamentação, no sexo desprotegido e por compartilhamento de seringas, agulhas ou outros objetos perfurantes, o vírus se aloja na coluna e, como consequência, o paciente pode ter quadros neurológicos degenerativos graves, leucemia e dermatite infecciosa, entre outras complicações.
Para ela, dar visibilidade ao problema é importante para conter o contágio. A participação na feira da ALBA é muito importante para divulgar, mas também para angariar recursos para a entidade. “A gente não tem uma sede própria, nem dada pelo governo, nem pelo município. Então, as coisas que a gente vende aqui é pra arrecadar fundos pra o aluguel, água, luz, cesta básica para as pessoas que têm o vírus, mas não contribuíram e não tem direito a aposentadoria, sondas e fraldas pras pessoas que necessitam”, afirmou.
CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIAS
Presidente da Associação de Mães, Amigos e Pais de extraordinários, que acolhe 220 crianças e 30 adultos com deficiências diversas, a maioria com microcefalia e autismo, Joseane Oliveira mostrou os artigos de artesanato e as iguarias produzidas pelas mães. Pela primeira vez expondo os produtos da entidade, ela considera a feira uma oportunidade de apresentar a associação para as pessoas e de gerar renda não só pra associação, mas para as mães associadas. “E isso aumenta a autoestima das mulheres, a gente não se sente só mãe, a gente se sente útil, produtiva, mulher que pode colocar o pão na mesa não só através de doação”. Além de vender, Joseane pretende conseguir mais amigos e mais parceiros pra associação.
Agraciada, no ano passado, com a Comenda 2 de Julho da ALBA, a presidente da associação Abraça a Microcefalia, Joana Passos, colocou a importância de estar no evento, não só para vender os produtos, mas para divulgar o trabalho da entidade e fazer parcerias. Como a maioria das que participam da feira, a ONG vive exclusivamente de doações, de vendas e realizando eventos. “Nós não temos nenhum convênio público firmado ainda. Então, pra continuar com as atividades e manter a instituição viva, a gente precisa sair do nosso ambiente, ter um espaço para vender nossos produtos, falar do nosso trabalho, pedir ainda mais apoio pra poder continuar”, explicou.
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