O deputado Hilton Coelho (Psol) apresentou moção de solidariedade ao pescador Raimundo Esmeraldino, mais conhecido como Siri, liderança histórica em defesa do modo de vida das comunidades tradicionais pesqueiras da Ilha de Boipeba, município de Cairu. “Seu Siri precisou se retirar de seu território tradicional – Cova da Onça - por conta de ameaças. A liderança foi intimidada em razão do enfrentamento histórico contra o empreendimento imobiliário Ponta dos Castelhanos, na Ilha de Boipeba, o qual é incompatível com a preservação do modo de vida tradicional pesqueiro da região”, afirma o parlamentar.
Hilton Coelho destaca que “indignação recebemos a notícia de que, Seu Siri, 60 anos, foi ameaçado de morte por meio de mensagens, áudios, vídeos e precisou sair de sua casa e território de identidade. Desde 2008 vem apresentando argumentos da perda da área tradicional e dos impactos que um empreendimento de luxo pode acarretar à vida na região. Em contraposição, o empreendimento Ponta dos Castelhanos vem sendo apresentado erroneamente como um vetor de desenvolvimento sustentável e uma forma de realizar capacitação de mão de obra”.
A construção pretende ocupar 1.651 hectares de extensão em Área de Proteção Ambiental (APA), o que corresponde a 20% do território da ilha. Embora licenciado pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), pode-se constatar por meio da análise documental que a venda da suposta propriedade da União é ilegal, pois a ocupação originária é precária e a compra foi feita a partir de um ex-prefeito do município responsável pela Ilha, que responde a um processo na Justiça por tomada de terra.
O referimento empreendimento pertence à sociedade Mangaba Cultivo de Coco Ltda., formada por empresários, como José Roberto Marinho (dono da Rede Globo), Armínio Fraga (ex-presidente do Banco Central), além de Clóvis Macedo, Marcelo Stallone, Antônio Carlos de Freitas Valle e Arthur Baer Bahia.
“Diante do exposto, nossa irrestrita solidariedade à luta de um guerreiro, Raimundo Esmeraldino, Seu Siri, que prioriza a liberdade, autonomia e preservação da cultura diante da promessa de um desenvolvimento que já começou a destruir laços de fraternidade e identidades de uma comunidade pesqueira”, finaliza Hilton Coelho.
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