Exposição Retratos do artista plástico, fica até sexta-feira no Saguão Josaphat Marinho,
Foto: PauloMocofaya/AgênciaALBA
De um material muitas vezes subestimado, é possível conhecer lugares, reproduzir imagens e retratar pessoas. Frequentemente associado à embalagem e a utilização temporária, o papelão tem tido uma serventia especial para o mundo da arte. Na exposição Retratos, do artista plástico André Araújo, a chapa de papelão transcendeu o trivial e está encantando quem passa pelo Saguão Josaphat Marinho, na entrada principal da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). Através de uma combinação técnica de decalque, corte e raspagem feitos com estilete, Araújo transfere uma imagem qualquer para o material, transformando-o em cardboard, uma arte semelhante a um quadro feito de papelão esculpido.
Conforme explicou o artista, o papelão possui algumas camadas - uma branca parecida com uma folha de papel, uma ondulada e outra parda, - que combinadas podem formar imagens. Ainda de acordo com Araújo, as obras são produzidas em etapas, a partir de uma foto escolhida aleatoriamente. Essa imagem passa pelo trabalho de iluminação, com adequação de brilho e sombra no computador; é transferida para a camada branca da chapa de papelão através de desenho ou decalque; e começa a ganhar contornos de arte à medida que André Araújo esculpe o material, seguindo o traçado feito. Minuciosamente, o artista remove o excedente de papelão e realiza a raspagem das camadas indispensáveis para a formação da imagem, sendo a lixagem a etapa de ajustes finos da obra.
Os visitantes são convidados a explorar o papelão de uma forma totalmente nova, testemunhando como as texturas e formas podem ser moldadas para registrar momentos profundos e transmitir mensagens. Cada peça exibe a habilidade do artista de transformar algo comum em extraordinário. “É um trabalho monocromático entre marrom, pardo e o branco. A sombra é utilizada para dar o contraste. Atrás de cada parte de sombra, vem a cor branca. Quando eu termino com branco, atrás tem que ser pardo. Eu me identifiquei em fazer retrato de pessoas, e eu acho que tem ficado bem realista. Mas já aconteceu de me pedirem para fazer um cardboard de três cavalos, e também de lugares”, contou.
De acordo com Araújo, sua inspiração é extraída nas nuances das expressões faciais das pessoas e nos momentos efêmeros do cotidiano. Na exposição, a primeira individual do artista, os visitantes podem conferir também imagens de locais, como o Pelourinho, e de santidades como Santa Dulce dos Pobres e São Miguel Arcanjo. Ao todo, quatorze cardboards estão ao alcance do público para serem contemplados e adquiridos. Os valores variam entre R$400 e R$2 mil. A exposição, promovida por intermédio da Escola do Legislativo, permanecerá aberta ao público até às 11h da próxima sexta-feira (18). Os interessados poderão testemunhar a magia que surge quando a criatividade encontra a sustentabilidade.
TRAJETÓRIA
André Araújo é arquiteto e urbanista, formado em 2009 pela Universidade Federal da Bahia (Ufba). Ele divide seu tempo entre os projetos arquitetônicos e a produção artística. Como artista, já participou de algumas exposições coletivas, entre elas “Memórias do Cárcere - Olhares da Alma, em 2019. Desde 2018 se dedica à criação de cardboards com estilete, tendo aprimorado esta arte durante a pandemia da Covid-19. Araújo é noivo da também artista, Clarissa Mustafá, que também já realizou exposições de obras de arte na sede do parlamento estadual.
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