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Palestra da pesquisadora Mabel Freitas destaca participação feminina no 2 de Julho

Publicado em: 21/08/2023 20:45
Editoria: Notícia

Presidente do Instituto Assembleia de Carinho, Denise Menezes disse que ?é uma satisfação para todos nós ver a Casa do Povo acolher mais uma celebração da luta pela Independência do Brasil na Bahia?
Foto: CarlosAmilton/AgênciaALBA
Uma mesa de mulheres para falar sobre mulheres. Esse foi o cenário do evento de encerramento do ciclo de palestras do bicentenário da luta do 2 de Julho. A pesquisadora e pós-doutora em educação Mabel Freitas foi quem abrilhantou a tarde ao proferir a palestra “Entre Angélicas, Felipas, Quitérias e Saubarenses: o protagonismo feminino na Independência do Brasil na Bahia”. O ato foi promovido pelo Departamento de Pesquisa e pela Coordenação do Memorial da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) e ocorreu na tarde desta segunda-feira (21), no Auditório Jornalista Jorge Calmon.

A gerente do Departamento de Pesquisa do Legislativo baiano, Arlete Neiva, foi quem conduziu os trabalhos do evento. Ela agradeceu a todos que colaboraram para fazer o programa comemorativo se tornar realidade, com destaque para o presidente da ALBA, deputado Adolfo Menezes, os pesquisadores do grupo de trabalho e setores da Casa como Superintendência de Assuntos Parlamentares; Diretoria Parlamentar; Departamento de Pesquisa; Coordenação do Memorial do Legislativo; Assessoria de Comunicação Social; Cerimonial; Superintendência de Recursos Humanos; Superintendência de Administração e Finanças; Escola do Legislativo; Diretoria de Tecnologia da Informação; TV ALBA; Coordenação de Serviços Gráficos; e Coordenação de Sonorização.

A exposição feita por Mabel Freitas foi acompanhada com entusiasmo pelos estudantes do Colégio Estadual Professor Nelson Barros, que visitaram o Parlamento no âmbito do programa A Escola e o Legislativo, desenvolvido pela Escola do Legislativo.

A presidente do Instituto Assembleia de Carinho, Denise Menezes, integrou a mesa de honra e também representou o chefe do Legislativo, Adolfo Menezes. “É uma satisfação para todos nós ver a Casa do Povo acolher mais uma celebração do 2 de Julho, que marcou a independência do Brasil na Bahia. Sabemos que a batalha contra as tropas portuguesas só terminou em julho de 1823 aqui em nossa terra. Assim, precisamos resgatar para as nossas futuras gerações a bravura de mulheres que participaram das lutas”, afirmou.

A deputada Fabíola Mansur (PSB), procuradora especial da Mulher na ALBA, prestou uma homenagem à Mãe Bernadete, líder quilombola morta a tiros no quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na noite da última quinta-feira (17). A parlamentar também frisou a necessidade de dar notoriedade ao papel das mulheres heroínas que foram invisibilizadas nos livros didáticos. “É necessário destacar o protagonismo de mulheres que foram apagadas da nossa história pelos livros narrados pelos colonizadores”, reforçou.

PANORAMA

Mabel Freitas, por sua vez, foi ao púlpito do auditório traçar um panorama em que as principais personagens femininas da luta pela independência estavam inseridas. A pós-doutora também enfatizou que nomes como os de Maria Quitéria, Maria Felipa e Joana Angélica não são reverenciados como deveriam nos dias atuais.

Ela relatou que a luta popular contra as forças portuguesas tinha um quartel popular da inteligência baiana formado por indígenas, libertos e libertas, escravizados e escravizadas, marisqueiras, pescadores, dentre outros. Nesse contexto, Mabel frisou que muitas mulheres, combatentes habilidosas, foram para o campo de batalha. Em Saubara, elas se cobriam com lençóis brancos e saíam às ruas durante a noite assustando os portugueses. Nas cabeças, elas levam comida, armas e outros insumos para os maridos, filhos e parentes que se encontravam na guerra. “Elas eram consideradas fantasmas bélicas pelos portugueses. Eram mães, filhas, esposas, namoradas, todas anônimas na história. A historiografia infelizmente tem essa lacuna”, lamentou a pesquisadora.

Joana Angélica de Jesus foi uma mártir da independência da Bahia. De acordo com Mabel, ela era uma mulher branca, freira do Convento da Lapa e idosa de 60 anos. Foi morta pelos portugueses em 19 de fevereiro de 1822 ao tentar impedir a entrada dos soldados no convento. A ela é atribuído o brado: “Para trás, bandidos. Respeitem a casa de Deus. Só entrarão aqui passando por cima do meu cadáver”.

Maria Quitéria de Jesus, de Feira de Santana, foi para a guerra como “Soldado Medeiros”, trajava roupas masculinas e tinha engenhosidade com armamento e montaria. No entanto, conforme frisou Mabel, ela foi retratada usando saia, em um típico caso de machismo. Quitéria morreu em 21 de agosto de 1853. 

Já Maria Felipa de Oliveira, nascida na Gameleira, em Itaparica, era líder, marisqueira e pescadora, com habilidades com tecnologia ancestral. Ela liderou vedetas como Brígida do Vale, Joana Soaleira e Marcolina. mulheres que ficavam na praia para atrair os portugueses. Segundo relatou Mabel Freitas, a história narra que eles desembarcavam das embarcações e já desciam para a areia tirando as roupas com o objetivo de estuprarem as mulheres. No entanto, como se tratava de uma emboscada, eles apanhavam de cansanção sob a ação orquestrada por Felipa. 

GUERREIRA

O evento também teve a apresentação de um retrato falado de Maria Felipa. A obra foi produzida pela perita criminal Filomena Orge, que explicou como traçou o perfil da guerreira de Itaparica, que faleceu em 4 de julho de 1870.

Filomena contou que o desafio chegou às suas mãos por iniciativa de pesquisadores da Faculdade Olga Mettig. “Eles reuniram depoimentos de pessoas que moram na Ilha de Itaparica e também trouxeram outros elementos que contam a história de Maria Felipa naquele momento da campanha pela independência da Bahia”, contextualizou.

A partir disso, o retrato falado foi sendo construído. Em Itaparica, apontou a perita criminal, há pessoas que se autodeclaram descendentes de Maria Felipa e assim são reconhecidos. Eles autorizaram o estudo dos traços característicos e, assim, Filomena indicou que há a probabilidade de Felipa ser descendente de sudaneses. “Dentro do retrato falado, temos características gerais, específicas e particulares. Tínhamos as gerais e específicas, mas as particulares não existiam. De Felipa, sabíamos que era criola, alta, corpulenta, capoeirista, marisqueira, uma mulher ágil”, exemplificou.


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