Os sinais escritos na fotografia, representando o ritual de abertura dos trabalhos de uma sessão no Parlamento baiano, integram o conteúdo programático do Curso de Taquigrafia, promovido pela Escola do Legislativo da ALBA. As aulas começaram no último dia 8 de agosto e se estendem até dezembro de 2024, sempre às terças e quintas-feiras, das 9h às 10h30, com a participação de 58 alunos, a grande maioria servidores de vários departamentos da Casa, além de dependentes do corpo funcional.
O curso está dividido em duas etapas. No primeiro módulo, será fornecido um vasto material didático sobre o método do professor Nelson de Oliveira, sistema de sinais que é adotado na Bahia. A instrutora Marilanja Pereira, formada em Língua Portuguesa pela Universidade Católica do Salvador, define a taquigrafia como “a arte de escrever tão rápido quanto se fala através da técnica de sinais”.
A professora lembra que o método do professor Nelson de Oliveira, que nasceu em São Paulo e recebeu em 1965 o Título de Cidadão Baiano concedido pela Assembleia Legislativa, utiliza a técnica de sinais geométricos, a partir de retas, círculos e pedaços de círculos. “Queremos difundir essa técnica para outros estados e para os 417 municípios baianos. Contamos com uma parceria, envolvendo a TV ALBA, a Escola do Legislativo e o Departamento de Taquigrafia, para ministrarmos aulas online que serão disponibilizadas no Canal do Youtube e também veiculadas nas emissoras legislativas de todo o país”, anunciou.
Especialista em Libras, Revisão de Textos e Análise de Discursos, a servidora pública salienta que, mesmo com o avanço da tecnologia, a presença de profissionais de taquigrafia nas instituições públicas é de fundamental importância, porque auxilia no combate à desinformação, principalmente em tempos de Deep Fake e Inteligência Artificial. “Recentemente foi exibida uma reportagem de um Parlamento Internacional, verificando que o discurso de um deputado tinha sido modificado. Atualmente já existem profissionais peritos para descobrir se o vídeo é falso ou verdadeiro, mas leva algum tempo. Já o taquígrafo, presente no Plenário, pode atestar a veracidade das falas no exato momento, em tempo real, pois somos testemunhas, registramos com transparência os fatos para a sociedade”, pontuou a professora.
VELOCIDADE
No segundo módulo do Curso de Taquigrafia, os alunos ingressam na fase de aquisição da velocidade da escrita. Gradativamente, a técnica de aprendizado dos sinais geométricos se une à agilidade na transcrição dos pronunciamentos. Para todo este processo ser coroado de êxito, afirma a instrutora Mirela Novais, exige-se dos participantes concentração, foco, memorização e um bom conhecimento do idioma, características necessárias para o desenvolvimento das atividades. Bacharel em Direito pela Faculdade Unijorge, ela explica que inicialmente os alunos aprendem a escrever 20 palavras por minuto e, progressivamente, serão treinados para escrever até 100 palavras por minuto.
A professora esclarece que este estágio de velocidade da escrita já deverá ser na conclusão do curso, quando o aluno estará credenciado para a realização da prova final, contendo um ditado de um discurso parlamentar na velocidade de 80 palavras por minutos, que é a meta normalmente estabelecida nos concursos públicos. Após o cumprimento desta fase, a Escola do Legislativo entregará o Certificado Profissional do Curso de Taquigrafia, habilitando o aluno para exercer o trabalho em instituições públicas ou privadas, como sindicatos, associações, empresas ou escolas.
Mirela Novais assegura que toda escrita do profissional de taquigrafia tem presunção de veracidade e, como testemunha dos fatos, possui fé pública ao produzir determinado documento falado nas Assembleias e nos Tribunais. “A gente é responsável por registrar a verdade dos fatos não só para a história, mas também para que a população tenha acesso às informações. Quanto mais transparente é uma instituição política, mais respeitada ela é perante os cidadãos”, encerrou a advogada e professora de taquigrafia há mais de uma década.
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