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Deputadas reverenciam memória de Mãe Bernadete

Publicado em: 23/08/2023 19:50
Editoria: Notícia

Mãe Bernadete foi assassinada no último dia 17 de agosto
Foto: Walisson Braga/ Conaq
A Assembleia Legislativa recebeu três moções de pesar, na tarde desta quarta-feira (23), pela morte da yalorixá Bernadete Pacífico. Ela era líder do Quilombo Pitanga dos Palmares, localizado em Simões Filho, onde foi executada. Olívia Santana (PC do B), Ludmilla Fiscina (PV) e Fátima Nunes (PT) assinam os documentos.

“Na fatídica noite de quinta-feira (17), mais uma liderança quilombola foi brutalmente executada na Bahia”, diz Olívia, lembrando que Mãe Bernadete, 72 anos, continuava firme na batalha por dignidade, direitos humanos, liberdade, democracia e prosperidade para sua comunidade e para todos os remanescentes dos quilombos do Brasil.

Olívia considera que “Mãe Bernadete foi executada porque causava incômodo aos gananciosos e nefastos interesses econômicos e políticos do município de Simões Filho. Ela foi morta porque seus executores e mandantes, por certo, desejam calar e manter a comunidade quilombola Pitanga dos Palmares sob o jugo do medo e da miséria, sem direito à terra, reclamação ou qualquer coisa que contrarie os criminosos e suas redes de proteção”.

FILHO

Já Ludmilla ressaltou que, além de líder quilombola de Pitanga dos Palmares e ex-secretária de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Município de Simões Filho, a yalorixá era coordenadora da Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (Conaq). O filho dela, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, conhecido como Binho do Quilombo, também foi assassinado, em 2017.

“Uma mulher de personalidade forte, que se transformou em uma luz brilhante na luta contra a discriminação, contra o racismo e a marginalização, atuava de forma presente na expectativa de solucionar o caso do assassinato do seu filho Binho do Quilombo, enfrentando todas as dificuldades que uma mãe negra de vida difícil pode enfrentar na busca por justiça e da dignidade de seu filho, agora, por ironia do destino, silenciada”, disse.

BANCADA

“Os deputados que compõem a Bancada Estadual do Partido dos Trabalhadores vêm, nos termos do artigo 141, § 1º do Regimento Interno desta Casa Legislativa, manifestar seu mais sincero pesar em razão do falecimento a senhora Maria Bernadete Pacífico”, diz o documento que tem a firma principal da líder Fátima Nunes.

“Com profunda tristeza e indignação, a Bancada do Partido dos Trabalhadores na Assembleia Legislativa da Bahia expressa seus mais sinceros sentimentos de pesar pelo terrível assassinato da yalorixá Maria Bernadete Pacífico, corajosa líder quilombola da Comunidade Remanescente de Quilombo Pitanga de Palmares, localizada no município de Simões Filho, Região Metropolitana de Salvador”, diz o texto.

“O brutal assassinato de Maria Bernadete, conhecida como Mãe Bernadete, é uma chaga em nossos corações e uma afronta as vozes que clamam por justiça, igualdade e dignidade. Sua vida foi ceifada de maneira cruel e covarde, deixando um vazio irreparável em sua comunidade, sua família e em todos aqueles que compartilham do compromisso com a luta pelos direitos humanos e pela igualdade racial.

A moção ressalta que “o histórico de violência que culminou no assassinato de mãe Bernadete é um triste reflexo das ameaças constantes enfrentadas por líderes quilombolas em sua busca por justiça e equidade”. Assim como os outros dois documentos, a moção petista lembra o assassinato de Binho Seis anos atrás, ela já havia perdido seu filho, Binho Quilombola, vítima de um crime semelhante, e estava determinada a continuar buscando por justiça nesse caso.

“Neste momento de dor, a Bancada do Partido dos Trabalhadores reforça seu compromisso inabalável em não tolerar mais nenhum tipo de violência contra as mulheres e se solidariza com a família de mãe Bernadete, assim como com toda a comunidade quilombola”. Os parlamentares concluem que exigem justiça imediata e completa investigação desse hediondo crime, para que os responsáveis sejam identificados, julgados e punidos conforme a lei.



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