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ALBA Cultural lança livro de Emiliano sobre personagens que combateram a ditadura militar

Publicado em: 28/08/2023 17:17
Editoria: Notícia

Representante da Assembleia no evento, o deputado Robinson Almeida (PT) destacou que o projeto da Casa tem o caráter principal de difundir a memória e manter viva a história da Bahia
Foto: CarlosAmilton/AgênciaALBA
Com a presença de três personagens do seu novo livro, o escritor e jornalista Emiliano José lançou “Em Carne Viva”, na última sexta-feira (25), no Museu de Arte da Bahia (MAB), no Corredor da Vitória, em Salvador. A obra foi publicada pela Assembleia Legislativa da Bahia, através do programa ALBA Cultural, e retrata a luta contra a ditadura militar de 1964, através das histórias dos militantes de esquerda Pedro Oliveira, Ana Guedes e Diva Santana. O livro resgata ainda o episódio conhecido como o Movimento de Pau de Colher, que terminou, na década de 30, com o massacre de 400 camponeses por forças policiais de três estados.

Ao discursar no evento, Emiliano definiu o lançamento como “um encontro”. Além dos personagens, também estiveram presentes no MAB políticos de esquerda como os deputados federais Daniel Almeida (PC do B) e Lídice da Mata (PSB), os deputados estaduais Robinson Almeida (PT) e Olívia Santana (PC do B) e representantes da cultura baiana como Academia de Letras da Bahia (ALB), o sociólogo Joviniano Neto (presidente do grupo Tortura Nunca Mais e autor do prefácio do livro), dentre outras personalidades. “O lançamento para mim é um momento de encontro. Seja porque encontramos tanta gente conhecida, tanta gente que caminhou por essa mesma estrada durante muito tempo. Seja porque é um momento de encontro e abraço com três dos quatro protagonistas do livro”, afirmou Emiliano.

De acordo com o jornalista e escritor, há um único “estrangeiro” no livro, Zé Camilo, um dos poucos sobreviventes do massacre de Pau de Colher, povoado baiano localizado na fronteira com Pernambuco e Piauí. O movimento foi iniciado em 1934, durante a ditadura de Getúlio Vargas. “O que me surpreendo mesmo é com o fato de Pau de Colher ser um episódio quase desconhecido na Bahia. Foi um mini Canudos. Em 24 horas, a polícia militar matou quase 400 camponeses”, contou. Emiliano conheceu a história de Zé Camilo através dos donos da fazenda Serra da Pedra, onde ele trabalhou em Casa Nova, Alberto Dourado, ele, sua esposa Isabel Gouvêa e o filho Paulo Dourado (que também marcou presença no lançamento) passaram a Emiliano a história de Zé Camilo, que foi um dos líderes do movimento de cunho messiânico, assim como Canudos.

Já os outros protagonistas de “Em Carne Viva” conviveram de perto com Emiliano. “Mas o livro não é uma biografia, é um registro ligeiro da vida de cada um para a gente marcar a presença dessas pessoas absolutamente essenciais de nossa história recente”, explicou o autor da obra. “A nossa história é construída com esse tipo de militantes, que ficam mais à sombra, que não são da linha de frente da luta armada, não são parlamentares, mas que, no entanto, constroem, decidem e fazem coisas extraordinárias”, acrescentou ele. Convivência também ressaltada pelos personagens do livro durante o lançamento, a exemplo da ativista de direitos humanos, Ana Guedes. “Eu conheço Emiliano há 53 anos. Ele e eu fomos da Ação Popular. Depois fui para o PC do B e ele ajudou a fundar o PT, mas a gente sempre esteve junto. Hoje sou ativista da luta pelos direitos humanos e pertenço ao Grupo Tortura Nunca Mais da Bahia. Mas, como estou desde os 15 anos de idade na luta, ele resolveu transformar minha história em livro”, relatou Ana.

Personagem do primeiro capítulo de “Em Carne Viva”, Pedro Oliveira contou que iniciou a vida política junto com Emiliano. “Nós nos conhecemos no seminário dos Camilianos, em Jaçanã (bairro de São Paulo), e fomos desenvolvendo uma amizade muito forte”, contou Oliveira, que estava no lançamento junto com a família. “A gente está hoje aqui muito feliz por poder resgatar um pouco dessa memória”, afirmou.

Emiliano explicou a razão de resgatar a história desses personagens que resistiram à ditadura militar. “Quando me perguntam o sentido de continuar escrevendo, eu digo que faço isso pelo meu compromisso essencial com os que foram mortos covardemente pela ditadura. Nós sobrevivemos. Então penso que escrever é seguir na luta pelos sonhos daqueles que ficaram no meio do caminho e também por aqueles que já se foram e conviveram conosco. É uma declaração de amizade profunda”, explicou.

MEMÓRIA

Representante da Assembleia Legislativa no lançamento, o deputado Robinson Almeida lembrou, em seu discurso, que o projeto da ALBA Cultural tem o caráter principal de difundir a memória e manter viva a história da Bahia. Ao se referir a Emiliano e aos personagens do livro, Robinson citou uma passagem do poema “O imprescindível” de Bertolt Brecht. “Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis”.


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