MÍDIA CENTER

Cientista Julio Croda é o mais novo comendador da Bahia

Publicado em: 21/09/2023 20:43
Editoria: Notícia

Em uma sessão emocionante, Fabíola Mansur (PSB), proponente da homenagem, falou sobre a contribuição do médico e pesquisador para o fortalecimento da ciência
Foto: JulianaAndrade/AgênciaALBA

A Assembleia Legislativa concedeu, na manhã desta quinta-feira (21), a Comenda 2 de Julho ao médico baiano Julio Henrique Rosa Croda, por projeto de resolução da deputada Fabíola Mansur (PSB). Homenageado e a deputada proponente defenderam enfaticamente a ciência e o SUS, representado na sessão especial pela figura de Zé Gotinha. Para a socialista, é importante reconhecer o trabalho de um médico e pesquisador baiano, que foi “um anjo da guarda durante a Covid, que enfrentou fake news em um tempo de trevas que vivemos”. Croda “defende a democracia e defende o SUS” e, “homenagear heróis anônimos que salvam vidas é muito importante”.


Julio Croda recebeu a medalha “com muita emoção e prazer”, não só pelo que representa para a Bahia, mas, em especial, para a ciência e o que ela significou para o fim da pandemia de Covid. Ele recordou a luta que, junto com instituições públicas, enfrentou para encontrar uma resposta satisfatória para a população quando da disseminação do vírus. O médico estendeu a homenagem a todos os profissionais de saúde que enfrentaram a pandemia.


Ressaltou a importância da ciência para a diminuição das desigualdades sociais, e considerou a vacina como “uma grande arma”. Defendeu a “independência tecnológica para a saúde” e afirmou que quem morreu na pandemia foram os mais pobres, os idosos e negros, “que tiveram uma carga mais alta de Covid”. A vacina, disse, foi a “grande ferramenta para a diminuição dessa injustiça social”. Para ele o “SUS é isso”, “talvez a maior ferramenta de democracia que nós temos”, porque permite que qualquer pessoa possa “ter acesso à saúde de qualidade”.



O médico infectologista aconselhou que, no momento atual, quando casos de Covid ressurgem pela subvariante EG.5, a população mantenha a vacinação em dia, em especial os grupos mais vulneráveis, como idosos e imunossuprimidos. A periodicidade dos imunizantes deve ser de seis meses a um ano, apontou Julio Croda, que também defende o uso de máscaras em ambientes fechados como medida de proteção. Ele descartou a possibilidade de novo lockdown, mas aponta a necessidade de manutenção dos cuidados pessoais.


O médico, que coordena grupo de pesquisas para o desenvolvimento de vacina contra a tuberculose, anunciou que já no ano que vem devem ser iniciados os testes da fase 1, de segurança e dosagem inicial, e previu para daqui a sete anos a aplicação do imunizante na população. O homenageado reforçou que a saúde pode diminuir as desigualdades sociais e lembrou que há doenças diretamente associadas à pobreza. A tuberculose é uma delas. O Brasil, garantiu, tem tecnologia para desenvolver essa vacina, disse Croda, apontando o Instituto Butantã e a FioCruz como exemplos, assim como a existência de bons pesquisadores. O país pode, sim, liderar essas pesquisas mundiais, garantiu.



SUCESSO



Em seu discurso de saudação, Fabíola Mansur enalteceu a vertiginosa e bem sucedida carreira profissional do jovem cientista, assegurando que o homenageado “é orgulho da Bahia e de todos os que prezam a ciência e o empenho para melhoria das condições da saúde do povo brasileiro”. Julio Croda é médico e pesquisador na área de doenças infecciosas e trabalha como investigador principal em uma série de estudos envolvendo vigilância ativa, epidemiologia molecular e ensaios clínicos para doenças respiratórias e arboviroses.


Julio Croda nasceu em Salvador em 1978, estudou no Isba e entrou na Faculdade de Medicina da Ufba em 1997, onde trabalhou como aluno de iniciação científica no laboratório de patologia e biologia molecular (LPBM) do Instituto de pesquisa Gonçalo Moniz, Fundação Oswaldo Cruz. Também no início do curso se deu seu encontro com os primeiros mestres, Dr. Albert Ko e Dr. Mitermayer Galvão, que permanecem parceiros de pesquisas até hoje.


Segundo a socialista, Julio Croda encontrou na medicina a forma para contribuir para a redução das desigualdades sociais e para o combate às doenças que afetam os mais vulneráveis, “e assim foi moldando o espírito do futuro infectologista” que, ainda como estudante, descobriu e patenteou uma proteína que seria essencial para o desenvolvimento de um kit de diagnóstico para a leptospirose.


BRILHANTISMO


Especializou-se em infectologia na Universidade de São Paulo e concluiu doutorado na França. Ao lado da mulher Mariana, também infectologista, seguiu carreira na saúde pública e dedicou-se à defesa do SUS “permanente atuação profissional”. Foi professor da Fundação Universidade Federal da Grande Dourados e da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, estado onde atuou, ainda, como pesquisador da Fiocruz.


No Ministério da Saúde, na condição de diretor do Departamento de Imunizações e Doenças Transmissíveis, integrou o grupo de trabalho do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta e foi o primeiro a deixar a equipe “devido à resistência do ex-presidente em negar a vacina e as medidas de distanciamento social”, destacou a parlamentar, lembrando ainda que Croda “teve papel destacado” nos processos de aquisição, regulamentação e distribuição de vacinas e vigilância das doenças transmissíveis.


Ela enalteceu o trabalho desenvolvido pelo médico durante a pandemia quando, em 2020 e 2021, formou, “com a qualificada elite científica brasileira um responsável grupo em defesa da verdade e da prevenção à Covid 19”. Segundo a legisladora, o cientista baiano liderou a resposta brasileira à pandemia como coordenador do Centro de Operações de Emergência até abril de 2020 e, ao deixar o Ministério da Saúde, seguiu atuando no Centro de Contingência do Estado de São Paulo e nas consultorias às secretarias estaduais de Saúde do Mato Grosso do Sul e do Amazonas.


Esse foi um desafio decisivo para a humanidade e a ação de cientistas comprometidos com a saúde pública se mostrou fundamental para minorar os efeitos gravíssimos da pandemia que vitimou mais de 700 mil brasileiros”, disse Mansur, para quem Julio Croda “atuou de forma brilhante e didática prestando um serviço essencial à população, sendo identificado pelos meios de comunicação do país como importante referência para levar informação de verdade ao povo brasileiro”. A parlamentar também destacou que as pesquisas desenvolvidas pelo homenageado no enfrentamento da tuberculose o credenciaram para coordenar o grupo que desenvolve, atualmente, uma vacina para a doença.


Ao concluir o pronunciamento, a deputada registrou “o agradecimento e o orgulho do povo baiano em aplaudir o brilhantismo com que Julio retribuiu a régua e o compasso que a Bahia e a nossa Universidade lhe deram”. A Comenda 2 de Julho que a Assembleia Legislativa da Bahia conferiu, em sessão especial desta quinta-feira, disse Mansur, “é resultado do seu compromisso, do seu talento e da carreira magnífica que está construindo. Há muito futuro à sua frente e ainda muito a realizar. Com segurança, posso afirmar que a Bahia ainda terá muito mais do que se orgulhar e agradecer ao seu brilhante cientista”. Não por acaso, finalizou, a mais alta honraria da Casa Legislativa baiana “está em suas mãos. É por merecimento e por reconhecimento”.


A sessão especial contou, na abertura e encerramento, com as participações de Luíza Andrade e Rita Tavares que, como convém à Bahia, apresentaram em voz e violão as músicas Vai Sacudir, Vai Abalar, da Banda Cheiro de Amor, e Divino, Maravilhoso, de Gilberto Gil e Caetano Veloso.


Compuseram a mesa dos trabalhos, presidida pela deputada Fabíola Mansur, o chefe de gabinete da Secretaria da Saúde, Cicero Rocha; a coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Saúde, Patrícia Mendes; o procurador-geral Adjunto para Assuntos Administrativos da PGE, Ricardo Costa Vilaça; a representante do Secretário de Ciência e Tecnologia, Fernanda Moraes; o diretor da Faculdade de Medicina da Ufba, Alberto Lopes; a presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Irna Carneiro; o ex-secretário de Saúde Fábio Villas-Boas; a diretora da FioCruz Marilda Gonçalves; o presidente do Conselho Estadual de Saúde, Marcos Sampaio; o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, André Siqueira; a presidente da Bahiafarma, Ceuci Nunes. Participaram da cerimônia, os deputados estaduais Luciano Araújo (SD) e Marquinho Viana (PV). Já o deputado  Vitor Bonfim (PV) e o ex-deputado estadual Heraldo Rocha conduziram o homenageado ao Plenário Orlando Spínola.

 



Compartilhar: