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Colegiado da Saúde promove audiência pública sobre "Câncer de Cabeça e Pescoço"

Publicado em: 28/09/2023 17:54
Editoria: Notícia

Presidente Alex da Piatã informou que o evento, em alusão ao Julho Verde, só ocorreu agora por conta do recesso parlamentar
Foto: AscomDep.AlexdaPiatã/AgênciaALBA

Você já se imaginou sem voz? Esta foi a pergunta mais repetida por médicos, radioterapeutas, fonoaudiólogos e pacientes laringectomizados que participaram nesta quinta-feira (28), na Sala Eliel Martins, da audiência pública da Comissão de Saúde e Saneamento da Assembleia Legislativa sobre o “Câncer de Cabeça e Pescoço - em Alusão ao Julho Verde”. O presidente do colegiado, deputado Alex da Piatã (PSD), lembrou que a Lei Federal 14.328/2022 instituiu a data de 27 de julho como o Dia Mundial de Conscientização do Câncer de Cabeça e Pescoço e explicou que o evento só ocorreu agora em setembro por conta do recesso parlamentar regimental do meio de ano na ALBA.



Alex da Piatã disse ainda que no último dia 11 de agosto foi celebrado o Dia Nacional do Laringectomizado, uma pessoa portadora de ostomia, que é considerada pela legislação como pessoa com deficiência, já que não tem voz. O parlamentar apresentou dados estatísticos sobre o câncer em geral no mundo, revelando que a estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) é de que, em 2023, cerca de 59 mil brasileiros serão diagnosticados com câncer de cabeça e pescoço no país, sendo que mais de 60% com diagnóstico tardio, impactando na sobrevida do paciente. O deputado esclareceu também que os tumores nesta região do corpo atingem pele, boca, língua, palato, gengivas, bochechas, amígdalas, faringe, laringe, esôfago cervical, tireoide, glândulas salivares e seios paranasais.



REABILITAÇÃO



Após o pronunciamento inicial do proponente da sessão, o público assistiu a uma apresentação do Coral de Laringectomizados do Hospital Aristides Maltez (HAM). Sob a regência da professora de canto Jamily Diwlay, integrante do Neojiba (Núcleo Estadual de Orquestras e Coros da Bahia) - o coral de pacientes emocionou a todos cantando as músicas Trem das Onze (Adoniran Barbosa) e Sementes do Amanhã (Erasmo Carlos). A primeira palestra da audiência foi proferida pelo cirurgião do HAM, Dr. Lucas Silva, que fez uma longa explanação a respeito da Campanha Nacional de Conscientização do Câncer de Cabeça e Pescoço. “A gente precisa mostrar a importância dessas pessoas que sofrem cirurgias, que buscam a reabilitação, que procuram diversas formas de se comunicar com a sociedade, de falar com suas famílias. Temos de construir políticas públicas que assegurem um melhor acesso e tratamento para esses pacientes”, salientou.



O médico também mostrou números sobre os diversos tipos de cânceres na cabeça e pescoço e criticou a não obrigatoriedade do aprendizado da disciplina Oncologia nas Faculdades de Medicina, apesar de o câncer ser a segunda causa de morte no mundo. Dr. Lucas recomendou que todos deviam ficar atentos aos sinais e sintomas da doença, necessitando procurar uma assistência médica para ser melhor avaliado. O profissional citou como exemplo o caso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, inicialmente, foi diagnosticado com uma dor de ouvido e, posteriormente, os exames detectaram um câncer de laringe, que foi tratado e curado. “Estamos aqui na Assembleia Legislativa para debater e divulgar a campanha e esperamos colher muitos frutos dessa audiência”, finalizou o cirurgião.



Reabilitação Fonatória no Laringectomizado Total foi o tema abordado Pela fonoaudióloga Laiane Lima, também do Hospital Aristides Maltez. Ela esclareceu que o câncer avançado da laringe acarreta a perda da área glótica, local onde se produz o som da voz. Além de indicar quais as sequelas decorrentes do procedimento médico, a fonoaudióloga descreveu como “a mágica de falar acontece para os pacientes que passaram pelo processo”. Ela detalhou a respeito dos três tipos de reabilitação, incluindo a voz esofágica, a prótese fonatória e a laringe eletrônica, este último com a utilização de um dispositivo que permite a produção da fala através da vibração de um aparelho colocado na parte externa do pescoço.



RADIOTERAPIA



A reabilitação pulmonar como forma de melhorar a qualidade de vida do paciente foi o foco da palestra da fonoaudióloga Aline Figueiredo. Ela falou sobre as alterações respiratórias e o aumento da secreção, já que, em decorrência da cirurgia, o paciente perde todas as funções realizadas pelo nariz. “Além de depender de profissional qualificado, a gente só consegue fazer a reabilitação pulmonar por meio do uso diário dos insumos, um filtro que precisa ser acoplado a um adesivo no estômago do paciente”, ressaltou a fonoaudióloga, que se mostra preocupada quanto às leis e portarias que possam garantir o acesso dos pacientes ostomizados aos insumos disponíveis.



O médico Ramon Gatto, representante do Hospital Santa Izabel, em Salvador, fez uma palestra sobre a Conjuntura da Radioterapia na Bahia, apresentando um relatório completo e projetando como deveria ser o cenário ideal para a estrutura da radioterapia no Estado até 2030. Titular da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), Ramon Gatto defendeu uma melhoria no financiamento do sistema, de modo a atender com mais eficiência a população, e cobrou uma revisão da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS), que - segundo aponta - investe muito pouco nos serviços de radioterapia.



INVESTIMENTOS



O deputado Ricardo Rodrigues (PSD) pontuou que já foi por quatro vezes presidente do Consórcio de Saúde na Região de Irecê e reforçou a importância das Policlínicas de Saúde. O parlamentar colocou o mandato à disposição dos pacientes para atendimento às demandas levantadas na audiência. Diretora de Atenção Especializada da Secretaria Estadual de Saúde da Bahia, Maria Alcina Romero representou a secretária Roberta Santana. A enfermeira fez uma breve exposição sobre as questões mencionadas pelos especialistas e garantiu que a Sesab tem realizado investimentos na prevenção ao câncer. “Nenhum estado do Brasil implementou tantos serviços em regiões de saúde conhecidas antes como ‘vazios assistenciais’. É de um desafio imenso implantar uma unidade especializada em câncer quando se precisa de uma gama de profissionais. Já implantamos em Irecê, Barreiras, Guanambi, Porto Seguro e agora estamos implantando a Unacon, Unidade de Alta Complexidade em Oncologia, em Jequié”, adiantou a gestora.



Wilde Sento Sé, professor aposentado e paciente laringectomizado desde 27 de março de 2018, prestou um depoimento, relatando as inúmeras dificuldades que enfrentou. Ele tomou água para lubrificar a garganta e citou sobre os exercícios que praticava no treinamento para aprender a reabilitação com a voz esofágica: “Uma vez treinei a fala dentro de um ônibus e até assustei os passageiros ao redor, por causa do som estranho a eles. Mas valeu a pena, tudo deu certo, a gente tem mesmo é que buscar a ajuda adequada”, explicou, recebendo os aplausos da plateia. No final do encontro, o deputado Alex da Piatã anunciou que as sugestões e demandas serão encaminhadas às autoridades competentes e acompanhadas diariamente, passo a passo, para que a Comissão de Saúde obtenha os resultados.



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