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Comissão debate fortalecimento de políticas em prol dos atletas

Publicado em: 25/10/2023 16:21
Editoria: Notícia

Históriade superação do bicampeão mundial de parajiu-jítsu emocionou os presentes
Foto: NeusaCostaMenezes/AgênciaALBA
“O esporte é um instrumento de inclusão. Ele contraria uma sociedade  que exclui. O esporte possibilitou, não apenas o meu filho a reescrever a história dele, mas de toda a nossa casa. Estamos aqui por causa do esporte”. As palavras de Marleide Nogueira, mãe do bicampeão mundial de parajiu-jítsu, Igor Nogueira, ditas com a voz embargada, indicam o potencial transformador da prática esportiva navida das pessoas com deficiência, e seus efeitos para as respectivas famílias. A história de superação de Igor foi narrada por Marleide durante uma audiência pública sobre incentivo ao paradesporto na Bahia, promovida pela Comissão Especial de Desporto, Paradesporto e Lazer, da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), na manhã desta quarta-feira (25). 

Presidido pelo deputado Bobô (PC do B), o encontro reuniu paratletas, representantes de federações e parlamentares, para uma discussão dedicada à necessidade de fomento, fortalecimento de projetos já existentes – a exemplo do FazAtleta – e a criação de políticas públicas de iniciativa esportiva e de desenvolvimento para atletas do paradesporto, performáticos de alto rendimento, que vivem do esporte, representando o estado da Bahia em competições estaduais, nacionais, e até internacionais. 

“Esse tipo de audiência só fortalece esse segmento, que eu considero um dos mais importantes aqui na Bahia, até pelo apoio que o Estado tem dado, e o reconhecimento. Queremos, inclusive, o aumento nos investimentos para que mais atletas, que tenham algum tipo de deficiência, possam se beneficiar”, frisou Bobô.

Diagnosticado com transtorno do espectro autista de maneira tardia, aos 7 anos, ohoje atleta do paradesporto, nas modalidades jiu-jítsu convencionale parajiu-jítsu, Igor Nogueira, é um exemplo das transformações que o esporte pode proporcionar – relatou a mãe do paratleta. Segundo Marleide, antes de ingressar nas artes marciais, Igor não conseguia ficar parado por muito tempo, estava frequentemente agitado, batia a cabeça contra a parede, tentava se autorregular comas mãos, com o movimento do tronco para frente e para trás; e comrepetição de sons. O prognóstico dos médicos era de que ele nuncairia ler nem escrever, e que não teria capacidade sequer de amarraro cadarço do próprio sapato. 

Hoje, aos 28 anos, cursa a faculdade de Educação Física, tem uma namorada e coleciona conquistas no jiu-jítsu. No próximo sábado, inclusive, viajará para Abu Dhabi, capital dos Emirados ÁrabesUnidos, para a terceira defesa de título mundial de parajiu-jítsu.“Eu luto no convencional e no parajiu-jítsu. Estou indo para lutar mais uma vez fora do Brasil para defender o meu título. Estou muito feliz”, afirmou o jovem lutador, beneficiado pelo Programa FazAtleta. 

Para a mãe do atleta, o contato com o esporte mudou significativamente o comportamento do filho. De repente, a aversão ao toque e adesorganização sensorial deram lugar ao foco, à atenção, à concentração e à coordenação motora. O olhar disperso passou a fazer contato visual; o corpo franzino adquiriu tônus muscular e avida ganhou sentido. Além de Igor, outros atletas do paradesporto participaram da audiência pública na sala Jadiel Matos, entre eles Álvaro Borges, atleta com síndrome de down; e Mestre Pitty,deficiente visual. 

Vice-presidente da Comissão de Desporto, o deputado Dr. Diego Castro (PL) classificou a temática como uma pauta prioritária, e declarou apoio à causa paradesportiva. “A função do parlamento é criar mecanismos através dos instrumentos legislativos para que direitos e garantias fundamentais sejam efetivados, dentro desse rol está a pauta da inclusão, sobretudo, no esporte. Essa comissão tem se empenhado para que essa pauta seja assimilada e cada vez mais os quereres de vocês sejam encaminhados e com brevidade”, destacou. 

Há quatro meses na função de coordenador de Paradesporto da Sudesb, Adelmare Junior comentou a estrutura de fomento estadual para o esporte. Além disso, ressaltou a importância de ampliar avisibilidade do atleta e ampliar a criação de projetos de iniciativa esportiva contínuos, específicos para a pessoa com deficiência para a ressignificação da vida.

Alémdos já mencionados, participaram do encontro Lívia Teixeira, mãe do atleta Álvaro Borges; o presidente da Federação de Jiu-Jítsue MMA, Evandro Nascimento; o professor doutor em Educação Física e coordenador do Programa de Paradesporto em Rede da UniversidadeFederal da Bahia (Ufba), Rafael Kons; o diretor administrativo e financeiro da Federação Bahiana de Futebol (FBF), Marcelo Araújo;o presidente da Unisport, José Sandes; a presidente da Associaçãode Equoterapia, Maria Cristina; o representante do Núcleo de Apoio à Pessoa com Necessidades Educacionais, Euler Moraes; e o representantedo Projeto Sorriso, Fred Matos.


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