Reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma questão de saúde pública, a endometriose atinge cerca de 10% das mulheres e pode causar infertilidade, explicou a proponente da sessão, ao abrir os trabalhos para a plateia que lotou as salas Luiz Cabral e Herculano Menezes. “Queremos dar visibilidade a uma doença que, nas mulheres, provoca dores físicas e psicológicas, a destruição de casamentos e demissões no emprego. Aqui é o início de uma caminhada e vamos avançar na construção de políticas públicas para que as mulheres sejam amparadas e respeitadas”, declarou Cláudia Oliveira.
A médica ginecologista Amanda Cútalo, especialista em reprodução assistida, fez uma apresentação didática para “mostrar a gravidade e a importância da endometriose”. Dentre outras coisas, a obstetra definiu o conceito do endométrio, falou sobre o ciclo da menstruação, mostrou a preocupação com a infertilidade e relatou sobre as dificuldades com a dor crônica, que gera prejuízos para a mulher. “Ela falta ao trabalho, deixa de frequentar a faculdade, é vista como uma pessoa problemática, que reclama de tudo. Precisamos discutir a endometriose de forma precoce e tratar a situação de maneira mais eficaz”, alertou.
DIAGNÓSTICO
Especialista em cirurgia robótica pélvica, o médico Marcos Travessa ressaltou, em seu pronunciamento, que a endometriose “é uma doença que rouba os sonhos da mulher em ter uma qualidade de vida, um trabalho digno e até a maternidade”. Fundador do Centro de Endometriose da Bahia, Travessa criticou o atraso em diagnosticar a doença, afirmando que isso “não está só na falta de especialistas e de equipamentos tecnológicos, mas na conscientização de que sentir dor no período menstrual não pode ser considerado normal”.
Utilizando-se de slides ilustrativos, a psicóloga Liliane Carmen discorreu sobre os aspectos psicológicos de mulheres com endometriose, dando um panorama geral sobre a Saúde Mental; a Saúde Física e Reprodutiva; Carreira Profissional e Estudos; Relacionamento Amoroso; e Vida Social com a família e amigos. Para a especialista em Psicologia Clínica, “a endometriose, definitivamente, não é uma simples cólica, não é uma preguiça da mulher”.
Jamile Almeida, ginecologista e obstetra, é também diretora do Hospital da Mulher. Como representante da Secretaria estadual de Saúde (Sesab), respondeu sobre algumas demandas colocadas na audiência. “A gente está sempre tendo conversa para que o tratamento da endometriose, no Plano Estadual de Saúde, consiga se inserir no Plano Nacional de Fluxo de Endometriose. São cinco milhões de mulheres na Bahia e necessitamos de participação dos municípios, do Estado e do Governo Federal, porque não adianta fazer só o tratamento e não agir na prevenção da doença e também no diagnóstico precoce”, afirmou.
A nutricionista Tassara Moreira abordou sobre “A Nutrição na Endometriose - Escolhas para Potencializar Nossa Saúde”, orientando sobre a redução de carne vermelha, bebidas alcoólicas e café, ao passo que recomendou cuidados com a hidratação e a inserção de frutas, vegetais orgânicos e alimentos anti-inflamatórios e antioxidantes no cardápio. Já o especialista em Direito e Processo do Trabalho, professor Diego Massena, esclareceu questões jurídicas, como dispensa por atestado médico, assédio moral na empresa, interrupção do contrato de trabalho e continuidade do plano de saúde.
A bancada feminina prestigiou a audiência pública. Ivana Bastos (PSD) sugeriu a realização de mutirão de exames e cirurgia de endometriose, a exemplo do que se faz com as cirurgias de catarata. Fabíola Mansur (PSB) defendeu uma maior capacitação de profissionais de ultrassonografia, com especialização em endometriose. Neusa Cadore (PT); Maria del Carmen (PT); Ludmilla Fiscina (PV); e Olívia Santana (PC do B) também apresentaram contribuições significativas para o debate.
Ao final do encontro, a deputada Claudia Oliveira comunicou que as sugestões serão encaminhadas para a secretária estadual da Saúde, Roberta Santana, e anunciou que já apresentou, na ALBA, um PL propondo que maio seja o mês dedicado ao combate à endometriose na Bahia, incluindo a realização de palestras, nas escolas, e exames complementares, nas 27 Policlínicas Regionais de Saúde.
REDES SOCIAIS