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Comissão dos Direitos da Mulher debate prevenção e tratamento da endometriose

Publicado em: 25/10/2023 19:11
Editoria: Notícia

Bancada feminina da ALBA prestigiou a audiência pública, que reuniu especialistas sobre o tema
Foto: NeusaCostaMenezes/AgênciaALBA

Endometriose em Pauta foi o tema da audiência pública, promovida, nesta quarta-feira (25), pela Comissão dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), uma iniciativa da deputada Claudia Oliveira (PSD). Na reunião, os palestrantes falaram sobre os aspectos clínicos, cirúrgicos, nutricionais, mentais e jurídicos da doença, que acomete cerca de oito milhões de mulheres no Brasil, entre 25 e 35 anos, além da previsão de mais sete mil novos casos no triênio 2023/2025.
Reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma questão de saúde pública, a endometriose atinge cerca de 10% das mulheres e pode causar infertilidade, explicou a proponente da sessão, ao abrir os trabalhos para a plateia que lotou as salas Luiz Cabral e Herculano Menezes. “Queremos dar visibilidade a uma doença que, nas mulheres, provoca dores físicas e psicológicas, a destruição de casamentos e demissões no emprego. Aqui é o início de uma caminhada e vamos avançar na construção de políticas públicas para que as mulheres sejam amparadas e respeitadas”, declarou Cláudia Oliveira.
A médica ginecologista Amanda Cútalo, especialista em reprodução assistida, fez uma apresentação didática para “mostrar a gravidade e a importância da endometriose”. Dentre outras coisas, a obstetra definiu o conceito do endométrio, falou sobre o ciclo da menstruação, mostrou a preocupação com a infertilidade e relatou sobre as dificuldades com a dor crônica, que gera prejuízos para a mulher. “Ela falta ao trabalho, deixa de frequentar a faculdade, é vista como uma pessoa problemática, que reclama de tudo. Precisamos discutir a endometriose de forma precoce e tratar a situação de maneira mais eficaz”, alertou.

DIAGNÓSTICO

Especialista em cirurgia robótica pélvica, o médico Marcos Travessa ressaltou, em seu pronunciamento, que a endometriose “é uma doença que rouba os sonhos da mulher em ter uma qualidade de vida, um trabalho digno e até a maternidade”. Fundador do Centro de Endometriose da Bahia, Travessa criticou o atraso em diagnosticar a doença, afirmando que isso “não está só na falta de especialistas e de equipamentos tecnológicos, mas na conscientização de que sentir dor no período menstrual não pode ser considerado normal”.

Utilizando-se de slides ilustrativos, a psicóloga Liliane Carmen discorreu sobre os aspectos psicológicos de mulheres com endometriose, dando um panorama geral sobre a Saúde Mental; a Saúde Física e Reprodutiva; Carreira Profissional e Estudos; Relacionamento Amoroso; e Vida Social com a família e amigos. Para a especialista em Psicologia Clínica, “a endometriose, definitivamente, não é uma simples cólica, não é uma preguiça da mulher”.

Jamile Almeida, ginecologista e obstetra, é também diretora do Hospital da Mulher. Como representante da Secretaria estadual de Saúde (Sesab), respondeu sobre algumas demandas colocadas na audiência. “A gente está sempre tendo conversa para que o tratamento da endometriose, no Plano Estadual de Saúde, consiga se inserir no Plano Nacional de Fluxo de Endometriose. São cinco milhões de mulheres na Bahia e necessitamos de participação dos municípios, do Estado e do Governo Federal, porque não adianta fazer só o tratamento e não agir na prevenção da doença e também no diagnóstico precoce”, afirmou.

A nutricionista Tassara Moreira abordou sobre “A Nutrição na Endometriose - Escolhas para Potencializar Nossa Saúde”, orientando sobre a redução de carne vermelha, bebidas alcoólicas e café, ao passo que recomendou cuidados com a hidratação e a inserção de frutas, vegetais orgânicos e alimentos anti-inflamatórios e antioxidantes no cardápio. Já o especialista em Direito e Processo do Trabalho, professor Diego Massena, esclareceu questões jurídicas, como dispensa por atestado médico, assédio moral na empresa, interrupção do contrato de trabalho e continuidade do plano de saúde.

A bancada feminina prestigiou a audiência pública. Ivana Bastos (PSD) sugeriu a realização de mutirão de exames e cirurgia de endometriose, a exemplo do que se faz com as cirurgias de catarata. Fabíola Mansur (PSB) defendeu uma maior capacitação de profissionais de ultrassonografia, com especialização em endometriose. Neusa Cadore (PT); Maria del Carmen (PT); Ludmilla Fiscina (PV); e Olívia Santana (PC do B) também apresentaram contribuições significativas para o debate.

Ao final do encontro, a deputada Claudia Oliveira comunicou que as sugestões serão encaminhadas para a secretária estadual da Saúde, Roberta Santana, e anunciou que já apresentou, na ALBA, um PL propondo que maio seja o mês dedicado ao combate à endometriose na Bahia, incluindo a realização de palestras, nas escolas, e exames complementares, nas 27 Policlínicas Regionais de Saúde.




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